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A ETERNIDADE E UM DIA Edson Bueno
 


O TEMPO PASSA (E É IMPLACÁVEL!) ATÉ PARA MICHELLE PFEIFFER.

 

Tinha um amigo que chamava Michelle de “a maravilhosa”! Nenhuma novidade. Nunca foi uma super atriz, mas um close seu, quase sempre valia (e ainda vale!) por um filme inteiro. E deu belas performances nas telas, inclusive em “Ligações Perigosas”, de Stephen Frears, onde merecia ter ganho o Oscar de atriz coadjuvante. Perdeu para Geena Davis, por “O Turista Acidental”, outra bela atriz. Pois bem, Michelle empresta sua beleza, sua idade, suas rugas, sua experiência e seu talento para um filme que fala justamente disso tudo: “Chéri”. E novamente dirigida, à perfeição, pelo especialíssimo Stephen Frears, que nos deu verdadeiros diamantes de sutileza como “Minha Adorável Lavanderia” (1985), o próprio “Ligações Perigosas” (1988), “Os Imorais” (1990), “Sra. Henderson Apresenta” (2005) e o delicioso “A Rainha”, de 2006. É um diretor de imensa sensibilidade e que nunca erra quando se ocupa em perscrutar os inexplicáveis subterrâneos que levam aos sentimentos humanos. É um artista que tem verdadeira paixão pelos paradoxos e contradições e que, longe de ser moralista, nunca faz julgamentos, apenas tenta entender e, quase sempre com grande melancolia e humor, os desígnios humanos, verdadeiras avenidas de mil e uma mãos! Assistir a um filme de Frears é permitir-se ficar nu diante do espelho, porque ele, enquanto desnuda implacavelmente seus personagens, desnuda também o espectador, ou seja, é todo mundo pelado no cinema! Mas, claro, tudo sempre com grande delicadeza e elegância, coisa rara. É um gentleman do cinema! Pois bem, “Chéri”! Uma história de amor, que poderia ser muito simples, porque não fossem os outros, como disse Sartre, a vida poderia ser fluida e divertida. Chéri é um garoto de 19 anos e Lea (Michelle) tem pra lá de seus cinqüenta. Impossível amor é o que se diz na vida e o que se diz em qualquer lugar, menos no coração. Impossível é o que diz a razão, diante do próprio coração. Nem Chéri, nem Lea acreditam no que sentem e fazem do seu amor, o sofrimento. Desistem, quando deveriam investir. Então, mais do que falar sobre o tempo que passa implacável, para todos, “Chéri” fala da impossibilidade do amor, apesar do tempo. Dia desses falava (com quem mesmo?) sobre relações humanas (a propósito de “Up In The Air”). Falava que deveríamos sempre, ao contrário do que fazemos, buscar relações. Não importa quanto tempo elas durem, se um mês, um ano, dez ou mais ou menos. Importa é que busquemos relações, porque a vida, verdadeiramente vivida, acontece no agora. Isso parece tão simples (pra não dizer, óbvio!), mas torna-se tão complicado quando deixamos de ver-nos como criaturas frágeis, vulneráveis e efêmeras. Insistimos em nossa eternidade e essa insistência é o oposto da vida e do amor. Paciência. Pois, voltando à Michelle. Seu trabalho em “Chéri” é de uma dignidade impressionante e o questionamento que o filme provoca, com toda a dose de inteligência, humor e crueldade, é também coisa rara no cinema de nossos tempos. Claro, quem quer assistir seus próprios medos? Melhor a fantasia, a ilusão, o sonho e o escapismo. Mas, longe de querer julgar, fantasia é para não acreditar. E o mesmo amigo que me diz que “Chéri” é magnanimamente humano, vez ou outra também me diz que “o melhor filme é o americano que tem final feliz!” Bom seria aceitar que não existem finais felizes, existe o presente feliz e idiotas somos todos quando deixamos de viver o que está vivo e claro nas nossas fuças, porque acreditamos que o futuro pode ser melhor. Belo filme “Chéri”, uma aula de vida e cinema!



Escrito por Edson Bueno às 18h24
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RINDO CASTIGA-SE MAIS

 

George Clooney pode não ser o ator mais talentoso de Hollywood, mas é o mais inteligente. Consegue a proeza de fazer sempre o mesmo papel e mostrar-se diferente em cada um deles, principalmente, porque é um ator que comenta, ao contrário de toda a tradição americana de interpretação. Em “Up In The Air” tem, talvez, seu melhor momento nas telas. O filme é uma joia preciosa, um comentário sagaz e vivo das relações humanas em nossos tempos rápidos, práticos e medrosos. Afinal, o que desejamos todos? Alguém para preencher com sexo e alguma afetividade os nossos finais de semana ou uma relação mais profunda, aquela que exige alguma disposição em responsabilidade, compromisso e, principalmente, entrega? A profissão de Clooney em “Up In The Air” é deprimente: “conselheiro de transição de carreira”, na real um profissional especializado em comunicar aos funcionários de uma determinada empresa, que "seus serviços não são mais necessários". Cruel. Crueldade aliás,  que Jason Reitmann, o diretor, encarrega-se de explorar ao máximo. E mais cruel ainda porque, ironicamente, tudo acontece quase sempre no registro do engraçado. Rimos o tempo todo da desgraça alheia, como se ela estivesse muito longe assim de nós mesmos, apenas porque está acontecendo na tela do cinema e não dentro de nossa casa. Ilusão! O filme é repleto de crueldades. Todas agudas, exatas, desconfortáveis. Cada frase pronunciada pelos personagens é um comentário deliciosamente doloroso, aplicável a cada fase de nossas vidas.  E a vida proposta pelo filme? O hábito do cachimbo deixa a boca torta. O personagem de Clooney, calejado pela necessidade de não importar-se com as emoções alheias (leia-se a vida alheia!), acostumado à solidão emocional, fruto de um trabalho que lhe tira a possibilidade de ter uma residência fixa, por exemplo; e, simbolicamente, por viver dentro de aviões, nunca estar com os pés no chão, ou seja, distante da realidade; atravessa o filme defendendo valores que só servem para sua conveniência. Um auto-engano dos bravos! E o que acontecerá a ele? Os roteiristas, que merecem todos os prêmios a que têm direito, descobrem possibilidades das mais originais. Quem ganha é o público. É ir ao cinema e se sentir inteligente, mas sem babaquice! E nesse percurso de originalidades, uma das mais interessantes (sem correr o risco de spoilers!) é a inversão de personas. Clooney, o galã por excelência, interpreta o que, na maioria dos filmes e até na vida, é o papel feminino; e se ele experimenta a condição feminina sem perceber, tira justamente daí a graça e o charme do personagem. Talvez essa seja a mais interessante proposta de “Up In The Air”. Os novos tempos e suas infinitas possibilidades, todas fruto do capitalismo desenfreado, vão invertendo papéis e o homem, macho e líder vai reduzindo sua participação na aventura da vida, e tornando-se apenas uma necessidade prática de sexo e competência profissional. Até que a máquina encarregue-se de destituí-lo de qualquer uma das duas. “Up In The Air” é uma comédia antenadíssima com nossos tempos, até na sua conclusão dramatúrgica, anti-romântica e realista. Congratulations mr. Jason Reitmann! Billy Wilder, aplaudiria. Mike Nichols, se assistiu, com certeza aplaudiu. E a conclusão, depois de tanto sorriso? Em nossos tempos urbanos, a saída é reaprender a amar. O filme não ensina como, mas conta de sua urgente necessidade! Ah! E se George Clooney dá sua melhor performance, tem o privilégio de contracenar com duas atrizes excepcionais: Vera Farmiga e Anna Kendrich, uma revelação, um respiro de graça e talento!



Escrito por Edson Bueno às 12h05
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