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A ETERNIDADE E UM DIA Edson Bueno
 


DIE WURZELN DES ÜBELS

Antes de falar das minhas (melhores!) impressões sobre o novo filme de Michael Hanecke, vale dar-lhe a palavra, numa tradução livre de Mauricio Stycer, a propósito da exibição do filme na 33ª. Mostra Internacional de Cinema de São Paulo:

“Não ficaria feliz se esse filme fosse visto como um filme sobre um problema alemão, sobre o nazismo. Este é um exemplo, mas significa mais que isso. É um filme sobre as raízes do mal. É sobre um grupo de crianças, que são doutrinadas com alguns ideais e se tornam juízes dos outros – justamente daqueles que empurraram aquela ideologia goela abaixo deles. Se você constrói uma idéia de uma forma absoluta, ela vira uma ideologia. E isso ajuda àqueles que não têm possibilidade alguma de se defender de seguir essa ideologia como uma forma de escapar da própria miséria. E este não é um problema só do fascismo da direita. Também vale para o fascismo da esquerda e para o fascismo religioso. Você poderia fazer o mesmo filme – de uma forma totalmente diferente, é claro – sobre os islâmicos de hoje. Sempre há alguém em uma situação de grande aflição que vê a oportunidade, através da ideologia, para se vingar, se livrar do sofrimento e consertar a vida. Em nome de uma idéia bonita você pode virar um assassino.”

Então que, é desnecessário tentar explicar seu conteúdo, tentando ser mais explícito ou inteligente que o próprio autor. Sim, porque Michael Hanecke é, raridade em nossos tempos, um autêntico autor, um artista, um pensador do cinema. Seu filme é uma aula de narrativa, mas, muito mais do que isso, recupera para a platéia cansada e cínica dos nossos tempos, o sentido do cinema como arte. E o que é arte? Vou até Tarkovsi, que (tenho certeza!) amaria esse filme: “A arte, como a ciência, é um meio de assimilação do mundo, um instrumento para conhecê-lo ao longo da jornada do homem em direção ao que é chamado`verdade absoluta´. Através da arte o homem conquista a realidade mediante uma experiência subjetiva. Uma descoberta artística ocorre cada vez como uma imagem nova e insubstituível do mundo, um hieróglifo de absoluta verdade. Ela surge como uma revelação, como um desejo transitório e apaixonado de apreender, intuitivamente e de uma só vez, todas as leis deste mundo – sua beleza e sua feiúra, sua humanidade e sua crueldade, seu caráter infinito e suas limitações.”

Apoiado por uma fotografia excepcional, Hanecke constrói o universo cinematográfico e dele participamos como quem participa da verdade total. Não é mais cinema. É o espaço onde as coisas acontecem e, conscientes que somos do diretor, artista manipulador, deixamo-nos levar, sabendo que de nada adianta esperar respostas para as questões simples do roteiro (como, por exemplo, quem comete as atrocidades?), mas que o melhor é embarcar em sua investigação sobre o humano. E pelos caminhos mais estéreis e cruéis, Hanecke desfila uma série de tipos humanos e suas reações que são de arrepiar o cabelo. Onde está a circunstância desconfortável? A inquietação? Está em que, com certeza, ficamos procurando dentro de nós mesmos os resquícios daquela cultura, o lixo atômico transferido pelas décadas e que pode fazer de cada um de nós, tanto um humanista ilustrado, como um monstro autoritário. Alguém disse (Einstein?) que o mal não existe, ele é apenas a ausência do bem (que existe!); mas Hanecke quer ter mesmo certeza disso, já que enche seu filme de dúvidas. Não, ele não tem certeza, as pistas, vez ou outra, apontam para controvérsias. “Das Weisse Band” é também uma experiência estética de primeira linha. Seus closes, planos, e cortes são cuidadosamente estruturados para dar-nos uma violenta sensação de paz em meio à violência e ao ódio. E quanto aos atores? Quem são? Já os vi alguma vez? Talvez, mas são excepcionais. Com seus rostos impassíveis, reprimidos, revelam o potencial autoritário prestes a explodir. Desde a criança mais pequena ao ancião mais carcomido. É, é sim uma imersão na crueldade, na violência, na perversidade, na dor e no sofrimento. Um filme sobre o mal, sem dúvida, mas que transcende seu conteúdo para tornar-se a primeira obra de arte do ano. Uma reflexão poética e lúcida sobre a cultura do ódio. Poética porque estranhamente bela e lúcida porque nunca nos ilude: o ovo da serpente (como disse uma vez Bergman!) continua, como continuará sempre, sendo chocado sob o calor de alguma mãe cuidadosa e, se não estivermos sempre alertas, inclusive para os nossos próprios corações, dele nascerá mais um monstro, reflexo de todos os nossos medos.

 

 



Escrito por Edson Bueno às 00h53
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