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A ETERNIDADE E UM DIA Edson Bueno
 


OS SERES VIVOS FEDEM!!!

 

Clichês, diálogos requentados, roteiro previsível, câmera moderninha, personagens bidimensionais, bandidos óbvios, trilha sonora quase plágio e doses equilibradas de ação e sentimentalismo. Você vai ver muitos filmes em “Distrito 9, desde “A Mosca”, “Robocop”, “O Planeta dos Macacos”, “Eu, Robot” e até, guardando as devidas proporções, “Men In Black! Mas não se assuste, nada disso representa defeitos, muito pelo contrário. Neill Blomkamp, o diretor/roteirista é talentosíssimo, uma espécie de Robert Rodriguez sul-africano e protegido de Peter Jackson, um outro talento (um poço de talento!), vindo diretamente do cinema trash. E quer um conselho? Vá correndo ao cinema! Com todas as suas vulgaridades, “Distrito 9” é um filme sensacional! Um dos melhores do ano e originalíssimo! Incrível, não? Mas aí é que está a inteligência do seu diretor. O cara tem, o tempo todo, um olhar sobre o “pulp” e outro nas nossas emoções mais nobres. Talvez porque tenha vivido tão de perto o “apartheid”, Blomkamp sabe o que é a discriminação e faz uma alegoria com cara de ficção científica, que chega às raias do nonsense, sem medo de ser feliz. E, como Paul Verhoeven fazia em “Robocop”, não se exime de explorar, no roteiro, o pior da natureza humana. A sordidez corre solta e a sociedade se divide claramente entre os que são nazistas e os que são “distraidamente” indiferentes. Mais ou menos como o Gueto de Varsóvia. Cada um por si e ninguém por todos! Impossível, como espectador, ficar indiferente. Mas, onde entram os aliens na história? Oras, também com seus defeitos. Mas eles são a minoria oprimida e isso faz toda a diferença. A desumanidade e o desrespeito pelo direitos mais primários de qualquer ser vivo (já que o problema aqui são extraterrestres!) é a espinha dorsal do filme. Mas como Blomkamp gosta mesmo é de diversão e pauleira, o negócio é colocar gente dando tiro em extraterrestre e vice-versa. O segredo do filme (mas, desculpe, é um filme de muitos segredos!) é a fotografia. Na opção por uma câmera quase de vídeo e não fantasiosa, como costuma acontecer em filmes de ficção científica, Blomkamp dá à narrativa uma sensação desagradável de realidade. Ok, Danny Boyle já tinha feito o mesmo em “28 Days Later”, mas se nem isso é original, temos que levar em consideração que um filme sobre extraterrestres (quase um milhão e meio) confinados em uma favela, cercada por todos os lados, no centro de Johannesburg, é um ponto de partido, pelo menos inusitado! As locações deprimentes (que poderiam ser as favelas brasileiras...) dão a dimensão da desumanidade, e a exposição de seres vivos às condições mais primárias e nojentas, descreve, sem meias palavras, o descaso pelo sofrimento alheio. Que fazer? As palafitas da Amazônia não são parecidíssimas? E a periferia de qualquer grande cidade do terceiro mundo, também? Não gosto de ficar procurando metáforas em filmes de monstro e porrada, mas “Distrito 9 transcende a metáfora, vai direto ao assunto e não regula miséria. Com tudo isso, talvez até pela cara de pau de seu diretor, o filme surpreende o tempo todo e você não consegue desgrudar os olhos da ação. Não dá pra dizer que é divertidíssimo porque não é possível assisti-lo da mesma forma que se assiste a um filme do Tarantino, por exemplo, mas é vibrante, curioso e emocionante. Grandes cineastas vivem de colagens e costuram seus filmes com suas próprias obsessões. Woody Allen, Almodóvar, Tarantino, Danny Boyle e Guilhermo Del Toro são só alguns exemplos. Neill Blomkamp e seus aliens oprimidos, entra para a galeria. Pela porta da frente e com tapete vermelho!



Escrito por Edson Bueno às 15h34
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TRÊS DEUSAS E MEIA

Capa da Vogue, já promovendo o lançamento de “Nine” de Rob Marshall.

 



Escrito por Edson Bueno às 10h49
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BEM ASSIM... SIMPLES...

 

Como diz o meu amigo Chico Nogueira, o Joaquin Phoenix tem complexo de James Dean. Verdade. O personagem que ele mais adora encarnar é o introspectivo, com tendências suicidas, outsider do amor e de preferência, do contra. Em “Two Lovers”, de James Gray não é diferente. Aliás, nem o filme é diferente. Há momentos em que a obviedade é tal que não fosse uma fotografia mais elaborada e pareceria vida real. Mas não é. Nem a obviedade, nesse caso, é defeito, muito pelo contrário. Há cineastas que adoram usar o cinema para descrever com sutileza e sensibilidade, as coisas comuns da vida, e entre elas o amor. “Two Lovers” é sobre o que não tem solução, pelo menos no terreno dos sentimentos puros. Amar não se ama com o cérebro nem com a razão. Ama-se com o corpo e é o corpo que sente um prazer imenso em estar perto da pessoa amada, é o corpo que fica satisfeito com um simples toque, é o corpo que entra em êxtase com o perfume (cheiro?) do outro corpo, é o corpo que perdoa tudo, e é também o corpo que fica cego e entra em estado de loucura. Não há solução para o amor! É irracional e alimenta-se muitas vezes de migalhas. Quando o amor é via de mão única, deixa de ser amor e vira doença. É o caso de “Two Lovers”. Ninguém ama quem deveria, pelo menos aos nossos olhos de “voyeurs” da intimidade e do sofrimento dos outros. O fato de Joaquin Phoenix ser o protagonista e o centro das atenções do roteirista e diretor James Gray é apenas um detalhe, porque todos os personagens do filme encontram-se na mesma situação. E o que há de óbvio? O fato de sabermos - se algum dia amamos e fomos amados - como as coisas acontecerão e qual será o seu desfecho. E tudo acontece exatamente como o esperado. E a mágica da simplicidade está no fato de que o que poderia ser um defeito é uma qualidade. De qualquer forma a aventura da vida passa pelo desconforto, pela ansiedade, pelo sofrimento e pela dúvida e, se não apenas a aventura, ainda mais a graça. Joaquin Phoenix dá uma performance de autocomiseração admirável, é um grande ator, sensível como James Dean E como ele, recusa-se a levantar os olhos para a câmera, como se tivesse vergonha de viver a estranheza da vida em sua frente. Gwyneth Paltrow está perfeita em sua personagem bipolar, incapaz de decidir por qualquer coisa, porque também movida pela emoção. E a surpresa agradável está na presença magnética de Isabella Rosselini, envelhecida aos 57 anos e parecidíssima com sua mãe, inclusive na voz. O filme? Belíssimo em sua simplicidade poética. Banal como o dia a dia e complexo como os sentimentos que vivemos no dia a dia. Não busca dar maiores soluções para o amor não correspondido, mas tenta trilhar caminhos sinceros, ao exibir seus personagens debatendo-se para estar próximos das pessoas que amam. É triste. Triste como o amor não correspondido. Mas sincero, porque apesar de tudo a vida segue adiante. “Navegar é preciso, viver não é preciso!”



Escrito por Edson Bueno às 01h15
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UM OLHAR NO PARAÍSO

Está chegando o novo filme do Peter Jackson!!!

 



Escrito por Edson Bueno às 22h32
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MIX 2

Números, fatos, esperas e possibilidades. É o mundo encantado do cinema:

 

 

1. Indigestão insuportável! Fui assistir “Tá Chovendo Hambúrguer!” o novo sucesso em animação 3D. Não consigo entender o sucesso. O filme é uma bomba. Barulheira, grosseria, ausência total de sutileza e um show de obviedades e clichês, dignos das piores animações da DreamWorks! Ok! O filme faz de conta que trata de assuntos importantes como comida fastfood, lixo industrial, poluição e ambição política, mas no fundo tudo é apenas um pretexto. Pra resumir: é nojento! E o pior, fui assistir em Imax e nesse sistema a praga fica insuperável! É de sair do cinema vomitando!

 

2. Segundo o site “Awards Daily” os seguintes atores são candidatíssimos (por enquanto) a uma indicação ao Oscar de melhor ator:

George Clooney, Up in the Air

Jeremy Renner, The Hurt Locker

Michael Stuhlbarg, A Serious Man

Matt Damon, The Informant!

Colin Firth, A Single Man

Paul Bettany, Creation

Michael Sheen, The Damned United

Ben Wishaw, Bright Star

Viggo Mortensen, The Road

 

3. Os Normais 2 – A Noite Mais Maluca de Todas, segue firme entre as 10 maiores bilheterias da semana, mesmo depois de 6 semanas em cartaz. Completou um público de 1.899.140 e está longe de fechar a fatura. Enquanto isso, Salve Geral, o candidato brasileiro a uma indicação ao Oscar, em sua semana de lançamento em 189 cinemas pelo Brasil, levou 72.364 pessoas aos cinemas. Não é uma performance assim tão ruim.

 

4. E neste endereço aí embaixo, você pode assistir aos primeiros cinco minutos da animação “A Princesa e o Sapo”, da Walt Disney Productions/Pixar. Dá pra dizer que é lindinho!

http://www.movieweb.com/news/NE5d7e8dCHAs7e

 

5. Frase perfeita, cunhada por Alice Ruiz e pelo Solda:

“Ser feliz em Curitiba é falta de educação!”

 

6. A grande notícia é que a Versátil estará lançando no dia 3 de novembro, o filme “Freud, Além da Alma” (1962), de John Huston, com Montgomery Clif. Sempre digo que se tiver que escolher os três filmes que mais gosto, “Freud” fica em terceiro lugar. Perde apenas para “Os Pássaros”, do Hitchcock e “Amarcord”, do Fellini. O lançamento é uma caixa com dois discos e extras. O filme nunca tinha sido lançado no Brasil, nem em VHS e eu o assisti uma vez numa sessão milagrosa do Telecine Cult. Uma obra prima e uma revelação!

 

7. Tomas Alfredson, diretor de DEIXA ELA ENTRAR, falando para o Omelete:

“... é um filme falando sobre amor subjugando o ódio e a violência. E é também sobre uma menina que tem o amor como maior ameaça. Essa menina vampira que, embora seja ameaçada, acaba escolhendo o amor.” Tudo bem, mas eu acho que ou o inconsciente do Sr. Tomas falou mais alto, ou ele não revelou toda a verdade na entrevista.



Escrito por Edson Bueno às 12h23
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O DIRETOR... REFLEXÃO 4 – (O DONO DA BOLA)

A VIDA COMO ELA É NELSON RODRIGUES, espetáculo do Grupo Delírio que

em sua última apresentação no domingo, fez duas sessões com o teatro abarrotado!

Foto de Chico Nogueira

 

Certa vez eu estava fazendo, como ator, um espetáculo de teatro. Digo que isso aconteceu há muito, muito tempo, para que os diretores dos últimos espetáculos não achem que é deles que eu falo. Pois bem, esclarecidas as questões temporais, vem a história. Pois tivemos uma apresentação fraquíssima, num determinado dia curitibano, gelado, chuvoso e torto. Havia muito pouco público (umas 15 pessoas), que pareciam mortos, mais ainda que o espetáculo. E claro, foi uma noite onde nada aconteceu. Pois o diretor, puto da cara, reuniu o elenco no palco e soltou o verbo: “De vocês eu só quero a competência!” Nesses tempos eu já era esquentadinho e milhões de impropérios vieram à minha boca cheia de veneno. Mas recuei à minha insignificância e só pensei: “Pois é, levando-se em conta a sua direção, se nós, atores, não formos competentes, o que sobrará?” Enfim, onde eu quero chegar com esse desabafo fora de hora? Quero dizer que competência e profissionalismo, quando se trata do trabalho do ator, um exercício artístico de alta periculosidade, vai além muito além de uma execução técnica. Tangencia lugares intocáveis, de onde podem nascer performances únicas, mas de onde, também, pode não vir nada. E isso nada tem a ver com competência, tem a ver com coragem e liberdade. Fazendo o mais dramático dos Shakespeares, o ator precisa brincar. E precisa estar tomado pelo espírito da brincadeira e tem que ter a certeza de que a bola não é de ninguém. Que qualquer um pode chutá-la, na hora em que ela cair aos seus pés. Quero dizer que quando o tal diretor pronunciou a tal frase, ele estava articulando aquilo que todo o elenco já sabia: ele era o dono da bola. O espetáculo era dele. E só dele! E enquanto esta certeza estava sendo percebida ensaio após ensaio, aquele lugar intocável, ia ficando cada vez mais longínquo, cada vez mais intocável. E o resultado, por maior esforço que o diretor faça, vai sempre ser medíocre, morto e óbvio. Mesmo que ele tenha inventado cenas belíssimas, mesmo que ele exiba barroquismos inacreditáveis na construção de formas e belezas. Tudo será apenas uma árvore seca e de plástico, parecidíssima com uma real, mas morta e apenas útil, nunca artística. Toda a arte do teatro brota, flui e se expande de dentro do ator e sua crença. Toda a arte teatral vive da sua paixão e loucura. O resto é afetação.



Escrito por Edson Bueno às 00h21
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AMAR É ENTREGAR-SE A UM VAMPIRO...

 

... que não quer o seu sangue. O que é muito pior! Talvez eu tenha perdido completamente a inocência. Talvez. Fui assistir “Deixa Ela Entrar”, o filme sueco de vampiros do diretor Tomas Alfredson. É uma obra-prima, uma raridade, uma poesia que lança mão de uma história de terror e vampiros para aventurar-se pelo espírito humano. Não é um filme inocente como tenho lido em todas as resenhas e críticas. Também não acho que seja um filme sobre a adolescência e suas dúvidas ou ainda, sobre o encontro de duas amas solitárias. Menos ainda sobre a descoberta do amor e sobre o amadurecimento. Tudo está lá, mas acho que é um filme sobre a escravidão e sobre a sedução. Mais ainda, um infinitamente cruel filme sobre a sobrevivência. Oskar é um pré-adolescente frágil e sensível que conhece Eli, uma menina de aparência também frágil, mas estranha. São dois solitários, e pelos caminhos da fascinação e da identificação aproximam-se e se relacionam. Mas não são sequer parecidos, embora as aparências. Ele é apenas um menino entrando na adolescência e tomando contato com mudanças físicas e a realidade brutal das relações sociais, dos preconceitos e das diferenças; ela é uma vampira milenar, que tem a eterna aparência de uma garota de 12 anos. Ele não sabe nada da vida, ela sabe tudo. E onde entra a sedução? Eli precisa sobreviver, precisa de um escravo humano, que vai envelhecer com ela (enquanto ela permanece jovem) e, seguindo uma ordem terrivelmente natural, quando ele envelhecer, precisa morrer e um outro escravo deve assumir seu lugar. É quando entra Oskar. Eli penetra em seu coração suavemente, escalando suas fraquezas, suas dificuldades, suas singularidades, até tornar-se essencial em seu dia-a-dia. Oskar deixa que ela entre em sua vida, como deixamos que o amor tome conta das nossas. Não há muita saída. O amor faz de nós as criaturas mais felizes e ao mesmo tempo as mais prisioneiras. Assim que Oskar, sem perceber vai perseguindo todos os caminhos traçados por Eli. É uma história terrível! Dolorosamente filmada em mínimos detalhes, por um diretor sensível e pragmático. Tomas Alfredson (de quem, nunca ouvi falar!) é cirúrgico em sua direção, tão vampiro quanto Eli e nos seduz com seu filme, de forma irresistível. Mostra-nos passo a passo, Oskar ser seduzido sem perceber que está sendo preparado para ser o próximo escravo. Filma, poeticamente, seu caminho sem volta. Não, Eli, a vampira, não é um ser cruel. Ela também cumpre seu destino, está apenas lutando por sua sobrevivência. Afinal, se o assunto é destino, Eli não pediu para ser vampira. Nessa pequena tragédia todos os truques precisam ser usados. E qual truque pode ser mais infalível que a sedução do amor? A garantia da segurança emocional que só o amor pode dar? Oskar amadurece em semanas. Deixa de ser um garoto inocente e transforma-se num outro, ousado e corajoso. Eli deu-lhe a força, a força que ela precisa. Mas se a inocência de Oskar era, aparentemente, escravidão, a escravidão do amor vai roubar-lhe a vida e a liberdade. Realmente, não há saída e Oskar entrega-se a ela de corpo e alma. “Deixa Ela Entrar” usa e abusa de todas as convenções das histórias de vampiros, mas fala-nos o tempo todo sobre a nossa fragilidade diante das emoções e sobre o apelo irresistível das emoções. Amar é entregar-se a um vampiro que não quer o seu sangue, quer a sua alma. Amar é consumir-se pela escravidão. É maldição. Pelo menos é o que eu penso que queira dizer este filme originalíssimo, encantador e profundo. Um dos melhores do ano e uma pá de cal sobre a visão romântica do romance que  Bram Stoker publicou em 1897.



Escrito por Edson Bueno às 10h14
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