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A ETERNIDADE E UM DIA Edson Bueno
 


Amigos, este blog mudou de endereço:

www.edsonbueno.blogspot.com



Escrito por Edson Bueno às 22h09
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UM JACK SPARROW COM COMPLEXO DE INDIANA JONES!

Jack Sparrow - coadjuvante dos coadjuvantes...

Vale registrar aqui que adorei o primeiro filme da franquia “Piratas do Caribe”. Perdi a conta das vezes em que o assisti só nos cinemas. E que odiei o segundo. Mas odiei tanto que apesar de algumas recomendações nunca assisti ao terceiro. Só uma cena aqui, outra ali, em algumas de suas exibições nos canais a cabo. E esse quarto? “Navegando em Águas Misteriosas”? Bem, assim, por puro descuido, lá fui eu assisti-lo. E em 3D! Não é ruim como imaginei, só não é divertido nem emocionante, porque até na maior das maiores bobagens, o que faz a coisa ter graça é a complexidade dos personagens. Essa é a fórmula que os americanos conhecem bem, mas às vezes têm preguiça de desenvolver e sabem que não é, absolutamente, o que determina a bilheteria. É só uma questão de qualidade, mas quem precisa dela? E o Jack Sparrow? Ficou reduzido ao bobo da corte perdido na ideia estranhíssima de que a sua única graça está num certo palavrório autodepreciativo e numa espécie de cafajestice que acaba levando a um tipo esquisito de redenção por conta de alguma necessidade de que tenha a quinta, a sexta ou a sétima continuação. Afinal, só este quarto exemplar já rendeu 887 milhões de dólares mundo afora. Não são cifras para se desconsiderar. Como Indiana Jones procurava a arca perdida ou o cálice sagrado, Jack Sparrow parte em busca da fonte da juventude, que por sinal inclui dois cálices e alguma fantasia, digamos assim, pinçados de alguma cartilha mitológica. Dos três primeiros mudou o diretor (Gore Verbinski) e dá pra dizer que é uma mudança significativa. Se o ritmo cai por conta de um palavrório meio “não sabemos para onde estamos indo”, pelo menos não há tanta histeria a ponto de se perder o fio da meada, a praga que contaminou a franquia, e volta e meia assola grandes possibilidades (vide “Homem Aranha 3”, de Sam Raimi).  Rob Marshall (“Chicago”, “Nine”), o novo diretor, é um esteta. Cria planos belíssimos e compõe os quadros numa busca pictórica de beleza que até engana, principalmente graças ao 3D. Mas se tem senso de beleza clássica, não tem muito sentido de aventura, nem de espetáculo. O que sobra a Spielberg e a Peter Jackson, por exemplo, falta demais ao apolíneo Rob Marshall. E o roteiro simplista, no sentido de que “saímos daqui e vamos para lá, enfrentando perigos pelo caminho, na busca de um tesouro que obviamente será encontrado, mas não usado nem abusado”, se dá conta da historinha, sacaneia brutalmente o querido Johnny Depp. Insere dois piratas bandidos interpretados por dois monstros (Geoffrey Rush e Ian McShane), que simplesmente engolem o filme e dão altas lições de interpretação aos coadjuvantes e ao protagonista desavisado.. Pobre Jack, reservaram-lhe apenas algumas correrias e meia dúzia de piadinhas. E Penélope Cruz? Linda, charmosa e tempestuosa, mas que perde fácil pra qualquer sereia metade gente, metade efeito especial. “Piratas do Caribe – Navegando em Águas Misteriosas” não enche o saco, mas também não faz cócegas no cérebro, não desopila o fígado, nem faz você sentir-se num parque de diversões. É só um filminho cheio de ideias que você já viu dezenas de vezes em outros melhores e ainda vai rever em 2D ou 3D em mais uma dezenas de outros.



Escrito por Edson Bueno às 13h24
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TEATRO NO YOUTUBE

Nesta madrugada assisti a toda cerimônia da entrega dos Tonys/2011, claro, no YouTube. Ah, os novos tempos! Nada muito a dizer porque não assisti a coisíssima nenhuma. Vai chegar o dia em que os espetáculos da Broadway (musicais e peças) vão ser transmitidos para os cinemas do mundo todo. Nem vai demorar muito, mas ainda assim não será teatro, porque teatro é ao vivo, não? Mas voltando aos Tony Awards. Como podem fazer uma cerimônia tão chique e divertida? Atores são criaturas endiabradas por natureza e quando deixam que eles brinquem com tudo e com todos, sabem manter a elegância e mostram-se especiais e apaixonados. Queria muito ter assistido “War Horse” (que o Spielberg transformou em filme e lança nos cinemas em dezembro!) o vencedor como melhor peça e como disse o Arthur Xexéo: “a melhor peça que assisti em 2010!” E, claro, meu inglês capenga me impediria de curtir todas as podrices de “The Book Of Mormon”, vencedor na categoria musical. Mas na telinha do PC foi divertidíssimo ver as reproduções dos musicais (novos e remontagem). Aliás, pela amostra dá pra perceber que apesar de todo o esforço, o divertido mesmo fica por conta do clássico. Quem resiste a Cole Porter e “Anything Goes”? Também foi bacanérrimo ver o Daniel Radcliffe cantando, dançando e mandando tudo isso muito bem ("How to Succeed in Business Without Really Trying") e ficar com água na boca de tanta vontade de assistir às performances de dois caras que ganharam como atores de peça e musical, e que pelo jeito botam pra quebrar: Sutton Foster, "Catch me if you Can" e John Benjamin Hickey, "The Normal Heart". Mas divertido mesmo foi ver a premiação de melhor atriz em peça! Batendo Vanessa Redgrave em “Driving Miss Daisy”, Frances Mcdormand, uma atriz excepcional, foi premiada por “Good People”. Mas, acompanhada do seu marido Coen, ela subiu ao palco descabelada e num figurino inacreditável! Deu um discurso total adrenalina e saiu quase dando de cara com uma perna do cenário. Enfim, teatro é sempre divertido, porque verdadeiros atores amam sua arte, tratam-na com carinho e ritual, mas não costumam se levar demais a sério. Fantástico!



Escrito por Edson Bueno às 11h30
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CARTAZAÇO!!!

“Capitão América – O Primeiro Vingador”ganhou um cartaz retrô, que faz referência à capa da primeira história em quadrinhos do personagem (Captain America Comics #1, 1941). O cartaz foi pintado pelo artista Paolo Rivera.



Escrito por Edson Bueno às 12h41
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E A MENTE DE BERNARDO QUINTÃO?

Filmes revelam a personalidade de seus fãs? Quem sabe... Olha aí a relação dos filmes que fizeram a cabeça do Bernardo, amigo que resolveu colaborar com a pesquisa...

 

Grande Edson! Os filmes que resgatei da memória, além dos que foram resgatados pelas ótimas listas já publicadas: “Na Natureza Selvagem/Into the Wild”, Sean Penn/ 2007;  Dogville”, Lars Von Trier/2003; “O Clube da Luta/Fight Club”, David Fincher/ 1999;  Adaptaçào/Adaptation”, Spike Jonze - 2002 “A Origem/Inception”, Christopher Nolan/ 2010, “Anticristo/Antichrist”, LarsVon Trier/ 2009;  Star Wars IV”, George Lucas/ 1977 (explico, eu tinha uns 12 anos quado vi pela primeira vez. life-changing!) “The Big Lebowski”, Brothers Coen/ 1998;  Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças/Eternal Sunshine ...”, Michel Gondry/2004; “Donnie Darko”, Richard Kelly/2001. Com certeza os mais malucos estão muito escondidos na mente pra serem resgatados :) Abs!

                                                                                                                                                

e...?



Escrito por Edson Bueno às 11h09
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ENCONTRO INESPERADO COM UMA DEUSA

“Potiche”, o novo filme de François Ozon (em cartaz no Festival Varilux do Unibanco Arteplex), tem muitas qualidades, mas nenhuma delas se compara à presença luminosa de Catherine Deneuve. Ozon é um diretor originalíssimo que ataca pelas bordas e não faz a menor concessão ao realismo. Sua narrativa se encontra num lugar que nem é o da lógica, nem o da história, mas da ideia e todas as possibilidades que ela permite. Às vezes parece “non sense”, às vezes apenas uma comediazinha de costumes, às vezes um comentário “cabeça” cheio de humor. Seus atores, conforme a função na narrativa, prestam-se à composição mais farsesca e estereotipada ou ao naturalismo desbragado, tudo num mesmo filme... e o resultado é sempre inteligente e instigante. Com “Potiche” não é diferente. Ozon desmonta todos os conceitos de política, moral, luta de classes, autoritarismo, relações familiares, paixão e amor, num emaranhado de situações patéticas e quase idiotas. Seus personagens, folhetinescos por opção, são movidos pelas emoções mais primárias e a partir delas tomam as decisões mais inesperadas, interferindo até nos destinos de uma nação. Termos como “revolucionário”, “reacionário”, “imoral” ou “ético” têm significados bem diferentes do que estamos acostumados a ler nas cartilhas ou no Google. Ozon é um esquizofrênico da linguagem cinematográfica e um iconoclasta das relações humanas. Seu cinema, aparentemente convencional na narrativa é um verdadeiro caos e por isso surpreendente e vivo. Em “Potiche”, a história de uma senhora muito chique, esposa de um grande empresário do ramo dos guarda-chuvas, e sua trajetória de dona de casa submissa à “mulher de negócios” é um prazer inesperado. Nele aparece um Gérard Depardieu gordo, balofo e espaçoso, mas sempre grande ator e onde brilha intensamente a grande deusa do cinema francês, Catherine Deneuve. Não tem pra ninguém, ela rouba as atenções e dona absoluta do ritmo, dos tempos de comédia, das segundas intenções e das malícias, dá um verdadeiro show de interpretação sutil e inteligência cinematográfica. Catherine Deneuve, aos 67 anos é dona de um charme irresistível e faz, naturalmente, de todo o elenco de “Potiche”, grandes coadjuvantes de sua interpretação. “Potiche” é um filme aparentemente distraído, mas que no decorrer da projeção revela-se inteligente e original, até revolucionário na forma como trata de assuntos ainda polêmicos, mas tem como grande trunfo uma deusa apaixonante: Catherine Deneuve!



Escrito por Edson Bueno às 01h20
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COISAS DE CRIANÇA...

Ando sem graça pra bancar o engraçadinho. Então que a inspiração para escrever depende de esforço físico e não do desejo de fazer das palavras brincadeira e festa. Fazer o quê? Esperar, porque um dia desses qualquer, o sol voltará a brilhar e a alma vai se sentir criança de novo e letras, espaços, vírgulas e pontos deixarão de ser obrigação. Mas por enquanto... Carregando pedras e fazendo de conta que o que para muita gente é felicidade, pra mim é trabalho. Mas o que fazer se ando pela vida de óculos escuros e o meu (Prada) quebrei há dois meses e não escolhi ainda um novo? Segunda-feira estreou para escolas, minha adaptação (re) do FLICTS do Ziraldo. Um amor! Fico muito inspirado quando vejo a beleza do espetáculo. E o elenco, profissional até o talo, teve a paciência de compreender meu momento e andou a passos largos, enquanto eu ia a passos de tartaruga. Ficou tão lindo! E cada dia melhor. Dar às cores alguns sentimentos humanos e umas outras lógicas é coisa de cartoon e o Ziraldo deu-se essa permissão. Colocar tudo isso no palco é outro departamento. Costumo dizer que não é o público quem tem que imaginar, é o artista. E pela sua imaginação o espectador enxerga o que nem esperava, mas acredita de corpo e alma. FLICTS no palco é um super exercício de imaginação. E ao mesmo tempo, uma reflexão escancarada sobre as diferenças e as mesquinharias; os medos e os preconceitos. É um livro originalíssimo e tentei fazer dele um espetáculo sincero e profundo. Acho que deu certo. E se o assunto é criança, já na terça-feira eu estava no Rio de Janeiro, lançado meu livro “Napo – Um Menino Que Não Existe”, da Editora Positivo, no 13º. Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens. Foi uma experiência e tanto! Tudo era, pra mim, novo e brilhante. No meio daquela babel de literatura, onde quem dava as cartas eram bonecos de pano, fadas, bruxas, todo tipo de animais fofos (alguns nem tanto!), meninos, meninas, sonhos e fantasias, eu me senti, às vezes, um senhor sorridente querendo ser mais maluquinho. Em determinado momento, o desafio: falar de NAPO para uma plateia de MENINAS, de não mais que 10 anos! Como contar de um livro que elas não leram? Eu, que não sou nem um Ziraldo nem uma Ana Maria Machado?  E contar de um piá, com logiquinhas mais do que masculinas, para meninas? Ai, tremi nas bases. Comecei a contação com um deslize. Disse, naturalmente: “Toda menina tem um menino dentro dela... e todo menino tem uma menina dentro dele...” Tem mesmo, mas interpretações são livres! E lá fui eu, falar do Napo. Usei a técnica da sinceridade. Falei as verdades, de onde tudo surgiu e qual o meu sentimento em cada conto e em cada ideia. De repente eu era um piá, sabe-se lá como! Suava muito, porque também tinha saído de uma Curitiba de 8 graus para um Rio de Janeiro de 25 e também porque os neurônios sempre falam mais alto. E foi lindo, bacana e divertido. Os olhos do Marcelo Del’Anhol tentavam não me deixar mais nervoso, enquanto os das meninas brilhavam, juro! E seguiu-se a Feira e o Rio de Janeiro e muito café, conversas, descobertas, livros, amigos reencontrados (o Luciano e a Carlinha!) e a volta num vôo da Gol onde era eu e mais um avião lotado pela torcida do Vasco! Torcida que veio do Rio a Curitiba cantando o hino e gritando palavras de ordem! Até o piloto era vascaíno! E pra eles deu certo! Pra mim também, pra mim e pro Napo! E claro, saindo de um Rio quentíssimo e ensolarado, para uma Curitiba gelada e chuvosa, uma senhora gripe me aguardava. Coisas.... E como disse ao Thiago, logo, logo essa criança chamada Edson Bueno, vai tomar vacina de graça em plena Rua XV de Novembro. Nem precisa esperar muito!



Escrito por Edson Bueno às 10h52
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A POEIRA DO TEMPO

Qualquer notícia de que um novo filme de Theo Angelopoulos está entrando no circuito é pra se comemorar. Acho Theo radical, arrogante e perfumado, mas ah! poucos diretores de cinema me emocionam tanto! “Paisagem na Neblina” de 1988 é um dos filmes mais artísticos e inspirados que eu assisti na vida e “A Eternidade e um Dia”, de 1998, não bastasse ser profundamente humano, ainda tem o título mais lindo de toda a história do cinema (o outro é “Palavras ao Vento”, de Douglas Sirk/1956). Theo leva sua câmera e poesia a lugares inimagináveis e não faz muita questão de retornar. Vai construindo seu cinema quase espiritual e contemplativo em qualquer lugar onde o espírito humano queira repousar e refletir, sentir, chorar ou simplesmente existir. É com Andrei Tarkoski um autêntico escultor do tempo e como ele, tenta compreender o significado da vida num sopro só de cinema. Amo Theo Angelopoulos e seus silêncios radicais. Agora ele está chegando com um filme novo: “A Poeira do Tempo”. Nem tão novo assim, porque já é de 2009, mas como a recepção popular de Theo é mínima, as distribuidoras pouco arriscam. "A Poeira do Tempo" parte do ponto onde Angelopoulos parou em "O Vale dos Lamentos" (também não exibido por aqui): o fim da Segunda Guerra Mundial e a guerra civil na Grécia, que levou mais de cem mil gregos a deixar seu país, a maioria deles rumo ao Leste europeu e à Rússia.

 

Quis seguir o itinerário dessas pessoas que partiram. Todos falavam do fim do século XX e se perguntavam o que ele nos deu. Pensei então em fazer algo bastante pessoal: o que esse século deu a mim? ‘A Poeira do Tempo’ é uma viagem pela segunda metade do século XX através de um amor sem limite.”

 

É a história de uma mulher, Eleni (Irène Jacob), que ama dois homens, mas também a de eventos históricos que marcaram o mundo, como a ascensão e a queda do socialismo, sob o ponto de vista do filho da protagonista, um cineasta (Willem Dafoe) criado nos Estados Unidos.

 

O socialismo, a grande esperança que marcou o século XX, virou uma imensa desilusão. Minha geração foi marcada pelo socialismo, pela possibilidade de mudar o mundo, e isso não aconteceu. Foi uma grande decepção, e milhares de pessoas morreram por isso .”

 

Ai que vontade de assistir!



Escrito por Edson Bueno às 11h27
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MUTANTES UNIDOS…

Ser diferente é, de verdade, uma desgraça. Numa sociedade onde o critério de “normalidade” elege a maioria e, competitiva e selvagem, briga por cada centímetro de espaço, não parecer com os outros é, e acredito sempre será, um perigo. Mas existem os mutantes de X-Men, que não representam, absolutamente a marginalidade, nem a minoria oprimida; mas um outro tipo de “outsider” que conhecemos muito bem; aquele que tem lá seus poderes. Guardando as devidas proporções, neste nosso mundo real, Nijinski ou Van Gogh poderiam muito bem pertencer a este seleto grupo. Dão uma nova perspectiva à vida, mas sofrem na carne a diferença irreconciliável. Os X-Men sempre foram os meus personagens preferidos das HQ, menos porque ficam disputando espaço com os não mutantes, e mais porque em sua própria “comunidade” ficam o tempo todo discutindo o que seria melhor, se integrar-se, se fazer prevalecer seus poderes, se dominar o mundo e fim de conversa ou se os tais “espírito do bem” e “espírito do mal” são prerrogativas dos simples humanos ou se sentem confortáveis também dentro dos mutantes. Talvez por isso Ian McKellen tenha encarnado um “Magneto” tão perfeitamente humano e mutante nos três primeiros filmes da série. Porque você nunca sabia direito se ele era vingativo ou malvado, se estava apenas se defendendo ou se queria mesmo era colocar fogo na humanidade e exterminar a raça de humanos não mutantes. Ian ia fundo na imoralidade e não tinha pudores, era para o espírito do cinema hollywoodiano uma ousadia e, pelo menos nos dois filmes dirigidos por Brian Singer,  um filme outsider no melhor espírito X-Men. O Magneto de Ian era a própria iconoclastia, que zombava descaradamente da inocente moralidade do Professor Xavier. E nessa retomada com os personagens em sua gênese? Nesse X-Men First Class? Dá pra dizer que em termos conceituais a porta aberta da tal caótica imoralidade deu um passo atrás com um Magneto (interpretado com todo talento e perfeição por Michael Fassbender) vingativo e sem muitas contradições, já que razões não lhe faltam para ser como é e agir como age. Mas em outro aspecto dá um passo à frente com um professor Xavier que se agarra às boas intenções, menos porque um conceito qualquer lhe aponta o caminho, e mais porque elas residem em seu coração e se lá moram é porque são possíveis. A vida pode ser o que você é. E em que pese minha simpatia absurda por James McAvoy, sua concepção do professor Xavier é primorosa. E se “X-Men 3 – O Confronto Final” assumia divertidamente o trash, essa retomada humaniza tudo e não tem pudores em tratar dos sentimentos colocando-os à frente dos tiros, dos gritos e das explosões. É um risco, mas, pelo menos para o meu gosto o resultado é brilhante. “X-Men First Class” cuida dos detalhes e dá conta dos efeitos especiais e da ação sem perder o foco dos personagens. Para isso conta com atores excepcionais (Michael Fassbender e Ian MacAvoy espetaculares!) e ainda Kevin Bacon em momento de rara felicidade. “X-Men First Class” ainda capricha na fotografia e na direção de arte e tem uma trilha sonora de arrasar (Henry Jackman). É um filme com espírito adolescente, que se não aprofunda a demência caótica proposta pelos três primeiros, ainda assim vibra, diverte e emociona. E se fizer sucesso nas bilheterias vai exigir criatividade e esperteza para que os próximos proponham aquilo que esse, por fazer de conta que é um recomeço, não precisou.



Escrito por Edson Bueno às 12h25
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HOJE É DIA DE X-MEN FIRST CLASS!!!

Como disse, ontem o Wellington, no ensaio de "Flicts": "eu já não aguento mais ouvir o Edson dizer que amanhã ele vai assistir, na primeira sessão, o tal "X-Men - First Class"!!!!



Escrito por Edson Bueno às 07h31
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A MENTE DE PAULO BISCAIA

 E os filmes que atravessam faceirinhos a mente do grande Biscaia? Ele conta...

 

 

Mando a minha lista (embora eu ache que idealmente qualquer filme deveria mexer com a nossa cabeça), mas aqui vão os "perturbadores":1) CRASH (do Cronenberg) / 2) A ESTRADA PERDIDA (do Lynch) / 3) EXISTENZ (do Cronenberg) / 4) CIDADE DOS SONHOS (do Lynch) / 5) A ORIGEM (do Nolan) / 6) A BEIRA DA LOUCURA (do Carpenter) / e repito o Fight Club, o Memento, o Pi e ... bem... o resto da sua lista. Saudades, guri!!!

 

... quem dá mais?



Escrito por Edson Bueno às 23h43
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FERNANDA

Terça-feira, 23h30! O canal Globo News exibe uma entrevista especial com Fernanda Montenegro. Corro ao IMDB e, cara de pau, descubro que ela fará 82 anos no dia 16 de outubro. Na entrevista expõe a alma de 20 anos! Fernanda. Ah, como me emocionei. Talvez porque esteja numa fase mais do que emotiva, mas Fernanda, sua arte e suas palavras encerram tudo o que eu penso do teatro, minha arte também. Certa vez, assim, acidentalmente, ela me olhou no camarim do Guairão, depois de uma apresentação de “Fedra”, abriu um orgulhoso sorriso, os braços generosos e exclamou: “Está vendo, meu amigo? É preciso, sempre, estar em guarda!”. Todos à porta acharam que eu era um velho amigo seu. Nada. Ela deve ter dito isto para mil outros fãs e alunos que a procuraram, mas a mim, grampeou no coração. Globo News, terça-feira, 23h30. Em determinado momento a entrevistadora faz a pergunta clássica: “O que você diria a um jovem candidato a ator?” Fernanda: “Digo: desista. Assim, sinceramente...” Diante do pasmo da jornalista ela diz e se explica: “Vá fazer outra coisa. Seja bancário, doutor, gari, etc... e aí, se você entrar em depressão, sofrer, perder noites de sono, chorar, porque estar no tablado é a coisa mais importante da sua vida, então volte...”. E Fernanda confessa que é esquizofrênica. E que verdadeiro ator não é? Não experimenta o misterioso prazer de ser outro. Nem sempre o teatro precisa de personagens, mas quando precisa, digo aos meus atores: “Não tentem trazer o personagem até vocês; vão até eles. Eis o caminho.” Emprestar corpo e mente. Coração e mente. Dar-se irresponsavelmente. É preciso? Claro que não! Quem entende? Quem sabe direito o que vai procurar no teatro? Mas o ator, em última e prazerosa instância, sabe que no secreto do palco escancarado, luzes, pernas, bambolinas e cortina, o prazer acontece. Quem não sendo ator, sabe disso? Não sabe nem nunca saberá. O mistério da troca de olhares, da ousadia brincalhona (sempre!), da palavra que, nunca inocente, nasce nas entranhas e caminha firme e audaciosa pelas outras vísceras, até sair pela boca tragicamente/comicamente poética. Quem sabe? Quem saberá? Fernanda sabe. Globo News, terça-feira, 23h30. “No meu tempo fazia-se teatro de terça a domingo, às quintas-feiras fazíamos três apresentações, aos sábados três e aos domingos também, depois passamos a fazer duas aos domingos.” Quanto teatro para carimbar na alma o tudo da sua esquizofrenia. Quanto teatro para determinar a compreensão orgânica do “estar em cena”. Fernanda é tão simples ao contar sua história e falar do seu ofício. “As outras, o cinema, a televisão, tem um terceiro elemento, aquele que vai usar a sua interpretação de outras formas (o diretor, o montador...), mas o teatro, completo, inteiro, todo do ator.” Fernanda aos 82 anos é, para nossa imensa felicidade, a história de todos nós que praticamos nossa arte com paixão e necessidade. Terça, Globo News, 23h30. Depois da entrevista vou dormir com o nó da garganta gritando certezas e mistérios.



Escrito por Edson Bueno às 09h44
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FILMES QUE MEXEM (DE VERDADE!) COM A MENTE DO ESPECTADOR!

 

A querida Raquel Iantas manda uma colaboração:

 

 

Alguns que vieram a minha cabeça rapidamente: “Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças” - Michel Gondry /2004; “O Inquilino – Polansky/1973; “O Anjo Exterminador”- Luis Bunuel/ 1962;  “Casa Vazia” - Kim Ki Duk/2004;  “Paraíso” - Tom Tykwer /2002, com a divina Cate Blanchett ( esse me deu vontade ver agora! É sublime!). Lembrei de mais outro que amo, “A Liberdade é Azul – Krzysztof Kieslowski/1993, que, na verdade, é parte de uma trilogia bárbara! Vou parar por aqui, mas não posso deixar essa lista sem um Bertolucci ou melhor dois: “Belesa Roubada”/1996  e “Assédio”/1998 . Bjo, Raquel.

 

Quem dá mais?



Escrito por Edson Bueno às 01h24
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QUAIS DESTES FILMES – REALMENTE! – MEXERAM COM SUA MENTE?

 

01. O Ano Passado em Marienbad – Alan Resnais – (1961)

02. Memento – Christopher Nolan – (2000)

03. 2001 – Uma Odisséia no Espaço – Stanley Kubrick – (1968)

04. Pi – Darren Aronofsky – (1998)

05.  Eraserhead – David Lynch – (1977)

06. O Clube da Luta – David Fincher – (1999)

07. Brazil – Terry Gilliam – (1985)

08. Persona – Ingmar Bergman – (1966)

09. Blade Runner – Ridley Scott – (1982)

10 – Inception – Christopher Nolan – (2010)

 

Ou você tem alguma outra sugestão?

... Me ocorreu, agora, por exemplo: Repulsa ao Sexo, do Roman Polanski (1965)



Escrito por Edson Bueno às 13h02
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CONFISSÕES DE UM NAZISTA DE OCASIÃO

Quando achávamos que já tínhamos visto de tudo, vem o senhor Lars Von Trier e dá uma declaração patética, em plena coletiva do Festival de Cannes, fazendo de conta que é nazista só para parecer engraçadinho e terrível. Pois é, o festival tinha que tomar uma providência internacional e declarou-o “persona non grata” no dia seguinte, mas pra garantir que não se deve misturar o autor com a obra (credo!) premiaram a Kirsten Dunst como a melhor atriz do certame pelo filme “Melancolia”. Ok! Dizem que ela arrasa, mas... as apostas eram para a Tilda Swinton! Enfim... Lars é uma figura divertidíssima e se acha o rei da mídia (no Brasil temos um diretor de teatro muito parecido, mas não tão corajoso!) a ponto de se imaginar intocável. Ele tem um ego tão inflado que se imagina determinado os rumos até do cinema, embora eu tenha que reconhecer que pelo menos de dois filmes dele eu gosto demais: “Dogville” e “AntiCristo”. São, a meu ver, obras de um sujeito muito talentoso, embora autoritário por ideologia. Lars segue a regra inabalável de que a arte nunca é democrática e sempre ditadora. Disso eu não tenho a menor dúvida. Em “Ondas do Destino” me pareceu xenófobo e misógino e em “Manderlay”, apesar do esforço em contrário, não tive dúvidas de que era racista. Mas “Dogville” é um tratado radical, irredutível e quase fascista, sobre a natureza humana. Nesse filme Lars Von Trier separa, sem medo de ser feliz, o homem e a natureza em geral. Somos feitos de outra matéria. Menor, fraca, desprovida de ética e moral. Decadente e mesquinha. Se gosto de Lars Von Trier? Gosto. Pelo menos não é hipócrita. E não acho que seja nazista! Mas não o vejo como ingênuo, então que se ele, diante de câmeras e microfones, disse que era nazista, alguma razão deve ter e quem sou eu para desdizê-lo? Como "enfant terrible" fora de época deve ter-se imaginado provocando algum tipo de terremoto midático. E conseguiu, sabe-se lá a que preço. Mas Lars é um artista de ponta, ousado, corajoso e violento. E faz um cinema tão ao avesso aos cânones estabelecidos pelo cinema de Hollywood que chega a ser incompreensível. Taí, também é elitista! Não falei aqui de “Dançando no Escuro”. Odeio. Tenho o mais profundo desprezo e tédio por essa obra manipuladora e desengonçada. Não tenho a menor dúvida que o sacana do Lars morria de rir em uma poltrona qualquer, imaginando os patetas que se desmanchavam em lágrimas assistindo a sua piada de mau gosto. Lars também é um piadista de plantão. Então?  Que fico esperando que a distribuidora de “Melancolia” não siga a onda e deixe de exibi-lo por aqui. Curiosidade mata. Ah! E Lars, que tenho certeza sabe das coisas, nunca imaginou que ganharia o Festival de Cannes presidido pelo Robert de Niro. Acho que seu golpe de mídia acabou garantindo um premiozinho para “Melancolia” e uma certeza de visibilidade. Cara esperto! Embora tenha saído chamuscado, sem dúvidas.



Escrito por Edson Bueno às 02h11
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