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A ETERNIDADE E UM DIA Edson Bueno
 


A INCRÍVEL ARTE DE DESTRUIR

Leio hoje no blog de Zé Geraldo Couto um artigo mais do que brilhante, intitulado “Como destruir um filme” - http://blogdozegeraldocouto.folha.blog.uol.com.br/arch2010-03-14_2010-03-20.html - e depois disso aconselho qualquer leitor inteligente a lê-lo. Zé Geraldo explica em poucas e concisas palavras como a disposição prévia de um crítico determina a sua sentença: “O que quero dizer é que a avaliação de uma obra depende muito da disposição prévia do crítico. Se ele quiser destruí-la, nada o impedirá de fazê-lo, nem mesmo a qualidade da obra em questão.” E termina o post com uma suposta crítica negativa a “Hamlet” de Shakespeare, que por si só ilustra a ideia. Vai lá, leia! Garanto, vale à pena! Pois bem, anos e anos de teatro deram-me a certeza de que a relação entre a crítica e a obra de arte é uma relação de amor e ódio que não tem conserto. Certa ocasião num debate sobre a crítica, sei lá em que edição do Festival de Curitiba, um determinado crítico (cujo nome sei bem, mas não vou denunciar aqui!) saiu-se com essa: “O crítico quer, no fundo, conversar com o criador; apesar de que cada vez os donos de jornais diminuem ao máximo o seu espaço.” Eu não resisti e perguntei: “Se você não tem espaço suficiente em seu jornal, porque não fala direto com o tal criador?” E rebati: “Se eu fosse o dono do jornal colocava você na rua, porque em princípio você é pago para conversar com o leitor, e não com o tal criador!” Fez-se o silêncio e o tal crítico que nunca foi com a minha cara, deve ter me odiado mais ainda. Enfim, desafetos nos acompanham pelo resto da vida. Toda moeda tem dois lados. Segundo Peter Brook  a responsabilidade pela existência da crítica é do próprio artista. Porque o público quando compra o ingresso do teatro não tem a menor ideia do que está comprando e como dinheiro é dinheiro, alguém precisa avalizar a opção. Se os artistas não fizessem tanto “teatro morto”, o público não ficaria vacinado e os críticos perderiam a razão de existir. Peter Brook também afirma uma outra verdade incontestável: em todo lugar onde não existe crítica, a mediocridade reina. Então, que apesar dos pesares, doa a quem doer (e às vezes dói muito!), que vivam os críticos! Mas porque estou falando nisso? Porque estamos no meio do Festival de Curitiba e os críticos deitam e rolam. Se estamos no reino do teatro, também estamos no mundo encantado das opiniões escritas impressas; e as que viajam internet afora. Todo mundo sabe de tudo e todo mundo é muito inteligente!  E a gente lê cada coisa!!! E ontem, não uma crítica, mas uma futura jurada do Troféu Gralha Azul veio conversar comigo, após a minha premiação com 4 troféus na última edição (*). De cara ela olhou profundamente nos meus olhos e disse: “Em 2010 eu estou no júri da Gralha Azul e você, Edson Bueno, para mim é hors concours!!!” Engoli em seco porque antes mesmo de encenar qualquer coisa, a tal disposição prévia entrou em cena e só pude responder “eu tenho que fazer sempre a minha parte que é teatro e, imagino, que você deva fazer a sua, que, em princípio, é a de premiar quem fez o melhor trabalho; seja o artista novo ou velho.” Deveria ser, não? Mas todo mundo quando assume a condição de juiz, ao invés de assumi-la com a humildade da função, imagina que é Deus e que vai reformar a humanidade segundo as suas próprias leis, aquelas com as quais ele vai dormir toda noite e deixa embaixo do travesseiro quando sai pela manhã para a vida e para a sobrevivência; sem perceber que todo o problema é que ele, simplesmente, não consegue enxergar um palmo diante do nariz. Porque Nelson Rodrigues já disse e ninguém nunca ouviu: “Não tenha nunca medo do óbvio; e menos ainda do óbvio ululante!” Fazer o quê? Teatro!!! Porque 2010 vai ser bipolar.



Escrito por Edson Bueno às 11h55
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CASO TENHA PÚBLICO...

 

...haverá espetáculo! Pois bem, ontem foi o segundo dia do Festival de Curitiba e, caso tenha tido público e nenhum espetáculo tenha sido cancelado, já aconteceram aproximadamente 160 apresentações teatrais. Desde funções Vips, como a Mostra Oficial, e dela já se pode dizer de “Till, a Saga de um Herói Torto”, do Grupo Galpão de Minas Gerais e “Música Para Ninar Dinossauros” do querido Mario Bortolotto; até títulos menos cotados como “A Putaria” e “Na Horizontal Todo Mundo é Igual”! O Festival de Curitiba às vezes me lembra as Lojas Americanas uma semana antes do Natal. É um desespero total para assistir qualquer peça de teatro e o sujeito (o cidadão comum, quero dizer...) poder, no dia seguinte, dizer aos colegas de trabalho, entre um cafezinho e outro, que assistiu alguma coisa. Senão ele está literalmente “off”!!! Mais ou menos como se você não souber quem é Marcelo Dourado, Cacau, Dicesar, Anamara ou Serginho do Big Brother. Dia desses fiquei sem assunto em uma mesa de bar porque não fazia a menor ideia de quem eram essas pessoas. “Mas como?”, disse um interlocutor, “Você não acompanha nem pela internet? Se até o site do UOL tem um ícone especial. Está lá, na barra da esquerda... BBB 10!” Na mesma noite passei a ler pelo menos as chamadas, pra não me sentir tão fora de moda. Por exemplo, hoje fiquei sabendo que o tal do Dourado está ficando deprimido no confinamento. Coitadinho! Pois voltando ao Festival de Curitiba. Como o BBB 10, o Festival é, sem dúvida, uma vitória do marketing. Claro, se o sujeito conseguir passar por cima de todos os primeiros apelos, acaba se deparando, numa esquina ou outra, com a boa arte. Mas também, nem todo mundo está interessado. E as Lojas Americanas no Natal, vendem desde cuecas vagabundas a R$ 5,00 o par, até cuecas de excelente qualidade a R$ 25,00 a unidade.  E, querido leitor, pode crer, tanto as vagabundas, quanto as de melhor qualidade, as cuecas duram mais. Como disse o grande Peter Brook: “Teatro é feito no vento!” E a grande batalha do marketing é você conseguir (você, artista!), pelo menos ser visto nas condições em que se apresenta. Afinal, alguma diferença deve haver entre “In On It”, do genial Enrique Diaz e “A Putaria” ´um espetáculo que narra a que se sujeita o indivíduo em busca da fama´ conforme a sinopse do Grupo Teatro das Almas, daqui de Curitiba mesmo. Se tivesse tempo iria assisti-lo, porque um título não quer dizer nada (ou quer?), mas como escolher nesse universo de mais de 300 espetáculos? Pensando bem, “nesse universo”, um título diz e muito; e, por exemplo, se você não está a fim de putaria, não é esse o espetáculo que você vai acabar assistindo, mesmo que por ventura, venha a ser melhor (ou mais adequado) que “In On It”! Estariam, graças ao Festival de Curitiba, todos no meio balaio? Anos atrás assisti a um tal “Sou ator mas não sou gay”. Fiquei na dúvida se os atores estavam interpretando heterossexuais ou eram mesmo. Pensei em encenar para o próximo ano “A Correria”, um espetáculo que narra a que se sujeita o indivíduo em busca de um ingresso para o Festival de Curitiba; ou “A Baixaria”, um espetáculo que narra a que se sujeita o indivíduo para participar do Festival de Curitiba.  Ou talvez “A Porcaria”, um espetáculo sobre um cara que comprou ingresso para assistir um dos cem “stand up comedies” do festival e se deparou, por pura distração, com uma verdadeira obra de arte. O espetáculo narraria o ódio do cara, voltando para casa, decepcionado com a perda de tempo e dinheiro. Poderia ser um monólogo, um outro “stand up comedy”, ao avesso, uma comédia engraçadíssima! Entre alhos e bugalhos o Festival de Curitiba vai começando. Abriu suas portas em 2010 com uma farsa medieval, aliás, profissionalíssima!!!  Dionísio, Apolo e Mammon disputando cada palco do “petit pavê” curitibano, e seja o que Deus quiser! Já que a vida é uma mistura, mesmo!!!



Escrito por Edson Bueno às 05h13
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IMAGINAÇÃO

Troféu Gralha Azul. Segundo a Renata, eu estava muito elegante!!!

Ontem, entre oito e dez da noite, vivi uma bela reunião com o Grupo Pausa sobre o trabalho de 2010. Machado de Assis nas paradas! Conversamos tanto e sobre os “porques”, os “comos”, os “quem sabe” e os “talvez”. Ah, como é difícil conciliar nossos tempos! Todo mundo é tão ocupado, até parece que ganhamos milhões. E talvez por ganharmos tão pouco por tanto que fazemos, temos tão menos do que merecemos, mesmo que seja em tempo. No meio da reunião, lembrei de uma matéria do Caderno G, da Gazeta (retirada do New York Times), sobre uma nova biografia da Nina Simone, escrita por Nadine Cohodas. Lá pelas tantas, quando a cortina se fechou para o tempo de Nina, a matéria conta como aconteceu:

... durante suas duas últimas décadas (ela morreu em 2003), ao passo que sua doença progredia, considerações financeiras compeliram Simone a trabalhar. Ela precisava fazer dinheiro – para ela mesma e para os seus cujo sustento dependia dela – e seus concertos se tornaram exibições públicas de sua vida e saúde mental decadentes. Cohodas captura um momento lastimoso quando, após uma apresentação no Swing Plaza em Nova York em 1983, agentes federais apareceram para confiscar suas posses, porém não puseram as mãos no dinheiro deixado dentro de um balde que dizia “Sociedade para a Preservação de Nina Simone...

Por que a lembrança? Talvez porque precisamos o tempo todo criar e... fazer dinheiro. Exatamente como vaticinou Karl Marx em “O Manifesto do Partido Comunista”. Falamos de arte e também de outros prazeres como cinema, esporte, restaurantes, viagens, amores e festas. É preciso dividir a vida em boas partes, porque o hoje não vira amanhã, apesar de acreditarmos que sim. Foi uma boa e instigante reunião. Pensar um novo trabalho é sempre impactante, porque o teatro é um exercício coletivo, e cada vez mais, tudo pode acontecer, até o nada absoluto, que de tão nada pode virar só absoluto. O que, verdadeiramente, desejamos? Até que ponto estamos dispostos a colocar grande esforço para um resultado além do mediano? Tudo é, e sempre será o tempo quem vai dar as respostas. Com a cabeça cheia de desejos caí direto na Cantina do Délio para  um divertido jantar na companhia de delícias pessoas (Giovana, Laura, Samir). Outras foram aparecendo, inclusive a Tania e a Lica que confirmam estar trocando Curitiba por Belo Horizonte. Quantas vísceras curitibanas elas vão levar embora? Mas às vezes é preciso mudar, mesmo que seja de endereço. Bem tarde chegou o Diego pra comer uma lasanha à bolonhesa que talvez estivesse gostosa, não sei... e levar mais uma multa de trânsito. É difícil contracenar com a lógica das leis no meio da madrugada. Depois voltei pra casa, embora estivesse com vontade de continuar rodando a noite. Pra que? Talvez o corpo estivesse pedindo sofrimentos e cansaços. Chego em casa e ligo o computador para ouvir no YouTube a Annie Lennox cantando “A Whiter Shade Of Pale” que eu adoro. Abro a caixa de e-mails e minha amiga Jane D´Ávila aponta o futuro. Ela me diz o seguinte: “Adoro seu trabalho e penso que você é como uma grande montanha russa. São momentos de nunca saber o que vem após a grande subida; mas você está lá firme e forte.” Pois é, o que virá? Mistura de pé no chão, no espaço, no sonho e no ingênuo, me refugio nas palavras do Osho, pra ver se ele ilumina esse 2010 que se promete bipolar. “Imaginação”... talvez...

 

Negada, a imaginação se torna muito vingativa; negada, ela se torna um pesadelo; negada, ela se torna destrutiva. Fora isso, ela é muito criativa. Ela é criatividade e nada mais. Porém, se você negá-la, se não admiti-la, começará um conflito entre sua própria criatividade e você mesmo, e você perderá.

A ciência nunca poderá ganhar da arte; a lógica nunca poderá ganhar do amor; a história nunca poderá ganhar do mito; e a realidade, comparada com os sonhos, é pobre, muito pobre. Assim, se você carrega alguma ideia contra a imaginação, abandone-a, porque todos nós a carregamos – esta época é muito contrária à imaginação. Ensinaram as pessoas a serem factuais, realistas, empíricas e todos os tipos de tolices. As pessoas deveriam ser mais sonhadoras, mais inocentes, mais extasiadas. Elas deveriam ser capazes de criar euforia, e somente através disso você alcançará sua fonte original.

Deus deve ser uma pessoa imensamente imaginativa. Olhe para o mundo! Seja lá quem for que o tenha criado ou sonhado, deve ser um grande sonhador... tantas cores e tantas canções... A existência toda é um arco-íris; ele deve ter vindo de uma profunda imaginação.

Tomo um banho, vou ao site do Festival de Teatro ver quantos ingressos foram vendidos para “Kafka” e “A Vida Como Ela É”. Nenhuma novidade. Apago as luzes e vou dormir, talvez sonhar...

 



Escrito por Edson Bueno às 15h24
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