Arquivos
 12/06/2011 a 18/06/2011
 05/06/2011 a 11/06/2011
 29/05/2011 a 04/06/2011
 22/05/2011 a 28/05/2011
 15/05/2011 a 21/05/2011
 08/05/2011 a 14/05/2011
 01/05/2011 a 07/05/2011
 24/04/2011 a 30/04/2011
 17/04/2011 a 23/04/2011
 10/04/2011 a 16/04/2011
 03/04/2011 a 09/04/2011
 27/03/2011 a 02/04/2011
 20/03/2011 a 26/03/2011
 13/03/2011 a 19/03/2011
 06/03/2011 a 12/03/2011
 27/02/2011 a 05/03/2011
 20/02/2011 a 26/02/2011
 13/02/2011 a 19/02/2011
 06/02/2011 a 12/02/2011
 30/01/2011 a 05/02/2011
 23/01/2011 a 29/01/2011
 16/01/2011 a 22/01/2011
 09/01/2011 a 15/01/2011
 26/12/2010 a 01/01/2011
 19/12/2010 a 25/12/2010
 12/12/2010 a 18/12/2010
 05/12/2010 a 11/12/2010
 28/11/2010 a 04/12/2010
 21/11/2010 a 27/11/2010
 14/11/2010 a 20/11/2010
 07/11/2010 a 13/11/2010
 31/10/2010 a 06/11/2010
 24/10/2010 a 30/10/2010
 17/10/2010 a 23/10/2010
 10/10/2010 a 16/10/2010
 03/10/2010 a 09/10/2010
 26/09/2010 a 02/10/2010
 19/09/2010 a 25/09/2010
 12/09/2010 a 18/09/2010
 05/09/2010 a 11/09/2010
 29/08/2010 a 04/09/2010
 22/08/2010 a 28/08/2010
 15/08/2010 a 21/08/2010
 08/08/2010 a 14/08/2010
 01/08/2010 a 07/08/2010
 25/07/2010 a 31/07/2010
 18/07/2010 a 24/07/2010
 11/07/2010 a 17/07/2010
 04/07/2010 a 10/07/2010
 27/06/2010 a 03/07/2010
 20/06/2010 a 26/06/2010
 13/06/2010 a 19/06/2010
 06/06/2010 a 12/06/2010
 30/05/2010 a 05/06/2010
 23/05/2010 a 29/05/2010
 16/05/2010 a 22/05/2010
 09/05/2010 a 15/05/2010
 02/05/2010 a 08/05/2010
 25/04/2010 a 01/05/2010
 18/04/2010 a 24/04/2010
 11/04/2010 a 17/04/2010
 04/04/2010 a 10/04/2010
 28/03/2010 a 03/04/2010
 21/03/2010 a 27/03/2010
 14/03/2010 a 20/03/2010
 07/03/2010 a 13/03/2010
 28/02/2010 a 06/03/2010
 21/02/2010 a 27/02/2010
 14/02/2010 a 20/02/2010
 07/02/2010 a 13/02/2010
 31/01/2010 a 06/02/2010
 24/01/2010 a 30/01/2010
 10/01/2010 a 16/01/2010
 03/01/2010 a 09/01/2010
 27/12/2009 a 02/01/2010
 13/12/2009 a 19/12/2009
 06/12/2009 a 12/12/2009
 29/11/2009 a 05/12/2009
 22/11/2009 a 28/11/2009
 15/11/2009 a 21/11/2009
 08/11/2009 a 14/11/2009
 01/11/2009 a 07/11/2009
 25/10/2009 a 31/10/2009
 18/10/2009 a 24/10/2009
 11/10/2009 a 17/10/2009
 04/10/2009 a 10/10/2009
 27/09/2009 a 03/10/2009
 20/09/2009 a 26/09/2009
 13/09/2009 a 19/09/2009
 06/09/2009 a 12/09/2009
 30/08/2009 a 05/09/2009
 23/08/2009 a 29/08/2009
 16/08/2009 a 22/08/2009
 09/08/2009 a 15/08/2009
 02/08/2009 a 08/08/2009

Votação
 Dê uma nota para meu blog

Outros links
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis
 Terras de Cabral
 Gerald Thomas
 BLOG DOS QUADRINHOS
 BLOG DO SÉRGIO DÁVILA
 Ilustrada no Cinema
 Almir Feijó
 Blog do Solda
 PARALAXE - Rafael Barion
 Grupo Delírio Cia. de Teatro
 Omelete - sua cozinha pop
 Cronópios - literatura e arte no plural
 Paulo Biscaia
 Casa da Maitê




A ETERNIDADE E UM DIA Edson Bueno
 


PEQUENOS FILMES DE GRANDES (ALGUNS NEM TANTO!) DIRETORES

Jim Sheridan não é o que se pode chamar de um esteta do cinema, mas fez filmes corretos e interessantes como “Meu Pé Esquerdo”, “Terra da Discórdia” e “Em Nome do Pai”, todos com as devidas celebrações nas noites do Oscar. Andava meio sumido e fazendo uns filmes sem personalidade. Pois bem, chegou ao fundo do poço com “Entre Irmãos/Brothers”. Refilmagem de um filme dinamarquês (que eu não vi), conta a história de um tal triângulo amoroso entre dois irmãos e uma linda mulher, um pouco chorona demais. O marido vai para o Afeganistão é dado como morto e o irmão passa a arrastar a asa para a viúva. Mas o marido volta, carregando nas costas traumas impossíveis de ser superados. Dá no que se pode imaginar. O problema é que Sheridan exagera na frouxidão da narrativa e nunca se sabe ao certo que história ele quer contar. Se é um filme de guerra, um filme romântico; um drama familiar ou uma tragédia épica. Nada acontecesse. Jake Gyllenhaal, Tobey Macguire e Natalie Portman fazem o que podem, mas é tanta cena desnecessária e tanto chove não molha sem que dele se tire qualquer intensidade ou importância, que nada sobra para ser assistido. Comentário por torpedo para minha amiga Eloise Grein: “Meu Deus, que filme ruim!!!”

Ang Lee que é um doce de sutileza e sinceridade, resolveu filmar o livro “Aconteceu em Woodstock”, de Elliot Tiber; uma autobiografia emocionante, original e de uma sinceridade rasgada.  Era de se esperar que ao contar a história que todos conhecem, pelos olhos de um homossexual assumido e com divertidas tendências ao sadomasoquismo, faria mais um filme inesquecível como “Brokeback Mountain”, “Banquete de Casamento” e “Tempestade de Gelo”. O livro é uma lição de vida e dignidade para ninguém colocar defeito. Pois o querido senhor Lee resolvia que de uma narrativa séria, embora bem humorada, rolava uma comediota em cima do muro e ignorou da verdade biográfica seus aspectos mais polêmicos e por isso mesmo, humanos e originais. Transformou o protagonista num tonto deslumbrado e limitou-se a buscar um certo ar de documentário, como se estivesse contando a história do Festival de Woodstock, enquanto o livro e seu autor falam de revolução, preconceitos, transformações sociais, amor e paixão. Inacreditável e irreconhecível. Quem é Ang Lee? Um diretor sensível e corajoso ou um medíocre covarde? O futuro dirá. Comentário por torpedo para minha amiga Eloise Grein: “Um filme indigno do livro no qual se baseou.”

E o velho Martin Scorsese? Com Leonardo Di Caprio e tudo? E baseado no livro de Dennis Lehane, de “Sobre Meninos e Lobos”? Claro que não dá pra colocar no mesmo balaio o grande e insuperável Scorsese com Ang Lee e Jim Sheridan, mas dá pra dizer que apesar de todo o escancaramento cinematográfico exibido em “Shutter Island/Ilha do Medo”, o resultado é bem pequeno. Leonardo Di Caprio é sensacional e está cada vez melhor. A direção de arte (Dante Ferreti) e a fotografia (Robert Richardson) são dignas de aplauso. E como fez em “O Aviador” e “Cabo do Medo”, Scorsese deita e rola no bom e velho cinemão com cara de retrô. Todo o filme é de um vigor impressionante e a busca pelo dramático é quase uma obsessão. Impossível ficar alheio ao visual; e a sensação de desconforto diante da loucura e do aprisionamento é um elemento a ser levado em consideração. Mas claro (tinha que ter um “mas”), a previsibilidade do roteiro rouba qualquer chance de diálogo com o filme.
Aos 40 minutos de projeção, qualquer camarão fossilizado, desde que bem intencionado, adivinha tudo; e então o filme quase afunda no tédio e na repetição. Vira uma historinha. Resta admirar sua beleza cinematográfica rara, mas o envolvimento com a história é zero. E como é evidente, por autor e diretor, que o desejo é de que acompanhemos, vivos de suspense, o desenrolar dos acontecimentos, tudo acaba virando um belo de um chute na trave. Eu acho que chamar o filme de um desperdício de cinema é um pouco de exagero, mas não dá pra negar a falha técnica. Um filme esquecível. Comentário por torpedo para o Abner: “O filme é muuuuito cinema, estranho, tenso, neurótico, mas... previsível!”



Escrito por Edson Bueno às 22h57
[] [envie esta mensagem
]





DUAS OU TRÊS COISAS SOBRE ELA

Ela quem? A Gralha Azul, oras! Não a ave, mas o prêmio paranaense, concedido todo ano aos “melhores do teatro”. O que dizer? Que como disse um dia o grande Nelson Rodrigues (que nunca ganhou uma Gralha!): “A coragem é um momento e a covardia é um momento!” A coragem de assumir a cabeça do peixe. Sim, porque um dia alguém me perguntou se eu preferia ser “bunda de baleia ou cabeça de peixe” e eu, simplesmente não respondi; porque afinal de contas, a vida é uma só e não pode ser vivida em dois lugares ao mesmo tempo. Quero refletir que nesses meus 28 anos de teatro (sim, eu entrei no Curso Permanente de Teatro em 1982!), vi e vivi muita coisa, no que diz respeito ao prêmio, claro! Vi a Lala Schneider subir ao palco do Guairão receber o seu por “Colônia Cecília”; vi o Marcelo Marchioro, elegantíssimo, com uma manta sutilmente caída no pescoço, ir ao microfone e agradecer aos seus pais pela carreira e pelo seu prêmio de diretor por “Eu, Feuerbach”. Vi o Paulo Biscaia, também emocionadíssimo, agradecer seus pais, quando recebeu sua primeira, a de sonoplastia, por um espetáculo sobre Edgar Allan Poe cujo nome não me recordo. Vi, no ano passado, a Patrícia Kamis, com lágrimas nos olhos, reconhecida por estar avançando dentro de uma profissão tão difícil, mas tão bela. Vi o saudoso Mario Schoemberger agradecer seu prêmio de melhor ator por “Mistérios de Curitiba” e dando um choro porque não tinha sido indicado também por “As Bruxas de Salém”, onde, aliás, ele arrasava! Eu mesmo, há 21 anos, subi pela primeira vez para receber o prêmio de Melhor Autor, pelo meu primeiro texto: “Um Rato Em Família”. Ocasião em que subimos todos, eu, o Áldice, Silvia, Pazello, Eliane Karas, Paulo Martins, Paulo Sergio Ramos e Lala Schneider, o “Grupo Delírio”, recebermos o prêmio de melhor espetáculo do ano. Foi juvenil, catártico e emocionante! Uma gurizada (incluindo a Lala!) pulando, rindo e festando a entrada com tapete vermelho, na classe teatral paranaense. E que mais? Tanta, tantíssima coisa!!! Algumas vezes, no transcurso da carreira, eu tive a sensação de que merecia ganhar sempre, porque ninguém era melhor do que eu, e também ninguém fazia um teatro melhor do que o meu! E aconteceram anos em que eu “tinha a certeza” de que o melhor espetáculo era o que eu tinha dirigido (por exemplo, no ano de “Equus”, de Peter Shaffer) e nem sequer fui indicado. Ou anos em que fui indicado, mas “injustamente” fui preterido por outro. Permitia que a raiva e o ressentimento subissem à cabeça e quase, digo “quase”, ouvia os conselhos de amigos dizendo que eu deveria abandonar o prêmio e não me inscrever mais. Tipo assim, a”Gralha” ou a “comissão da Gralha”não eram dignos da minha excelência. Algumas semanas depois, sempre, sempre e sempre, eu parava para refletir em um café desses tantos que existem em Curitiba, e desistia da macabra (para não dizer medíocre ou mesquinha) decisão. “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã!” Grande Renato Russo! E claro, tudo é a minha história! E ela é tão emocionante nos anos em que ganhei, quanto nos anos em que perdi. E nunca deixei de me emocionar com as vozes embargadas, os olhos cheios de lágrimas e o sorriso largo, de todos os que vi subirem ao palco para receber seus prêmios. Tivessem eles, conforme essa ou aquela opinião, merecido ou não. E aí que deixava a questão do prêmio para quem iria concedê-lo. Meu papel? Fazer teatro, como deveria ser de todo mundo que o faz com amor e paixão. E assim sempre iria fazer, independente de prêmios ou até de críticas. E claro, me dava ao direito de torcer, ano após ano, para que me concedessem o que eu consideraria justo ou de direito. Porque a torcida é livre e o que não é, é imaginar que o mundo tem que se moldar à minha maneira de vê-lo. Uma coisa sou eu (como todo artista) e outra coisa e o mundo e os outros. Assim que, nos últimos tempos tenho ouvido que a Gralha está decadente ou doente e que deveria ser extinta, porque só traz desavenças, desconfortos e só é injusta. Sei não. Alguma verdade sempre há e nada há no mundo que não possa ser melhorado ou aperfeiçoado; mas não acho que seja matando o suposto “doente” que vamos curá-lo. Melhor dar-lhe carinho e remédio e ainda, cuidar dele, para que não adoeça de novo. Nesse ano de 2010 fui regiamente presenteado pela comissão com cinco indicações individuais (uma de produtor, duas de diretor, uma de autor e outra de ator) e mais 12 para diversas categorias em três espetáculos que dirigi (Kafka – Escrever é um sono mais profundo do que a morte, A Vida Como Ela É Nelson Rodrigues e Romeu e Julieta), quantas ganharemos? Difícil prever. Não posso negar a expectativa adolescente e a vontade de ganhar algumas, mas a experiência já me deu provas de que posso sair amanhã do Guairinha com as mãos vazias e um sorriso amarelo no rosto. Posso. Então me dá vontade de fugir e não ir ao prêmio. Porque todo mundo sempre quer ganhar. E ainda, naquela reflexão do cafezinho eu concluo que nunca deixaria de ir para a cama com a Nicole Kidman ou com o Johnny Depp por algum tipo de medo de broxar. O negócio é ir e lá, ver o que acontece. E como disse uma vez o Woody Allen: “Sexo, mesmo quando não é bom, é ótimo!” Então que vou aplaudir quem vencer, me emocionar quando e se for eu. E depois seguir a vida porque o tempo não pára. Mas quero crer que sempre, a entrega do Troféu Gralha Azul, independente de seus perdedores e vencedores, deveria ser uma grande festa em homenagem a todos que fazem teatro! Porque fazer teatro, como ganhar a Gralha Azul é difícil, importante... e delicioso!!!

 

 



Escrito por Edson Bueno às 02h13
[] [envie esta mensagem
]





ARTE?

Coisa difícil é definir o que é ou não é arte, além do que é ou não é importante ou do que é ou não é bom ou ruim. Oscar Wilde disse que os governos deveriam se ocupar em criar coisas úteis e os homens em criar coisas belas. Pode ser essa uma pista: coisas belas, independente de seu conteúdo. Em 2010 já assisti a grandes filmes (The Hurt Locker, Precious, Chéri, Easy Virtue) mas apenas três que, além do cinema, são também obras de arte: Avatar, A Fita Branca e, hoje, A SINGLE MAN, de Tom Ford. Por quê? Porque são ousados e destemidos na capacidade de fugir das lógicas narrativas mais do que testadas e ainda mais porque usam a imagem como um Van Gogh um dia usou a tinta ou um Brecheret usou a pedra. Talvez seja difícil compreender, mas é, surpreendentemente fácil de sentir. E o tempo todo em que estava diante de “A Single Man”, tinha a plena certeza de que estava assistindo a uma obra de arte. O fio de história é o de um único dia na vida de um professor, o dia em que ele pretende se suicidar. Perdeu, num acidente de automóvel, o companheiro com quem vivia há 16 anos e não consegue suportar a ausência e a solidão. O diretor? Tom Ford, um dos maiores estilistas dos nossos tempos, nome associado à marca Gucci e uma estrela da moda. Faz toda a diferença. “A Single Man” revitaliza a narrativa cinematográfica, construindo um monólogo interior e colando diversos elementos próprios como direção de arte, fotografia, enquadramentos e ângulos que remetem à subjetividade, sem distanciar-se tanto do corpo da história a ponto de “esfriar” o filme e também sem nunca perder o foco do humanismo. O protagonista sente e o diretor, como um “estilista”, pensa. É um filme doce, romântico e plástico, como tem sido, por exemplo, Almodóvar. Aliás, guardando-se as devidas diferenças culturais, Tom Ford realiza um belíssimo exercício almodovariano. E Colin Firth, indicado ao Oscar, tem um desempenho perfeito. Optando pelo minimalismo, o grande ator inglês assimila a elegância narrativa do diretor e oferece uma performance originalíssima. O mesmo acontece com Juliane Moore, que experimenta o artificialismo da voz e do gesto, acertando em cheio. Fazer arte não é, necessariamente, ser natural ou emotivo. Colin e Juliane são mais do que modernos! E Tom Ford é um sopro de esperança. Seu filme, digno representante de um necessário esteticismo, é simples e emocionante, mesmo fazendo opções radicais que, com certeza, afastam determinada parcela do público, mas aproximam outra; aquela apaixonada pelo cinema de autor. “A Single Man” é uma jóia preciosa, e deixa a expectativa de que Tom Ford faça outros filmes, porque no escurinho do cinema também precisamos de beleza e arte!

PS: Nenhum dos meus amigos que assistiram “A Single Man” (à exceção da Eloise Grein), gostaram. Todos acharam que o excessivo apelo visual comprometeu a emoção. São opiniões respeitáveis, com as quais, não concordo.



Escrito por Edson Bueno às 01h08
[] [envie esta mensagem
]





DIOGO MAINARDI DEU A LETRA

De novo o Manhattan Connection. O assunto era o das superproduções cada vez mais caras e (talvez) piores e os filmes independentes cada vez mais raros e (talvez) bons. Segundo a maioria, os independentes estariam sendo condenados a produções de pouquíssimo dinheiro e confinados às redes de televisão a cabo. Entra o Diogo Mainardi e coloca tudo no seu devido lugar: o cinema, no futuro, vai ser a festa da telona, do 3D e da alta tecnologia. Só isso compensa você sair de casa, enfrentar trânsito, estacionamento, filas, gente sentada ao seu lado na sala escura, comendo pipoca e cutucando seu cotovelo. Você vai assistir a festa com seus filhos, seus amigos, etc. O filme mais complexo, mais comprometido com ideias e experiências de linguagem você assiste em sua casa, numa televisão de 50 polegadas e excelente som. Assiste confortavelmente. Esse é o futuro. Disso, eu também não tenho dúvidas. E aí, ainda o talvez, esteja uma chave para compreender o resultado do Oscar/2010. Resistência. Uma comunidade industrial, que construiu um império de entretenimento, sente que a própria “coisa” vai engolindo seus pequenos e profundos sonhos artísticos. E tenta reparar seu desvio, ainda que num suave suspiro. Tenta, porque no fundo mesmo, precisa dos multiplex lotados, da venda de M&M, pipocas e Coca-Cola aos montes e do blockbuster para sobreviver. Como eu já disse, uma contradição, quase uma esquizofrenia. Pois bem, indo pelo raciocínio do Diogo, dá pra dizer que no futuro (não muito longínquo) - apesar de todas as resistências naturais - cinema e televisão se unirão e servirão aos mesmos fins, um cobrindo o vácuo do outro. E talvez... mais uma vez o “talvez”... Oscar e Emmy seja uma coisa só, porque é impossível lutar contra a marcha do tempo e a evolução das tecnologias. O que nunca vai mudar, como parece muito claro nas (incríveis!) tangências entre “Avatar” e  “Guerra ao Terror”, é o homem e suas ideias. Para encerrar, um outro comentário: a imprensa internacional destacou nessa segunda-feira, a batalha entre Davi e Golias, comentando a vitória do primeiro. Sei não, mas acho que Davi ganhou apenas na noite do Oscar. Golias seguirá vitorioso. O que é preciso compreender é que Golias, nesse caso, não é o vilão, mas o cinema, tanto quanto Davi. No fundo, no fundo, eles empataram.



Escrito por Edson Bueno às 10h26
[] [envie esta mensagem
]





TODO MUNDO QUE NÃO GANHOU, PERDEU ...

Certa ocasião um jornalista me questionou sobre o significado de um prêmio, como, por exemplo, o Troféu Gralha Azul para os espetáculos de teatro do Paraná. Eu tinha a resposta na ponta da língua: didático. É daí que vem a sua importância. Porque se uma comissão ou um colegiado dizem que determinado espetáculo de teatro é o melhor, parte-se de um pressuposto de que ele reúne o que de melhor se fez e, portanto, é um exemplo a ser seguido. E daí também vem a importância de uma boa escolha, caso contrário o tiro pode sair pela culatra. Nesse sentido um prêmio é mais importante que uma crítica. Então que se o tagarela do Rubens Ewald Filho mais atrapalha que ajuda na transmissão do Oscar pela TNT - a ponto de ficar falando enquanto as músicas indicadas são apresentadas e impedindo o espectador de ouvi-las -, ao menos, vez ou outra dá uma a dentro. Ao final da transmissão do Oscar ele disse uma coisa que me pareceu óbvia: o premio de melhor filme para “The Hurt Locker” é uma espécie de tiro no pé. Porque se uma indústria diz que o melhor filme do ano, entre 500 que foram lançados, é justamente um, que apesar de suas qualidades, foi um fracasso de bilheteria, qual o caminho a seguir? Qual é o recado? O que seria dessa indústria se todos os filmes lançados tivessem o desempenho popular do vencedor? Claro, todos iriam à falência, as salas de cinema fechariam e milhares de empregos iriam para o espaço. A própria cerimônia do Oscar deixaria de existir. Daí que em 2010, além de fazer história premiando pela primeira vez uma mulher, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood repetiu o feito, premiando, pela primeira vez um fracasso de bilheteria. Justo no ano em que, para aumentar sua popularidade, ampliou de 5 para 10 os indicados a melhor filme, e justo no ano em que um filme bate o recorde de popularidade no mundo todo, abrindo para a tal indústria uma nova era de popularidade, lucros e progresso.  Não parece crise de identidade ou esquizofrenia? Psicologicamente eu diria que é inveja. “The Hurt Locker” é um bom filme, mas daqui a dois anos ninguém se lembrará dele, mesmo porque não o assistiram; enquanto “Avatar” será lembrado pelo resto da história do cinema. Da mesma forma que todos elogiam, enaltecem e fazem questão de reafirmar que Meryl Streep é a melhor atriz de todos os tempos, mas todos os anos encontram uma outra atriz para premiar, em detrimento de seu talento. Inclusive em 2010, quando escolheram a pior de todas as indicadas para dar a estatueta, em que pese ela ter dado um belo discurso. Qual é o recado? Faça uma carreira de filmecos e quando você fizer um filme mais ou menos, nós te premiaremos. Faça uma carreira de grandes filmes e grandes performances e nós odiaremos você e, hipocritamente, a elogiaremos em público, mas nunca mais a premiaremos. Parece ser esse recado macabro dos membros da indústria. De qualquer forma, foi delicioso ver “O Segredo dos Seus Olhos”, de Juan José Campanella, levar o Oscar de filme em língua não inglesa. O cinema argentino é, disparado, o melhor da América do Sul e deveria servir de exemplo para a nossa indústria de filmecos engraçadinhos e obscuros patrocinados pelo governo. Reflexões à parte, foi bom ver um belo filme (como “The Hurt Locker”) ser reconhecido; ou ver incríveis performances como as de Mo´nique e Christoph Waltz saírem premiadas, mas o que quis dizer a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood em 2010? Que a grande revolução imagética não é considerada “artística”? Que entramos numa nova era onde o cinema político e de conteúdo social é q ue vai dar as cartas?  A resposta virá com o tempo e qualquer especulação é puro desperdício de ideias.

OS: Está cada vez mais difícil blogar no UOL. Hoje, por exemplo, não foi possível publicar imagens. Ontem, tentei blogar o texto sobre o filme “A Single Man”, de Tom Ford e não consegui. Sei não...



Escrito por Edson Bueno às 07h57
[] [envie esta mensagem
]



 
  [ Ver arquivos anteriores ]