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A ETERNIDADE E UM DIA Edson Bueno
 


UM ATOR

Tiago Luz em "A Vida Como Ela É Nelson Rodrigues"

 

O menino se equilibra numa corda muito fina e então, escorrega, despenca. Olha para baixo e vê labaredas, lanças pontiagudas e animais selvagens de bocas abertas e grandes dentes afiadíssimos. Será trespassado, dilacerado e seus restos queimados para então desaparecer para sempre. Mas se - e como podem ver ele despenca em câmera lenta – observarmos seu rosto, nele está colado um sorriso monalísico, misterioso e sexy. Suicida-se e, no caso, não despencou por acidente, mas permitiu-se cair, por prazer e gozo. Já foi mais covarde. Já atravessou a corda com cinto de segurança, já experimentou um escorregão, mas agarrou-se com todas as unhas à corda e, embora desajeitado e feio, chegou ao outro lado do abismo são e salvo. Já preferiu o suspiro do alívio à vertigem do tombo. Já disse, por conseqüência, bem menos. Já se mostrou, por pudor, bem menos. Já deixou de saborear palavras que foram escritas como verdadeiras receitas de “chefs” primorosos, raros e originais. E por conseqüência delas não tirou outro sabor que não fosse insípido, sem perceber que nas entrelinhas havia o verdadeiro gosto do tempero. Um tempero, com certeza, trazido de regiões mitológicas, inalcançáveis para mortais sem aventura. O menino experimenta agora, a aventura. Descobre, na queda, que o seu corpo e a sua alma, são partes de uma floresta virgem, elaboradíssima em plantas, pela natureza. Plantas nunca vistas, de texturas e cores além da imaginação. Floresta enviesada de paradoxos e conflitos, todos riquíssimos em humanidade. O menino descobre no tombo, que o medo é parte da criação e que dele não deve resultar a covardia, mas a coragem. O menino tem as labaredas, as lanças e os animais selvagens cada vez mais próximos do seu peito. E, sinceramente, acredita que vai morrer. E não vê a hora de chegar. E chega. Se você, espectador curioso, olhar, aqui do alto do abismo, vai ver, no seu fundo, um corpo trespassado por lanças envenenadas, sendo dilacerado por dentes selvagens e famintos e vai ter seus olhos cegados pela luz das labaredas, que o queimam. Mas ele, o menino, não morre. Ao contrário, rejuvenesce, ressuscita, recupera-se inteiro e inicia a subida, pelas bordas, ainda mais lindo do que quando se permitiu cair. E segue, agora subindo. Não tenha dúvidas de que vai chegar logo aqui em cima. E quando chegar, cansado pela subida, não pelo tombo, não lhe pergunte o que fará quando estiver são, salvo e seguro com seus pés sobre a terra firme, porque não haverá resposta. Ele, simplesmente, se jogará, de novo, no vazio. Descobriu-se ator.



Escrito por Edson Bueno às 01h28
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NINE

 

Em 2002, o Oscar para Roman Polanski, por sua direção em “O Pianista”, foi mais do que bem vindo.  Há muito tempo ele merecia. Costumo dizer que “O Bebê de Rosemary” é a mais eficiente aula de direção de cinema que qualquer aprendiz possa ter. Se o sujeito for atento, curioso e apaixonado, depois de assistir ao filme de suspense de Polanski, por umas dez vezes, aprendeu muito. Ao seu modo, ele quase reinventa a técnica da câmera e da edição. “O Bebê de Rosemary” foi sua entrada triunfal no cinema americano. A saída foi pela porta dos fundos e o retorno, humilhante, parece que será também pela porta dos fundos. Um escândalo criminoso e moral que merecia um final mais digno. Enfim... Mas como eu dizia... Claro, como todo artista, vez ou outra (na maioria das vezes!) se deixa seduzir pelo canto da sereia e comete uns filminhos bem jaguaras. Com Polanski não foi diferente. Mas quando ele acerta, como em “Chinatown” ou “O Inquilino”, aí é prazer, prazer, prazer! É o caso de “O Pianista”, outra aula de direção. Então, que ninguém discute que o Oscar daquele ano foi parar em boas mãos (entregue alguns meses depois em Paris, por Harrison Ford!). Mas ninguém também discute que era aposta de dez para um que o prêmio ia ser entregue a Rob Marshall, por “Chicago”. Ele já tinha ganho o prêmio do Sindicato dos Diretores e parecia certo que ouviríamos o seu discurso, no ano em que George Bush resolveu invadir o Iraque e foi espinafrado em rede mundial pelo incrível Michael Moore! Vale dar aqui a minha opinião. Eu simplesmente adoro “Chicago” e é um daqueles filmes que eu gosto de rever, porque tem interpretações de primeira, coreografia inspirada e músicas deliciosas. E Rob Marshall mandou muito bem. Depois escorregou no insuportavelmente artificial “Memórias de um Gueicha”, mas talvez seja o caso de esquecer essa tropeçada. Onde eu queria chegar com essa conversa toda? Ah, sim. Rob Marshall está de volta com outro blockbuster musical, também produzido pelos Irmãos Weinstein, e é novamente uma aposta a se levar em consideração. “Nine”, também adaptado de um musical da Broadway, que por sua vez é uma adaptação de “Fellini 8. ½”.  O elenco é inacreditável e traz Daniel Day-Lewis vivendo o papel que foi de Marcelo Mastroianni. E no vácuo vem Judy Dench, Sophia Loren, Nicole Kidman, Marion Cotillard e Penélope Cruz. O trailer, há bastante tempo na rede, é um espetáculo e se (o “se” é fundamental!) o filme comparecer nas bilheterias, parece que dessa vez o Oscar escorrega para as mãos do esperançoso Rob Marshall. E aí, de posse da história, ele vai dirigir a quarta parte de “Piratas do Caribe”, que é pra confirmar a escrita! Os americanos conferem em novembro, nós, talvez lá por fevereiro ou março, com exceção de alguns amigos ansiosos que baixam pela internet. Mas eu não, gosto mesmo de uma telona!



Escrito por Edson Bueno às 09h02
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UM PARADOXO OU UMA CONTRADIÇÃO?

 

Lars Von Trier. É, de verdade, um sujeito que me intriga. Aliás, me intriga mais a minha relação com ele, do que a sua atitude diante do cinema e da mídia. “Dogville” é, disparado, um dos meus filmes preferidos. Nem sei se tanto pela forma, mas pela ideia, pelo conteúdo e pelo espírito pragmático com que ele (Lars) vai desenvolvendo sua teoria sobre a inocência e a responsabilidade. Um dos maiores impactos que já vivi numa sala de cinema foi o espaço de raciocínio que “Dogville” abre ao público para que decida o que faria com os habitantes da pequena vila, caso estivesse no lugar da “arrogante” Nicole Kidman. Não sei se alguém chegou a alguma conclusão diferente da que o filme propôs para sua protagonista, mas a matança a sangue frio que se segue a esse espaço é uma autêntica catarse com toda a sua (intensa!) dose orgasmática. “Dogville” derruba todas as máscaras sociais e espirituais e deixa muito claro o quanto todos estamos nesse mundo para uma autêntica e selvagem luta pela sobrevivência. Tudo o mais é maquiagem. Enfim, minha relação com Lars Von Trier se encerra por aí, naquele que é um dos meus dez filmes preferidos. Quanto aos outros, acho-os todos, manipulações grosseiras (para não dizer grotescas!)  dos sentimentos reprimidos do espectador no escurinho do cinema. Demonstram, pelo menos para mim, um espertalhão, egocêntrico e narcisista, fazendo isso e aquilo para aparecer. Até o seu filme fetiche, “Dançando No Escuro” me irritou profundamente, quando em São Paulo, no Espaço Unibanco, eu o assisti de péssimo humor, enquanto todo mundo se debulhava em lágrimas ao meu lado. Como dizia a minha mãe: “A mim esse sujeito não engana!” Mas, ele, novamente, e talvez comprovando a minha opinião, arrepiou o Festival de Cannes/2009 (que adora um impacto de mídia!), com seu novo “AntiCristo”, um filme de terror sei lá o que, com cenas de mutilação e sexo explícito. Li altas espinafradas e elogios derramados à sua inquietação e ousadia. Li, porque como outros filmes importantes lançados em 2009 (“Valsa Com Bashir”, “Desejo e Perigo”, etc) parece que estão banidos do circuito curitibano.  “Desejo e Perigo” foi lançado quase obscuramente no Cine Luz, semana passada. O problema é que o Cine Luz, último cinema de rua de Curitiba, tem as poltronas caindo aos pedaços, um atendimento do tempo das cavernas, projeção comprometida e uma tela que quase perde para a televisão da minha sala. Paciência. Antes isso que nada! Mas voltando ao “AntiCristo” de Lars Von Trier. Não posso descer o sarrafo nele porque não consegui vê-lo ainda, mas está sendo lançado nos EUA, justamente no fim de semana Halloween, o que é uma alternativa, mas também uma redução humilhante. Sei que o velho e espertíssimo Lars não está nem aí para o fato, mas não custa registrar. O que me impressionou mesmo foi um dos cartazes do filme lá na terra do Barack (antigamente era a terra do Tio Sam!). Reproduzo aí em cima e me digam se não é, talvez, o mais original do ano!



Escrito por Edson Bueno às 00h59
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GRANDE E PEQUENO

Ana Maria Bahiana disse (e eu concordo) em um de seus artigos, que o cinema americano (levando-se em conta os roteiros) vai ficando pequenininho e a televisão (americana) vai crescendo de tamanho. Aliás, a televisão vai ficando grande até em nossa parede. As polegadas vão tomando conta e a sala escura mais a televisão de 50” dão uma deliciosa sensação de conforto e intimidade cinematográfica. Disso não se pode discordar. Pois bem, vi três filmes nesse fim de semana. Um no cinema (O DESINFORMANTE) e outros na televisão (BERNARD AND DORIS e GREY GARDENS). O primeiro do incansável Steven Soderbergh. Quer saber? Acho esse cara um chato! Pretensioso, metido a faz tudo, metido a artista engajado, mas que no fundo, no fundo, faz filmes que não dizem nada mais do que aquilo que a gente já está careca de saber. Só nesse ano foram quatro filmes que mereciam o subtítulo de “Chovendo no Molhado”. Dois “Ches” mais do que óbvios, outro sobre uma prostituta, que nunca sai do lugar e este “O Desinformante”, que é tão emocionante e divertido quanto assistir a uma maçã amadurecer. Soderbergh anda fazendo filmes tão desleixados quanto previsíveis e esquemáticos, embora isso possa parecer paradoxal. Mastiga tudo e não rumina nada. Um porre! Estava lendo por aí que existe uma campanha para que Matt Damon seja indicado ao Oscar. Credo! O cara parece um adolescente eterno e nem a barriga e nem a maquiagem conseguem disfarçar sua interpretação no piloto automático. Um tédio. Esse cineminha aparentemente engajado de Soderbergh é tão mentiroso como o personagem de “O Desinformante”. Enfim, quem quiser que vá assistir. E os outros dois? Feitos para a TV? Deliciosos! Tanto um quanto o outro são simplíssimos! Direções rotineiras (Bob Balaban e Michael Sucsy) e roteiros segundo a cartilha do Syd Field. Mas, vale a reflexão: no que se transformam pequenos filmes quando seus atores (e, claro, a televisão privilegia o close!) se entregam de corpo e alma e ainda por cima resolvem colocar todas as suas cartas na mesa? Susan Saradon, Ralph Fiennes, Jessica Lange e Drew Barrymore deitam e rolam! Estão excepcionais! Desfilam composições, intenções, sentimentos, lógicas ilógicas, tons, paradoxos, conflitos e humanidades em cada close, em cada plano. É encontro de virtuosos. Mas aqui uma particularidade: em “Grey Gardens”, Jessica Lange é um caso à parte! Tem um desempenho além do artístico, é, na televisão, o ponto alto de uma carreira. Mais ou menos como aconteceu com Meryl Streep em “Angels in America”. Definitivo. Quanto   aos filmes? Os dois seguem registros emotivos, embora “Grey Gardens” afunde um pouco mais e por isso mais humano e grave. Histórias de ricaças excêntricas e decadentes. Em “Bernard and Doris”, Susan é a biliardária alcoólatra e Ralph seu mordomo pirado e mais alcoólatra ainda. Em “Grey Gardens” são mãe e filha, parentes de Jaqueline Kennedy, que abdicam da vida por fragilidade e medo. Enfim, malucos da vida, desesperados da humanidade, carentes de tudo. Dinheiro não traz felicidade, mas preenche todas as lacunas. E o que conta mesmo é a possibilidade de encostar-se em alguém que ocupe a reticência da solidão. Os dois filmes são muito bons e dão conta de seus personagens com cuidados visuais e minúcias. Às vezes o refúgio da televisão é uma porta aberta para a melhor dramaturgia.



Escrito por Edson Bueno às 00h28
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