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A ETERNIDADE E UM DIA Edson Bueno
 


AFINAL, QUE PINÓIA DE IMPORTÂNCIA TEM UM SUJEITO CORRER 100 METROS EM 9´58’’ ou 200 METROS em  19’19’’?

 

Quando eu era um piazinho de bosta, certa vez ouvi, curioso, uma tia me contar a história do porquê de os negros terem as palmas das mãos brancas. Contou ela que “era uma vez” um sujeito que cometeu um crime e pra se disfarçar enlameou-se inteiro, pintando-se de preto com lama. Mas acabaram descobrindo o estratagema e ele teve que correr porque passaram a caçar um sujeito enlameado. Ele então, atirou-se num lago para lavar-se. Mas Deus, em sua infinita sabedoria, fez com que o lago secasse imediatamente, então que só as palmas das mãos e dos pés do sujeito é que conseguiram limpar-se da lama. Historinha podre pra se contar a um menininho, não? E assim, como tudo na vida, vai nascendo sorrateiramente e com cara de ingenuidade, o pior sentimento que assola qualquer homem, o preconceito. Dessa estória que não teve qualquer efeito em minha cabecinha de criança (sabe-se lá por quê!), pode-se saltar (para trás!) para o ano de 1936, nas Olimpíadas de Berlim. E agora não é estória (como definiu matreiro Guimarães Rosa), mas história, e não a oficial, mas a documentada. Jesse Owens, negro, norte-americano, vencedor de 4 medalhas de ouro nas Olimpíadas de 1936, em plena Alemanha pré-nazista, deixou Adolf Hitler irritadíssimo porque ele tinha certeza de que no atletismo, os seus arianos dariam uma demonstração clara da superioridade de sua raça. Conta-se que Hitler abandonou o estádio , claro, não cumprimentando Owen e seus compatriotas que abocanharam quase todas as categorias. É um dos episódios mais emblemáticos da história das Olimpíadas. Pois bem, 73 anos depois, no mesmo estádio, em uma outra Alemanha, um tal Usain Bolt, jamaicano, quebra dois recordes, nos 100 metros e nos 200 metros. Dizem os cientistas (e será que dizem mesmo?) que a marca de Bolt nos 100 metros é o limite humano. Talvez. Mas qual a diferença mesmo entre 9´58´´ ou 9´70´´ ou 10´01´´? Qual a importância?  No domingo, o que mais me impressionou não foi o recorde, nem a folga desse bem humorado, e porque não dizer folgado, atleta. O que me impressionou foi o público. Um estádio lotado, sei lá quantos mil alemães de um modo geral, todos branquinhos de refletir a luz, em pé, encantados, apaixonados, enamorados, maravilhados, aplaudiam com delírio o feito do negro Usain Bolt! E se pudessem, com certeza o carregariam em delírio para o centro de Berlim e um por um o abraçariam e o beijariam e tirariam fotos com ele e talvez até beijassem seus pés. E foi aí que eu percebi a importância de alguns pentelhézimos de segundos! Eles significavam possibilidade! Eles mostravam ao mundo inteiro que os homens podem amar-se, respeitar-se, adorar-se indiferente às suas cores. Diante de milhares de brancos, Usain Bolt foi carinhoso também. Devolveu o amor com amor e o que se viu foi uma celebração de possibilidades. Só não viu quem não quis, porque as imagens estavam sendo exibidas, ao vivo, para o mundo inteiro, com certeza. O recorde, a vitória era de Usain Bolt, mas a glória foi compartilhada com todos os alemães presentes ao estádio. Um micro segundo faz toda a diferença e um micro segundo é suficiente para celebrar a igualdade. O sorriso lindo, feliz, encantado de Usain Bolt é o sorriso que vale o sacrifício do treinamento, que vale todo o Campeonato Mundial de Atletismo. É o sorriso que ele dividiu com o mundo. Ninguém saiu perdendo naquela prova, ninguém mesmo. Muito pelo contrário!



Escrito por Edson Bueno às 03h13
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HISTÓRIAS DE CRIANÇA E CINEMA – 1

A PRIMEIRA VEZ

 

Ela não tinha nove anos e ele nem chegava a sete. Meus sobrinhos. Cheguei à casa da minha irmã numa noite de inverno, convidado para uma sopa de batata salsa. Quase atrasado, quando entrei, senti da sala o perfume aconchegante da cozinha. “Já servi as crianças”, ela adiantou. Estavam com pressa de ver um filme na televisão. “Ok” eu disse. No fogão mesmo, minha irmã foi servindo a sopa e eu lambendo os beiços. “Onde estão”? “Já na sala, esperando pra ver o tal filme. Vai passar na sessão das nove”. “Que filme?” Ela: “Não sei. Só sei que se prepararam. Tomaram banho, vestiram pijama novo, pegaram os pratos de sopa e estão lá, plantados em frente à televisão”. Eu, com meu prato fumegante, resolvi espiar, cuidadoso. Cheguei perto da porta entreaberta e olhei de mansinho. Os dois, sentados lado a lado, prato fundo de sopa apoiado no colo e os olhos grudados na telinha. O piá tinha os cabelos lavados, muito bem penteados para o lado. Os dois hipnotizados. Olhos vidrados de uma só expressão, inocentes e atentos, puros e marotos. Por quê?  Parecia cartoon do Quino. Qual o motivo de tanta preparação? A luz era só a do vídeo. Eles levavam a colher à boca sem desgrudar os olhos. Cheiravam a sabonete e sopa de batata salsa. “Vai começar o filme”, percebi, quando eles se ajeitaram no sofá, alongando a coluna. E começou. Entendi. Se prepararam o dia inteiro para ter uma aula. Aquilo que nas suas cabecinhas espertas era um pequeno passo além da curiosidade. O futuro. O filme? “Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo”, do Woody Allen. Voltei pé ante pé para a cozinha. Deixei os dois na sala com seu parque de diversões. Não sei se era o caso de deixá-los à mercê do humor adulto de Woody, mas paciência, o complicado, com certeza não entenderiam. E o simples? Bem, o simples nunca seria com o cinema, seria com a vida mesmo.

Eu também. Era um piá e o locutor anunciou que sábado à noite o canal iria exibir “o melhor desenho animado de todos os tempos”. Se os tempos fossem outros e na minha época houvesse o “Cartoon Network”, seria, sem dúvida, meu canal preferido. Pois qual seria esse desenho, melhor que “Shazan”, melhor que “Space Ghost”, melhor que “Johnny Quest”? Lembro que assisti na companhia da minha mãe. Acho que ela assistiu só pra me fazer companhia. Não percebi maiores interesses em suas atitudes durante a exibição.  Ela deve ter feito uma concessão à minha infância. Adultos só são úteis mesmo quando concedem às crianças. Pois confesso que valeu à pena esperar porque foi um choque. Não achei melhor que qualquer um dos desenhos que eu curtia à tarde, mas fiquei hipnotizado, viajando pelo psicodélico de “Yellow Submarine”, com The Beatles. Num só golpe fui apresentado à maior banda do mundo e ao LSD, via fantasias de infância. Entrei em parafuso no final da noite e fiz uma longa viagem sem me dar conta. Com certeza, do complicado não entendi nada e do simples, tive que resolver com a vida mesmo. Cinema não ensina muito, mas abre portas. Minha mãe sabia.



Escrito por Edson Bueno às 06h07
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FELIZ ANIVERSÁRIO, SENHOR EDSON BUENO!

 

Pois como acontece em todos os anos, neste dia 18 de agosto eu estou fazendo aniversário. E alguns bons amigos resolveram me fazer carinhos antecipados e outros, mais carinhosos ainda resolveram brincar com o passar dos anos. Afinal, logo, logo, eles dizem, eu não vou mais pagar passagem de ônibus, vou pagar meia entrada no cinema e poderei furar a fila no banco. São vantagens, com certeza. E as desvantagens? Bem, acho que elas vão chegando devagar, dia após dia e acabam sendo imperceptíveis, como se você pudesse contar a quantidade de cabelos brancos que aumentam mês a mês. Não é possível. A natureza é sábia e se encarrega de deixar tudo o mais natural possível. Claro, se você souber cuidar dos aspectos físicos e espirituais, porque pensar também faz parte da natureza humana. Mas onde eu estava? Ah, sim! Refletia que a história de reduzir tudo à palavra “juventude” me parece um pouco clichê. Prefiro a palavra “energia”. Afinal, se é evidente a mudança física a cada dia em que você se apresenta diante do espelho, também é evidente que a energia que impulsiona tudo em você, parece inalterada. Então você tem mais ou menos energia. E nem acho que é consolo, é realidade mesmo! Hoje, pensando cinema e fuçando imagens na internet, a implausibilidade colocou diante de mim uma foto interessantíssima. De um dos meus maiores ídolos: Ian McKellen um gênio da interpretação e da ética. É tão maravilhoso quando interpreta como quando resolve dar opiniões sobre a vida. É um homem especial. Está com 70 anos e esbanjando atitude e arte! E a foto, que poderia parecer patética ou decadente, é muito pelo contrário, plena de vigor, paixão, coragem e poder! E por que eu resolvo fazer uma conexão entre o meu aniversário e Sir Ian McKellen na praia com seu namorado? Porque a foto me fala muito de alma. Aquela mesma que o grande Fernando Pessoa usa para dizer um dos seus versos mais famosos: “Tudo vale à pena quando a alma não é pequena”. E eu me sinto cheio de energia e orgulhoso de mim mesmo neste meu aniversário, porque hoje pela manhã, olhando não no espelho, mas do outro lado do espelho - onde a Alice de Lewis Carrol viu a verdadeira vida – vi a minha alma e sorri pra ela, porque a vi tão grande, generosa, simples e artística. E isso me faz muito feliz, porque sei que é assim e me faz muito bem sabê-lo. E quase meia-noite, quando pensei num sonho para o meu aniversário, lembrei que poderia sonhar em ser tão grande como o artista Sir Ian Mackellen, mas optei pelo homem e preferi sonhar com sua atitude diante da vida e do tempo e aí pedi aos anjos que quando eu estiver com 70 anos, também possa ir à praia, como ele. Energia, com certeza, não vai me faltar.



Escrito por Edson Bueno às 01h01
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ELOGIOS DIFÍCEIS

 Os desconfortáveis em ação!                     Foto: Daniel Sorrentino

Não sei quem me disse uma vez que as pessoas vão ao cinema, a um concerto instrumental, a um show de música ou ao circo, para assistir. Mas ao teatro elas vão para criticar. É a arte que instiga a opinião, seja ela a mais inspirada ou a mais idiota. O sujeito sempre acha que sabe mais que o ator, o autor ou o diretor. Então que, se o esportista, por exemplo, tem que incluir em sua preparação a probabilidade maior que é perder, o artista de teatro tem que estar preparado para a crítica, claro, a negativa! Reza a cartilha que para fazer teatro, seja no período da criação ou da apresentação, é melhor deixar o ego em casa, porque com certeza, os resultados serão melhores. E é preciso reconhecer que não é fácil ir ao espetáculo do colega de profissão e depois ter que cumprimentá-lo no camarim, mesmo não tendo gostado do espetáculo. Não é fácil. Eu tenho por princípio aplaudir sempre em pé e dar os parabéns, porque o simples fato de fazer a peça já é digno de respeito. Eu que faço sei o quanto é difícil e quando esforço custa. A melhor maneira de analisar um espetáculo não é pelo seu resultado no palco. Tudo sempre pode dar certo ou errado. A melhor maneira de analisá-lo é pela intenção. Se cheirar a picaretagem, o aplauso também tem que ser picareta. E há picaretas dizendo que fazem a melhor das pesquisas artísticas ou a maior das buscas de contemporaneidade. Não nos iludamos. Mas onde eu estava mesmo? Ah! Nos elogios. A grande Henriette Morineau é dona de uma das lendas mais famosas sobre artistas cumprimentando artistas depois da peça. Contam que quando ela não gostava do espetáculo, entrava no camarim dizendo a plenos pulmões: “Não tenho palavras”! É um bom estratagema, ainda mais se você, como ela, tem sotaque francês. E há também quem olhe para seus olhos vivos e enérgicos e diz simplesmente: “Que coragem”! Coragem de que, oras? De fazer teatro? De colocar no palco coisa tão ruim? Sei lá. São os mistérios. Eu tenho um amigo, também ator dos bons e veterano, que depois da estréia de “Kafka – Escrever é um sono mais profundo do que a morte”, onde eu era também ator, que entre um copo de cerveja e outro, disparou: “Você está surpreendente, e mais ainda porque você não é bom ator. E eu sei que não é”! “Quem é”?, pensei. Ele? Nesses casos você não sabe se agradece ou dá um sopapo. E uma outra “amiga” que depois da mesma peça, vai ao palco, aproxima-se do meu ouvido e estraçalha: “Sabe que você até está bem? Sim, porque não sei se você sabe, mas quase sempre você é uma merda”! E que faço eu num caso como esse? Arrebento as fuças da sujeita? Pensei: “Seja leve, Edson, seja leve”! E relevei a grosseria.  Enfim, comecei falando disso tudo pra comentar “Uma História de Pouco Amor”. Mais um pouco, que sucesso é bom de remoer, ou ruminar se você for um boi, como é o meu caso. Sucesso? O que é sucesso? A querida Dra. Helen Muralha me disse um dia, no meio da Rua XV, que “sucesso é você ser respeitado pelos seus colegas de profissão”. Não tenho dúvidas. Então que ando muito feliz em receber em todo lugar por onde passo, os elogios que os amigos que vão ver “Uma História de Pouco Amor” fazem. Não apenas a mim, mas a todo elenco e direção também. Consigo ler em seus olhos e palavras que são sempre espontâneos. E eu não sou fácil de ser enganado, pelo menos na situação específica da repercussão de uma peça de teatro. E mais ainda, tenho recebido mensagens e telefonemas simpaticíssimos. É legal. É a parte principal do exercício de escrever. Obter um resultado positivo exercendo a maior liberdade de criação, sem perder a radicalidade, a capacidade de se indignar e sem fazer concessões ao gosto médio é vitória, eu tenho certeza! É quando você se sente mais artista e mais vivo. E nesses tempos de cinismo e ceticismo, é muito, eu creio. Transcrevo aí dois textos: um que o Moacir Chaves me mandou, brincando com o fato de eu dizer o que a maioria dos diretores pensa: que autor bom é autor morto e o outro do querido Paulo Letier, que escreve com a maior sinceridade. E mais embaixo, o último parágrafo de uma crônica que o Nelson Rodrigues escreveu em 24 de março de 1967. Pra começar a semana com energias positivas e desafios.

 

Bom autor é bom que esteja vivo, e muito vivo, para escrever mais e mais. Você, além de ótimo autor, é homem de teatro, parte da premissa de que todos estão fazendo o melhor que podem. Parabéns pelo texto, foi um prazer trabalhar com ele, foi um prazer me relacionar com você, e mesmo conhecê-lo de verdade, através dele. Grande abraço. – Moacir Chaves

 

Oi. Fui ver ontem a peça que vc escreveu e que está em cartaz com a Laurinha, o Sid, o Zeca e a Pati. Parabéns, meu querido... Você é sempre surpreendente. Adorei seu texto. Beijo. PL.

 

E o texto do Nelson:

 

“... imaginei uma igreja. De repente, em tal igreja, o padre começa a engolir espadas, os coroinhas a plantar bananeiras, os santos a equilibrar laranjas no nariz como focas amestradas... Acabava de tocar o mistério profundíssimo do teatro. Eis a verdade súbita que eu descobrira: - a peça para rir, com essa destinação específica, é tão obscena e idiota como seria uma missa cômica.” – Nelson Rodrigues.



Escrito por Edson Bueno às 00h14
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