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A ETERNIDADE E UM DIA Edson Bueno
 


O DIRETOR... REFLEXÕES – 3 - (LIBERDADE)

A VIDA COMO ELA É - Diego, Marcel e Martina. Foto de Chico Nogueira

 

Volta e meia alguém me pergunta sobre como trabalhar com os atores. Depois de 27 anos de profissão e 67 direções, se eu tivesse um mínimo de vergonha na cara, teria uma receita prontíssima. Mas não tenho. Tenho ideias. Mas reconheço que cada espetáculo pede uma maneira, embora alguns pontos de vista sempre prevaleçam. Por exemplo, a tal “liberdade”. Eu tenho como princípio de que é impossível criar sem liberdade. Aprisione o ator em formas, idéias, partituras, composições, etc. e ele vai acabar repetindo tudo direitinho, se for inteligente. E até acrescentar organicidade ao frankenstein, se for um ator sensível, mas criação mesmo, só com o aprisionador, que até pode ser o diretor – o cara que diz como as coisas tem que ser, o iluminado para quem o ator deve fazer seu serviço, o semi-deus que, livre, se dá o direito de criar e recriar tendo os atores ao seu dispor para fazer e acontecer. Mas como eu acho que o teatro é a arte do ator e todo resto é adereço, penso que a verdadeira criação tem que estar com ele. Então gosto de vê-lo livre, pensando, exagerando, experimentando loucuras e erros. Como, por exemplo, quando escrevo. Há todo um primeiro momento de explosão de palavras e pensamentos. E depois um segundo momento de elaboração. E um terceiro de crítica e afinação. Também o trabalho do ator, imagino que deva seguir o mesmo caminho. O velho Stanislavski já dizia que o primeiro momento do ator deve ser só dele, e até o diretor atrapalha se enfiar o bedelho. Concordo em gênero e número. Quando alguém me pergunta como é o caminho da criação pelo ator; eu sempre digo que em primeiro lugar devem vir intuição e espontaneidade, e absolutamente tudo no ensaio tem que estar a serviço deste estado de ser. Depois, quando o ator já não tem medo nem das marcas, nem das palavras, virá a elaboração, que é a verdadeira arte. Certa vez ouvi de um importante diretor inglês, Ron Daniels, que a principal qualidade de um diretor de teatro é a paciência. E foi nela que eu investi meus últimos anos. A paciência de ver os atores experimentando, a paciência de vê-los relacionando-se uns com os outros, fazendo de conta até que eu nem existo, a paciência de vê-los tentando decorar seus textos, a paciência de guardar a minha elaboração para o momento certo de usá-la, quando ela não soa mais como imposição e obrigação. Alguém pode perguntar se essa é a fórmula de conseguir grandes interpretações num palco de teatro. Não, não é. Não existem dois atores iguais em processo de criação, nem existem dois talentos iguais em explosão de criatividade. É impossível prever caminhos, mas da liberdade, com certeza nasce a criação. Então é possível prever que por esse caminho, a interação entre um elenco será melhor, mais divertida, mais espontânea e criativa. E mais, haverá a garantia de que o processo criativo nunca vai se encerrar no ensaio geral, mas vai seguir em frente por toda a temporada. E mais ainda, que, como uma relação paterna, o diretor vai dando aos atores, um processo, que vai preparando-os para seguir em frente sozinhos, donos do seu trabalho e aprendizes da verdadeira arte. Porque a verdadeira criação teatral nasce na estreia, no contato com o público e neste momento é sempre muito bom que o diretor fique de fora, porque se quiser ficar dentro, ele que também entre em cena, pra ver o quanto é bom ser ator! E também, o quanto é difícil!



Escrito por Edson Bueno às 00h12
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O DIRETOR... REFLEXÕES – 2 - (MOVIMENTO)

Ensaio de A VIDA COMO ELA É NELSON RODRIGUES, que fica em cartaz só até domingo

 

Adoro o movimento. Adoro Alfred Hitchcock porque, além de sua obsessão pelo suspense, há em seus filmes um desejo imperioso de conduzir o olhar do espectador. E conduzindo seu olhar, manipular seus sentimentos. Gosto sempre de pensar que a minha estética é a do movimento. Gosto de ver os atores movendo-se pelo palco, trocando de posições e buscando motivações para sair de um lugar e ir para outro, quase que o tempo todo. E motivações que nem sempre são lógicas, mas motivadas por um desejo de expressão e clareza. Gosto de pensar que o público precisa movimentar os olhos e a cabeça, o tempo todo, para acompanhar o raciocínio de um espetáculo meu, sendo contado pela boca e pelos corpos dos atores. No fundo sei que busco transformar em linguagem teatral uma sensação cinematográfica, que é resultado da montagem, do movimento da câmera e dos planos (geral, americano e close). Mas como estabelecer esse espírito de linguagem num espetáculo em palco italiano, por exemplo, quando tudo sempre acontece no plano geral? Alguns diretores usam a luz ou o cenário para conduzir a atenção da plateia. Eu prefiro o movimento. E para isso, não tenho o menor pudor em ir criando marcas falsas, que não representam a ação natural, movida pela motivação. São marcas estéticas. Elas, antes de darem sentido lógico, buscam alterar o ponto de vista do público, simplesmente. E assim as cenas vão se alternando, em grandes movimentos e até de situações estáticas, que não buscam uma linguagem plástica, mas que estão conectadas com o olhar do público. E claro, obrigam os atores a buscar motivações em lugares sombrios. Sempre digo a eles que o personagem nunca está no texto, nem mesmo no subtexto. Está em outros lugares. O que dizem (texto) e o que pensam (subtexto) é apenas uma pequena parte, uma mínima talvez, do personagem. E ainda mais, adoro dar ao público a sensação de naturalidade, num espetáculo onde tudo é absolutamente antinatural. Certa vez um diretor comentou que os atores quando trabalham demais comigo, ficam viciados num tipo de expressionismo interpretativo que lhes impede de agir naturalmente em espetáculos de outros diretores. Não sei se concordo, mas reconheço que os atores, em meus espetáculos, estão sempre alguns pontos acima do tom. Não é um vício, é uma linguagem. Gosto do exagero, gosto deste tom a mais. É o que eu penso que seja a tal “tensão dionisíaca” de que falou Nelson Rodrigues. E acho que o público também gosta, afinal o ator não está apenas sendo no palco, mas também fazendo. A soma dessas duas coisas faz muita diferença. Quando, falando de teatro, falo de cinema aos atores, costumo dizer que no cinema existe a figura do editor, suprema característica da sétima arte, onde o cinema realmente acontece. Pois no teatro quem faz a edição é o ator. É através dele e de todos os seus recursos técnicos, que o público acompanha o espetáculo. Quando os atores compreendem este meu princípio, começam a dialogar comigo de igual para igual e o exercício de dirigir uma peça de teatro passa a ser uma das coisas mais divertidas da vida.



Escrito por Edson Bueno às 07h18
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O DIRETOR... REFLEXÕES – 1

 

Há 60 anos, num 23 de setembro, nascia Pedro Almodóvar, o espanhol, o ícone, a referência sobre o que é cinema de autor e o que é arte cinematográfica em nossos tempos. Não conheço ninguém que não goste dele. Até quem não gosta diz que gosta, porque não gostar de Almodóvar é como não gostar de cinema, não gostar de arte, não gostar de reflexão, não ser livre e não amar a vida em suas contradições e paradoxos. Pois bem, buscando algum pensamento de Almodóvar para ilustrar essa comemoração, pincei alguns do livro “Conversas com Almodóvar”, de Frederic Strauss, páginas 169/170. Strauss comenta: “Em geral, o problema da renovação estética se refere mais aos pintores, que passam de um período a outro por meio de mudanças de tonalidade e forma.” E Almodóvar expõe:

 

Normalmente isso é característica da pintura e da arquitetura. Mas há cineastas que têm uma estética que não provém somente da luz, mas também de uma escolha de objetos, de um universo particular. É evidente que na obra de David Lynch há um artista plástico, não sei de que nível, mas suas imagens são compostas pictoricamente. No caso de Tim Burton também, e o apogeu dessa abordagem é Fellini. Josef von Sternberg vem da estética, era decorador antes de ser diretor, e seus filmes são muito estilizados e, em essência, visuais.  O curioso é que todos esses diretores sempre tiveram uma relação com a arte. Fellini era também um bom desenhista. Mas no meu caso essa relação não existe, é visceral. Tudo o que fiz tem a ver com minha vida, e as coisas se manifestaram de uma forma caótica, por puro acaso. E também por intuição. Por exemplo, a estética do barroco das Caraíbas estava presente nos meus filmes antes de eu descobri-la em sua terra de origem. Quando cheguei lá, pensei que minhas raízes estavam ali, mas tinha utilizado essa estética das cores sem saber que ela existia nas Caraíbas.

 

Um pouco mais à frente ele fala da estética de Alfred Hitchcock:

 

Esteticamente, é um grande inventor. Em sua obra, todos os elementos do cenário são deliberadamente artificiais. Hitchcock trabalhava muito com a transparência e estava pouco se importando que se percebesse isso. Os cenários de exteriores pintados se identificam como tais e ele não tenta esconder isso de nós.

 

Pois, guardando as devidas proporções, porque nunca pensei em me comparar a qualquer um dos acima citados, embora ame todos eles e sempre tente buscar motivações que possam ser comuns, fiquei refletindo sobre a minha busca estética de direção. E cheguei a algumas conclusões, que vou pensar pelos próximos posts. Aguardem, então, os próximos capítulos!



Escrito por Edson Bueno às 11h22
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OUTRO CARTAZ PARA “PRECIOUS”



Escrito por Edson Bueno às 23h06
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