Arquivos
 06/07/2008 a 12/07/2008

Votação
 Dê uma nota para meu blog

Outros links
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis
 Terras de Cabral
 Gerald Thomas
 BLOG DOS QUADRINHOS
 BLOG DO SÉRGIO DÁVILA
 Ilustrada no Cinema
 Almir Feijó
 Blog do Solda
 PARALAXE - Rafael Barion
 Grupo Delírio Cia. de Teatro
 Omelete - sua cozinha pop
 Cronópios - literatura e arte no plural
 Paulo Biscaia
 Casa da Maitê




Blog de Edson Bueno
 


NAS RUAS DO RIO DE JANEIRO SÓ A ELITE SOBREVIVE

 

 

Olha o cartaz americano de “Tropa de Elite”! E o slogan é de uma ironia que chega às raias do humor negro. Credo!



Escrito por Edson Bueno às 02h07
[] [envie esta mensagem
]





O CINEMA DA IMAGINAÇÃO E DA MEMÓRIA

 

 

Julian Schnabel gosta de contar histórias de homens reais que tiveram existências singulares. Curtas, mas intensas e artísticas. E, de cada um, escolhe a vida e a arte como inspiração, não só para contar a história, mas para algum exercício de estilo e linguagem. Como se o artista retratado, de alguma forma, interferisse no resultado entregue ao público. “Basquiat/1996”, Jean-Michel Basquiat, o artista plástico, grafiteiro, quase um dandi underground; “Antes Do Anoitecer/Before Night Falls/2000”, Reynaldo Arenas, o poeta homossexual cubano e agora “O Escafandro e a Borboleta/Le Scaphandre Et Le Papillon”, Jean-Dominique Bauby, o jornalista/escritor, rico, brilhante e acometido repentinamente por uma síndrome raríssima que o deixou lúcido intelectualmente, mas completamente paralisado. Um vegetal (expressão horrível!), que só podia comer e respirar por aparelhos, e do corpo, só movia um olho. São filmes diferentes na forma e por isso mesmo do mesmo diretor, aquele que se deixa inspirar pelos personagens retratados. Neste incrível, moderno e inteligente filme, Julian Schnabel foi buscar na síndrome a arte. A câmera, a montagem, a fotografia e a sonoplastia estão a serviço da imaginação e da memória do personagem principal. O resultado é uma experiência de cinema que remete ao sensorial. Coisa rara nos nossos tempos cínicos e passivos. No meio da projeção (digital, diga-se de passagem), movido por diversas emoções, além das humanas, me deixei levar por outras, as da narrativa cinematográfica. Mais que isto, as que remetem à emoção de um apaixonado por cinema. Estivéssemos em outros tempos, uns em que um filme não era feito apenas para sobreviver a um final de semana, Julian Schnabel seria considerado um recriador da sétima arte. Como Fellini em “Fellini 8 ½” ou até Alan Resnais em “O Ano Passado Em Marienbad”. Ao se permitir uma experimentação madura, Schnabel atinge o sublime e a poesia da imagem. Poderia até taxá-lo de revisionista, não estivesse fazendo um filme intenso e moderno. “O Escafandro e a Borboleta” ao descrever com grande inspiração, a experiência de um homem preso à fortaleza que é o seu corpo inerte, faz um cinema que se liberta de muitos dogmas. Assumo a coragem de dizer que para este filme, o escafandro é o personagem, mas a borboleta é o próprio cinema. Um raro filme de autor na babilônia do sucesso a qualquer preço.



Escrito por Edson Bueno às 10h43
[] [envie esta mensagem
]



 
  [ Ver arquivos anteriores ]