Arquivos
 15/11/2009 a 21/11/2009
 08/11/2009 a 14/11/2009
 01/11/2009 a 07/11/2009
 25/10/2009 a 31/10/2009
 18/10/2009 a 24/10/2009
 11/10/2009 a 17/10/2009
 04/10/2009 a 10/10/2009
 27/09/2009 a 03/10/2009
 20/09/2009 a 26/09/2009
 13/09/2009 a 19/09/2009
 06/09/2009 a 12/09/2009
 30/08/2009 a 05/09/2009
 23/08/2009 a 29/08/2009
 16/08/2009 a 22/08/2009
 09/08/2009 a 15/08/2009
 02/08/2009 a 08/08/2009

Votação
 Dê uma nota para meu blog

Outros links
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis
 Terras de Cabral
 Gerald Thomas
 BLOG DOS QUADRINHOS
 BLOG DO SÉRGIO DÁVILA
 Ilustrada no Cinema
 Almir Feijó
 Blog do Solda
 PARALAXE - Rafael Barion
 Grupo Delírio Cia. de Teatro
 Omelete - sua cozinha pop
 Cronópios - literatura e arte no plural
 Paulo Biscaia
 Casa da Maitê




A ETERNIDADE E UM DIA Edson Bueno
 


PEQUENAS ANIMAÇÕES

 

Francis é um inventor

Sua criação mudará o mundo

Mas ele esqueceu uma coisa

Todo sonho

Tem um preço

 

Assim nos conta o trailer de THE KINEMATOGRAPH, o curta em animação de origem polonesa, dirigido por Tomek Baginski. Só o trailer já é uma poesia de tintas dolorosas - (http://www.youtube.com/watch?v=O7tzcWh7F1M) - Pois bem, esse curta faz parte de uma lista de outros nove que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood pré-selecionou para a escolha dos cinco que concorrerão ao Oscar. É uma categoria charmosíssima e todos os anos conta com verdadeiras obras-primas em tempo mínimo e elaboração cuidadosa. Na relação de 2009 estão presentes Nick Park e “A Matter of Loaf and Death”, conhecidíssimo pelo Oscar por “Wallace e Gromit – A Batalha dos Vegetais” e por “A Fuga das Galinhas”, e claro, a Pixar e seu curta que antecede o lançamento do ano: “Partly Cloudy”, a pequena delícia de humor carinhoso e negro que era exibido antes de “UP”. Olha aí a relação dos dez felizardos:

 

. The Cat Piano, Eddie White and Ari Gibson, directors (The People’s Republic of Animation)

. French Roast, Fabrice O. Joubert, director (Pumpkin Factory/Bibo Films)

. Granny O’Grimm’s Sleeping Beauty, Nicky Phelan, director, and Darragh O’Connell, producer (Brown Bag Films)

. The Kinematograph, Tomek Baginski, director-producer (Platige Image)

. The Lady and the Reaper (La Dama y la Muerte), Javier Recio Gracia, director (Kandor Graphics and Green Moon)

. Logorama, Nicolas Schmerkin, producer (Autour de Minuit)

. A Matter of Loaf and Death, Nick Park, director (Aardman Animations Ltd.)

. Partly Cloudy, Peter Sohn, director (Pixar Animation Studios)

. Runaway, Cordell Barker, director (National Film Board of Canada)

. Variete, Roelof van den Bergh, director (il Luster Productions)

 



Escrito por Edson Bueno às 23h07
[] [envie esta mensagem
]





O ESPECTADOR SOLITÁRIO

 

Miguelanxo Prado, para quem não sabe, é um dos maiores desenhistas de histórias em quadrinhos do mundo. Espanhol, tem um traço tragicômico muito particular e suas histórias, de um modo geral, tendem à crueldade e à ironia. É um crítico afiado das mazelas humanas e, principalmente, de suas contradições. Talvez fosse possível qualificá-lo como dono de um estilo muito próximo ao humor negro. Mas, se fosse fácil qualificar um grande artista, ele não seria assim tão grande. Então, o melhor mesmo é ler as histórias de Miguelanxo e tirar as próprias conclusões. Também não é tarefa fácil porque seus álbuns não são lançados no Brasil com regularidade. Em 1991 a Editora Abril editou uma verdadeira jóia de crueldade e inteligência: MUNDO CÃO. Comprei e tinha-o comigo até algum tempo, mas alguém surropiou-me o exemplar. Dancei. Pois bem, de repente, assim sem mais nem menos, aparece nos cinemas um filme de animação em longa metragem dirigido pelo ídolo: DE PROFUNDIS. No cartaz a explicação de que foi “indicado ao Goya de melhor animação”. Nem ganhou. Mas tivesse ou não sido indicado e eu lá estaria para assisti-lo. A primeira surpresa é a de que o resultado não é uma obra cruel, nem irônica, nem engraçada, nem contém a mínima pitada de humor negro. É quase um filme romântico, delirantemente apaixonado pela beleza, pela melancolia e pelo sentimento doloroso da perda. Uma poesia visual explodindo em imagens belíssimas, traço apurado e original e a animação minimamente necessária para dar movimento ao filme. Um filme no mar e seus desenhos: náufragos, sereias, peixes e seres mitológicos desfilam pela tela em cores especialíssimas. Sem palavras, apenas música, reconheço que não é um filme fácil, digamos assim, de vender (porque acho fácil de assistir!). Pleno de subjetividade e experimentação, tem o próprio espírito do grafismo como conteúdo e nenhuma pressa em desenvolver a história. Tudo acontece num universo que é o da animação e seu sentido ideal. Fantasia, espiritualidade, sonhos e imaginação são matérias primas tratadas com sutileza. Um poema doloroso e por vezes amargo. Uma mulher toca violoncelo enquanto espera a volta de seu amado, naufragado pelas ondas de um mar bravio. Triste e lindo. Num país onde as pessoas não conseguem ler direito as legendas de um filme, não se pode esperar que compreendam os significados puramente artísticos desse belo filme. Miguelanxo Prado permitiu-se poetar e fez um filme muito próprio. A segunda surpresa? Pois bem, fui ao cinema nesta sexta-feira de lançamento, na sessão das 19h40 e assisti ao filme na mais absoluta solidão. Eu era o único espectador de Miguelanxo e seu “De Profundis”. Se não é assim uma surpresa é pelo menos a constatação dolorosa da insensibilidade artística a que estamos condenados. Quem se importa com a beleza? Quem se importa deveria conferir “De Profundis” e buscar em seu delírio de traços e cores o sentido suave de estar vivo e ser artista.



Escrito por Edson Bueno às 22h23
[] [envie esta mensagem
]





SERGIO

 

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood anunciou os quinze documentários pré-selecionados para uma das cinco indicações ao Oscar. Michael Jackson e Michael Moore ficaram de fora. Mas tem Agnés Varda e um que interessa aos brasileiros: SERGIO, dirigido por Greg Baker e conta sobre Sérgio Vieria de Mello, o diplomata brasileiro morto em Bagdá, a serviço da ONU, num atentado terrorista atribuído à Al Qaeda. Quando veremos?



Escrito por Edson Bueno às 14h34
[] [envie esta mensagem
]





KATE HUDSON EM “NINE”

Como diz o meu amigo Chico Nogueira: “Kate Hudson não é fraca!!!”

É só olhar: 

http://movies.yahoo.com/feature/nine.html?showVideo=1

 



Escrito por Edson Bueno às 16h14
[] [envie esta mensagem
]





A SANGUE FRIO

 

Uma verdadeira limpeza, na falta de um termo melhor, foi o que fiz em minha biblioteca (?) há algum tempo. Comecei pelos romances, porque afinal de contas, dificilmente você lê um romance mais de uma vez, a não ser por razões profissionais. E lá se foram Auster, Roth, Fonseca, Amado, Graciliano e outros, direto para mãos e olhos que fizeram deles proveito tão bom quanto eu fiz. Só que de alguns não consegui me desfazer. Permanecem na prateleira, observando-me e sendo observados porque tenho com eles uma relação de descoberta. Abriram caminhos inexplicáveis na construção do meu intelecto e do meu espírito. “Incidente em Antares”, de Érico Veríssimo e “Cem Anos de Solidão”, do Gabriel Gárcia Márquez são dois exemplos. “Histórias de Cronópios e de Famas” do Cortázar está na mesma categoria. Mas há um americano que, quando li, provocou as reflexões mais transformadoras e necessárias que um adolescente carente de ideias, como eu era, precisava experimentar: “A Sangue Frio”, de Truman Capote. Nunca mais fui o mesmo depois de sua leitura, e das suas palavras tirei muito da consciência de humanidade e desumanidade que tenho até hoje, quando penso o homem e sua eterna busca pelo certo e pelo errado, pelo bom e pelo mal, pelo amor e pelo ódio. O que é o homem? Perguntei-me sempre depois de ler esse livro/reportagem/investigação. Truman Capote constrói uma narrativa tão inteligente que do assassinato absurdo e cruel de uma família inteira, por dois sujeitos sem a menor consciência da vida (presos e condenados à forca), transporta-nos para diversos níveis de reflexão. Num primeiro momento acreditamos na justiça dos homens como meio seguro de restaurar o equilíbrio e a ordem da vida. À medida que o livro caminha, nossa segurança inicial começa a perder o chão e ao final, todas as certezas que tínhamos sobre ação e reação, causa e efeito, vida e morte tomam formatos surreais diante do absurdo das atitudes humanas, estejam os homens de que lado estiverem, vítimas ou algozes. Pois o livro está fazendo cinquenta anos e merece ser comemorado. Sonhei, durante muitos anos, transformá-lo numa peça de teatro (virou filme, sem muito impacto em 1967, dirigido por Richard Brooks), e entrei em estado de choque quando Phillip Seymour Hoffman, viveu Truman Capote no filme que conta a história do livro, em 2005. Esse filme é uma maravilha!!! E o livro, definitivo na história de seu autor, precisa ser lido e relido para que nunca percamos a consciência do que somos e do que podemos nos transformar quando perdemos o contato com nossas porções espiritual e animal, vivas e latentes em nosso corpo.



Escrito por Edson Bueno às 16h03
[] [envie esta mensagem
]





GOODNIGHT MY LOVE

 

Em 1984 (Talvez?), o amigo José Quaresma, que era responsável pelo Setor de Teatro Amador da então Fundação Teatro Guaíra, convidou o Grupo Delírio (tínhamos só alguns meses de criação) para participar da comemoração dos 15 anos da inauguração do Auditório Glauco Flores de Sá Brito, o Mini Auditório do Teatro Guaíra. A nossa participação seria encenar uma cena de “À Margem da Vida”, de Tennesse Williams, espetáculo emblemático na carreira do Glauco Flores. A Silvia Maria Monteiro fez Amanda Wingfield, o Paulo Martins fez o Tom, a Maria Adélia fez Laura e o Áldice Lopes, o visitante. Conseguimos compilar a grande peça e sua ideia/poesia em apenas 20 ou 30 minutos, não lembro. E uma das recomendações do Quaresma era a de que deveríamos usar na trilha sonora a famosa “Summertime”, que George Gershwin compôs para sua ópera “Porgy And Bess”, e que o Glauco usara em sua montagem. Sem problemas. Mas precisávamos de mais músicas e então a Silvia, apaixonadíssima por jazz, apareceu-me com um Long Play de músicas cantadas por Sarah Vaughn. Escolhi uma, “Goodnight My Love”. Nunca esqueci essa música e até hoje é uma das minhas preferidas. Quando a dor e a melancolia tomam conta do meu coração, corro até Sarah e começo a ouvi-la, dolorosamente, porque a tristeza tem que ser vivida profundamente, até que dela renasça novamente a felicidade e o prazer de viver, como tem sido durante todos os anos que fazem a minha e a vida de todos. Ah! Antes de anotar aí embaixo um pedaço da letra de “Goodnight...” traduzida, vale dizer que a apresentação foi emocionante e que ao final o amigo Quaresma me abraçou e disse que enquanto os atores lindos do Grupo Delírio viviam os personagens do grande Tennesse no palco do Mini Guaíra, a plateia esquentou e era possível sentir a energia poderosa que o teatro, o jazz, o amor e a paixão são capazes de mobilizar.

 

boa noite meu amor

Good night, my love, the tired old moon is descending.

boa noite, meu amor, a velha e cansada lua está descendo

Good night, my love, my moment with you is now ending.

boa noite, meu amor, meu momento com você está agora terminando

It was so heavenly, holding you close to me.

foi tão celestial, abraçar você junto a mim

It will be heavenly to hold you again in a dream.

e será celestial te abraçar de novo num sonho

The stars above have promised to meet us tomorrow.

as estrelas acima prometeram que nos encontraremos amanhã

Till then, my love, how dreary the new day will seem.

até lá, meu amor, como será morno o novo dia que estará chegando

So for the present, dear, we'll have to part.

então, no presente, querido, temos que nos afastar

Sleep tight, my love, good night, my love,

durma bem, meu amor, boa noite, meu amor

 



Escrito por Edson Bueno às 00h37
[] [envie esta mensagem
]





AGORA SÓ RESTA A ROLAND EMMERICH DESTRUIR O UNIVERSO!!!

 

Há muitos anos (muitos!) estava assistindo, se não me engano, “007 – Somente Para Seus Olhos”, e confesso, me divertia muito, quando uma garota sentada atrás de mim, exclama em alto e bom tom: “Ah! Só no cinema, mesmo!!!” Não resisti. Virei e respondi com todas as letras: “E a senhorita está onde, por um acaso?” Pois é. Gosto de filmes de catástrofes, monstros, e aventuras. Sempre fui apaixonado e acho que é sempre, um dos bons motivos para se ir ao cinema. Mas... Bem, é preciso estar disposto, falando do ponto de vista do diretor, a contar uma história com um olho na fantasia e no impossível e outro, claro, no plausível. Partindo-se do pressuposto que (com exceção da garota lá atrás!) quando você vai ver um filme desses, já está preparado para o ilógico. O que vale mesmo é a lógica interna do filme, como dizia Alfred Hitchcock. E estamos conversados. Um exemplo negativo? “Guerra dos Mundos”, do Spielberg. Excelentes cenas de ação, efeitos especiais de primeira, mas o querido senhor Spielberg conseguiu ligar ação com tanta caretice, tanta babaquice, tanta mensagem conservadora e preconceituosa que deixou o que poderia ser uma diversão de alto nível, num cardápio de conservadorismo republicano. E ao que me parece o Spielberg é um democrata, embora uma coisa não seja muito diferente da outra. Enfim, todo esse parangolé é pra dizer que fui assistir “2012”, de Roland Emmerich. E, ao contrário da maioria dos críticos, achei uma excelente diversão. A prática cinematográfica de destruir o nosso planeta, não deixar absolutamente nada em pé e matar bilhões de pessoas como formigas pode muito bem provocar algum interesse sádico ou masoquista, conforme o freguês!! Pois o cara (Emmerich!) se diverte! E se as tramas paralelas, os personagens unidimensionais e a gritaria são de um simplismo atroz, é preciso levar em consideração que têm que ser mesmo, para não atrapalhar o que realmente importa: o conteúdo das sopas Campbell, ou seja, o espetáculo visual! Ou, melhor dizendo, o rótulo das sopas Campbell! Alguém me pergunta se não é uma sopa requentada, ou seja, uma mistura em alta tecnologia de velhas e gastas cenas de ação de mil outros filmes do gênero. É. Como são todos os outros filmes! O importante, nesse caso, além da qualidade da imagem é o sentido do espetáculo. E reconheço que o senhor Emmerich demonstra ter dele, um completo domínio! Claro, acontecesse de ter um roteiro original (?) ou pelo menos esperto, a forrar o assoalho, o filme ganharia pelo menos mais duas estrelas! Não chega a fazer cócegas em nosso cérebro, mas com um resultado tão divertido, é preciso admitir que “2012” é um acerto na carreira do diretor de “Independence Day” e “O Dia Depois de Amanhã”.  E para quem, como eu, gosta de olhar para os lados enquanto a projeção segue, a hipnótica concentração da plateia de todas as idades é um termômetro mais do que eficiente para compreender o sucesso do filme.



Escrito por Edson Bueno às 09h23
[] [envie esta mensagem
]





A DEUSA!!!

 

Penélope Cruz, mais deusa que nunca, em NINE, de Rob Marshall. No YouTube, um carinho de menos de um minuto, que é um arraso!!!

 

http://www.youtube.com/watch?v=uKYXTiT-rPQ



Escrito por Edson Bueno às 12h31
[] [envie esta mensagem
]





SINAL DOS TEMPOS

 

Pois então que fechou o Cine Luz. O último cinema de rua de Curitiba. O que dizer? Que se você resolver (e puder) dar um longo passeio a pé por New York, e se já passeou por lá há uns 15 anos, vai ver que em Manhattan também não tem sido muito diferente. Belos cinemas de rua da Big Apple fecharam em definitivo. Será que o Cine Paris, ao lado do Plaza Hotel, onde há 10 anos assisti “A Vida É Bela”, do Benigni, ainda existe? Talvez. Não procurei saber. Mas o nosso Cine Luz, onde há alguns poucos dias assisti “Morango e Chocolate” o pequeno diamante cubano, cerrou suas portas. Onde os mendigos irão dormir à noite? E fazer seu xixizinho quase escondido? Ninguém mais quer saber da rua, todo mundo quer conforto e qualidade. Enfim, não há casamento que suporte a falta de dinheiro. E convenhamos, o Cine Luz, de gloriosa resistência e de uma bela fachada, andava carente de tudo. E se uns cinemas charmosos como os do Shopping Batel, que também exibem os chamados “filmes de arte” estão sobrevivendo sabe-se lá como, o que diremos nós do minúsculo Cine Luz? Foi-se como tudo tem ido. Não é nem o caso de lamentar porque a marcha do progresso é implacável e tudo pode parecer romantismo de fachada, porque afinal de contas, tirando esse meu programa cubano, há muito tempo não entrava lá. Mas há que lamentar a marcha da ignorância, a mesma marcha que vai tornando escassos os lançamentos de cinemas que falam outras línguas que não a inglesa. Porque no mesmo dia em que fecha o Cine Luz (uma lágrima...) o blockbuster “2012”, do Roland “apocalíptico” Emmerich, estreia em nada menos que 26 salas de cinema de Curitiba. Quem consegue encarar uma parada dessas? Como disse Machado de Assis: “Há na passagem do tempo e no movimento da vida, alguma coisa que fica e muito que desaparece.” Então, bye, bye Cine Luz!!!



Escrito por Edson Bueno às 02h07
[] [envie esta mensagem
]





O CLICK DO CHICO!

Chico Nogueira fotografou a nova temporada de “O Evangelho Segundo São Mateus”, do Grupo Delírio no Teatro José Maria Santos. E apareceu esta foto, belíssima, de expressões profundas e verdades sinceras! Regina Bastos e Guilherme Fernandes vivendo “O Oitavo Poema do Guardador de Rebanhos”, do Fernando Pessoa. Lindos, abertos, iluminados!



Escrito por Edson Bueno às 08h10
[] [envie esta mensagem
]





FICANDO VELHO

 

Quando você se olha no espelho e consegue perceber não apenas a imagem falsa que ele reflete, mas aquela que está do outro lado, aquela que surgiria límpida caso o espelho partisse, a resposta pode bem ser um leve toque de conservadorismo. Dia desses o Caetano Veloso chamou o Woody Allen de reacionário e careta, após a revisão de alguns de seus filmes. Talvez. Woody Allen gosta de jazz e de relações afetivas que duram a eternidade, mesmo que seja em apenas um dia. E eu penso que, de verdade, quando o tempo passa, muitas das novidades parecem inúteis e chegam mesmo a encher o saco! Sobre o que estou falando? Fui assistir “Os Fantasmas de Scrooge”, do chatíssimo Robert Zemeckis em 3D – Imax! Aquela tela mágica, gigantesca (nem sei direito qual é o seu tamanho!) parecia uma porta para o passado. Sensação que não tive, por exemplo, assistindo na mesma sala a “Michael Jackson´s This Is It”, em 2-D! E a experiência da terceira dimensão bateu sempre em mim (nesse filme) como um ruído, uma interferência, um pedrinha no sapato. Ao meu lado uma senhora à beira do histérico, gritava e ria, agarrando-se ao namorado, como se estivesse numa montanha russa radical de Orlando. Pra que tanto? Pensei. Pois bem, o filme é uma bobagem enfadonha e neurótica. A adaptação do conto de Charles Dickens perde completamente o charme e a fantasia, substituídos por gritarias e correrias e efeitos rocambolescos de enjoar o estômago. E a animação, “captada de imagens reais” é tosca. As feições e expressões humanas são risíveis e todo o resto (direção de arte, música, fotografia, etc) é uma cachoeira “kitsch”, que até poderia ser “linguagem” não estivéssemos diante de um diretor sem o menor espírito artístico. Apenas um espetáculo populacho e sensacionalista. Mas, e por que me senti um conservador assistindo a essa baba? Talvez na relação com o Imax 3D. Acompanhando pela mídia os próximos filmes que virão, tipo “Avatar”, de James Cameron ou “Alice No País das Maravilhas”, do Tim Burton, todos anunciados em “maravilhoso 3D!”, experimento uma perigosa sensação de que talvez preferisse assisti-los em 2D. Mesmo sabendo que ao serem concebidos para a tal terceira dimensão, ficam empobrecidos em planos e seqüência, todas que viram um clichê de imagens atiradas em sua direção, primeiros planos em movimento, terceiros planos desfocados, etc e tal, forçando a sensação e deixando tudo, tudo, absolutamente igual. Até que uma tecnologia bem mais alta assuma o controle desse experimento, o 3D vai ser sempre uma redução, uma mutilação. Uma volta no tempo. Tudo é concebido para o efeito e se, tecnicamente, a coisa complica; conceitualmente o exercício da concepção é facilitado e o diretor vira só mais um parafuso na engrenagem do entretenimento fugaz. Ok! Os cinemas precisam estar cheios e o público precisa de novidades que o tirem da frente da televisão. Reconheço. Mas...



Escrito por Edson Bueno às 08h13
[] [envie esta mensagem
]





CARTAZ

Novo cartaz para “Alice No País das Maravilhas”, de Tim Burton.



Escrito por Edson Bueno às 07h20
[] [envie esta mensagem
]





O MURO

 

Oscar Wilde disse certa vez: “É muito perigoso pensar demais em símbolos, deixa a vida muito triste.” Estava certo. Pois bem, faz 20 anos que desmoronou o Muro de Berlim! Se alguém me perguntasse qual foi o acontecimento mais importante que eu presenciei em minha vida (e foram tantos, nacionais e internacionais) e responderia de pronto: “A Queda do Muro de Berlim!. Porque sou, de cara limpa, um humanista. Sou, simplesmente sou. E assistindo pela televisão, na época, não parava de chorar. Não pensava em política, não pensava em revoluções, não pensava em comunismo nem em capitalismo ou em democracia. Não pensava em Karl Marx (um dos meus ídolos!) e não pensava em Ronald Reagan ou George W. Bush. Pensava em pessoas! E até hoje quando me lembro daquele momento, a voz embarga e as lágrimas rolam. Então que, das memórias desses 20 anos passados, tenho lido muita coisa. E é só articulista, jornalista e cronista dizendo que o Muro de Berlim era um “símbolo da divisão entre capitalismo e comunismo”, “um símbolo da separação entre exploração do homem pelo homem e a utopia”, um “símbolo entre ditadura e democracia”, um “símbolo do fracasso do comunismo”, etc e tal. Não sei, mas acho que um dos maiores defeitos das leituras históricas é reduzir o Muro de Berlim a significados. Não! Eu acho que o Muro até pode ter muitos significados simbólicos. Mas o melhor é pensá-lo da maneira mais simples e objetiva: O Muro de Berlim era um muro! E pronto. Um muro real, concreto, violento, grosseiro, vergonhoso! Um muro que separava pessoas da mesma nação e que lhes tolhia a liberdade. Era assim... simplesmente UM MURO! E ponto final. E caiu!



Escrito por Edson Bueno às 11h45
[] [envie esta mensagem
]





PERFUMES E GOSTOS

 

Luis Antonio é um amigo de muitos, muitos anos e muitas, muitas histórias. Não é um mistério ou um enigma indecifrável, é alguém que percorreu longos e profundos caminhos e foi (vai!), arte aqui, elegância ali, bom gosto aqui, originalidade ali, encontrando sentidos especiais para viver a vida que o destino e seus compridos dedos escreve. Mas, por que o Luis Antonio nesse início de domingo? Sei lá. Ontem à noite fui jantar em sua casa e se a casa do Luis, no Bigorrilho (Champagnat!) já é um estímulo aos olhos e ao sentimento de conforto e prazer, a sua paixão pela criatividade e pelas coisas que os homens escrevem, desenham e compõem aparece em cada livro novo que ele nos apresenta ou em sutis e delicados detalhes que surgem, como inspiração, na decoração da sua sala. É, o Luis Antonio é um cara pra lá de especial! Então que se não é uma esfinge cheia de segredos, é uma esfinge cheia de personalidade que se estimula pelo que o homem cria de melhor e deixa que o estímulo transforme seu trabalho e seu modo de viver. E claro, o Luis Antonio adora cozinhar. E mais, diria que ele adora inventar a cozinha. Começa sempre por uma receita e vai acrescentando nela pequenas sutilezas de especiarias e delicadezas que alteram o perfume da cozinha e estimulam nossas excitadas papilas gustativas. E da mesma forma que faz com as cores, as tintas e mil e um materiais que fazem a sua arte, ele brinca deliciosamente com ingredientes. Em resumo o cardápio foi uma salada de folhas acompanhada de palmitos assados e nuca de porco. Quem estava lá pode contar se não estiver se desmanchando em almofadas e tentando manter no corpo as sensações que a combinação de gostosuras provocou e insiste em permanecer no espírito.  É uma mistura combinada, equilibrada, debochada, bem humorada, maliciosa e artística de carne, aniz estrelado, cardamomo, paixão, insenso de relva tibetana, música, pimenta, mel, sorrisos, cachaça da Paraíba, vinho frisante italiano, vaidade, chocolate amargo, sorvete, frutas delicadamente fritas, açúcares, inteligência, sorrisos, amor, elegância e prazer de viver. São horas que nunca deveriam passar, acompanhadas da Drica, do Cairo, dos momentos presentes, dos passados e das coisas incríveis que dão sabor e perfumes especialíssimos à vida dos que sabem viver. Pra completar este post de apaixonamento, vale lembrar que dia desses, num outro jantar tão milionário (no espírito dos sentidos!) quanto o da noite passada, o Luis e sua máquina fotográfica do outro mundo, tirou uma foto minha que (acho!) é uma das mais bacanas que alguém já registrou do meu sorriso. Claro, a foto continua em sua máquina, como um outro mistério. Um dia, quando ele compreender o manual (da máquina, não da vida!) vai transferi-la para o computador e eu poderei publicar, talvez neste blog, onde na minha expressão está registrado o prazer em compartilhar da sua amizade e da sua beleza.



Escrito por Edson Bueno às 10h16
[] [envie esta mensagem
]





OS MELHORES FILMES EUROPEUS DE 2009!

 

A Academia Européia de Cinema anunciou os seis filmes indicados a “Melhor Filme Europeu de 2009”.  Dos grandes destaques do ano ficaram de fora “AntiCristo” e “Los Abrazos Rotos”, embora Lars Von Trier e Pedro Almodóvar tenham sido indicados ao prêmio de Melhor Diretor. Tomas Alfredson e Stephen Daldry ficaram de fora das indicações, enquanto seus filmes (“O Leitor” e “Deixa Ela Entrar”)  aparecem entre os melhores. É claro que o grande favorito é “The White Ribbon”, de Michael Haneke, vencedor em Cannes e candidato seguro a vários prêmios, inclusive, ao Oscar.

 

EUROPEAN FILM 2009

Fish Tank, UK, written and directed by Andrea Arnold

Låt den Rätte Komma In (Let the Right One in/Deixa Ela Entrar), Sweden, directed by Tomas Alfredson

Un Prophete (A Prophet), France, directed by Jacques Audiard

The Reader (Der Vorleser/O Leitor), Germany, UK, directed by Stephen Daldry

Slumdog Millionaire (Quem Quer Ser o Milionário?), UK, directed by Danny Boyle

Das Weisse Band (The White Ribbon), Germany, Austria, France, Italy, directed by Michael Haneke

 



Escrito por Edson Bueno às 08h21
[] [envie esta mensagem
]



 
  [ Ver arquivos anteriores ]