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A ETERNIDADE E UM DIA Edson Bueno
 


GIVE PEACE A CHANCE

Uma das boas lições que aprendi no Curso Permanente de Teatro, da (antes) Fundação Teatro Guaíra (recebi muitas!), foi um legado de Bertolt Brecht: “Se o teatro não pode mudar o mundo, pelo menos tem que mudar quem faz o teatro.” Pois é, a arte tem dessas coisas. Verdade que ela reflete o artista, mas também é verdade que o exercício da arte modifica o artista, dá a ele uma dimensão humana que nem imaginava possuir. Nem todos os artistas, claro, mas em alguns casos essa transformação alcança degraus altíssimos. É o caso de John Lennon. Enquanto seus companheiros de banda seguiram suas vidas particulares usufruindo deliciosamente as glórias da genialidade e da harmonia, ele percebeu o verdadeiro homem que habitava seu espírito. Lembro de que na época da dissolução dos Beatles, Yoko Ono, era considerada quase um demônio de maldades e a grande responsável pelo fim. É claro que o tempo e a história se encarregaram de mostrar o contrário. Lennon e Yono viveram um grande amor e, provavelmente, ela incentivou a sua mudança de atitude, fez-se a grande companheira de ativismo anti-guerra e deu-lhe a segurança pessoal para seguir encarando gente poderosíssima. Como Paul, John e George não estavam interessados em política, tudo virou sombras e o sonho acabou. John perdeu o interesse pelo oba-oba das adolescências e resolveu ser grande. Conseguiu. Fui, curioso, assistir “Os EUA vs John Lennon”, o documentário de David Leaf e John Scheinfeld, que, com grande vigor, conta a grande batalha travada pelo compositor contra o governo belicista, corrupto e (quase?) tirano de Richard Nixon. Uma demonstração de forças de cada lado, onde um (John) usava as palavras, o prestígio e a música para pregar (incrível!) a paz e o fim da guerra, enquanto o outro usava todos os artifícios escusos, ilegais, legais e violentos para fechar a sua boca e mandá-lo de volta para a Inglaterra. John Lennon foi gigante! O documentário é uma jóia preciosa. Além de declarações de figuras importantes como Ron Kovic (de Nascido em 4 de Julho), Angela Davis (dos Panteras Negras), Carl Bernstein (do Caso Watergate) e Gore Vidal, traz a própria palavra de John e Yoko, em recuperações de imagens históricas. São quase duas horas onde a palavra dignidade é uma constante. Saí do cinema com a certeza de que, realmente, é, principalmente nos nossos tempos, quase uma batalha perdida aquela em que um homem resolve encarar poderes. Quando grandes poderes caem é porque outros grandes poderes decidiram, não porque uma voz, por mais justa e forte que seja, resolveu desafiá-lo. E isso também não é novidade. Qualquer filmeco americano sobre grandes corporações deixa isso sempre muito claro. Mas também, é vibrante, ver a transformação de um homem nele mesmo, sua luta para permanecer digno e coerente com suas ideias.  “Somos cada vez mais autênticos, quanto mais nos aproximamos do que sonhamos para nós mesmos.”, disse o querido Almodóvar, pela boca de um travesti, em “Todo Sobre Mi Madre”. Esse belo documentário nos coloca diante da autenticidade de John Lennon e mais uma vez nos deixa mudos e pasmos diante de seu assassinato, aos 40 anos. O documentário é a história de uma transformação quase obsessiva, e ao mesmo tempo a força da individualidade. Um homem é muito importante e essa civilização decadente da qual fazemos parte, só dará verdadeiros passos de evolução quando realmente voltar-se para tal. Um homem com suas simples palavras, por mais importantes, justas e fortes, jamais modificará o mundo, mas transformará sua própria vida, fazendo dela uma história digna e importante. Como os justos que dormem em paz, todas as noites, John Lennon, idem. A humanidade lhe deve muito e isso não é figura de retórica. É bom acreditar nisso e é, acima de tudo, esperançoso.



Escrito por Edson Bueno às 01h53
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QUEM VAI PARA O TRONO?

Prêmios. A Giovana Soar me diz que inventaremos qualquer dia desses, espero que não demore muito, uma reunião sobre o Troféu Gralha Azul. As pessoas se mexem e todo mundo, de um modo geral, gosta de uma premiação justa. Mas o que é justo para uns, não é para outros e embarcamos todos no maravilhoso mundo da subjetividade. De qualquer forma é bom conversar, modificar, repensar, porque pelo menos a festa de entrega dos prêmios tem que ser mais divertida e festeira. E isso é fácil de resolver. E o que é difícil, bem... o que é difícil nunca foi fácil; que é, justamente, decidir quem é melhor que quem! Durante o Festival de Teatro de Curitiba bati um papo com o Macksen Luiz, crítico de teatro do Jornal do Brasil. Ele foi assistir “A Vida Como Ela É Nelson Rodrigues” e durante uma meia hora antes do espetáculo trocamos boas ideias. Conversa pra lá, conversa pra cá, eu falei de “In On It” do Enrique Diaz e expressei o meu mais profundo apaixonamento por aquele espetáculo. Achei interessantes algumas restrições que ele colocou à direção e isso só reforçou a minha opinião de que, realmente, tudo e nada e provável, porque somos duas pessoas, cada um no seu trabalho (ele crítico, eu artista), que sabemos muito de teatro. E com tudo isso, ainda vemos as coisas através de aspectos diversos. Assim é e assim sempre será. Mas, além do Enrique Diaz, conversamos sobre os dois atores de “In On It”: Fernando Eiras e Emilio di Mello. E sobre os prêmios, no caso o mais importante do teatro brasileiro, o Shell. Uma coisa é indiscutível (sei lá!): a interpretação desses dois espetaculares performers! E apenas o Fernando Eiras foi indicado como ator no grande prêmio. Ok! Caso o Emílio tivesse se deixado engolir, amarelado ou tivesse negado fogo, diante do desafio, compreenderia ele não ter sido indicado; mas o cara estava simplesmente no mesmo nível do Eiras! Deitava e rolava! E “In On It” é um espetáculo ancorado na performance desses dois atores, que davam respostas exatas de talento, sensibilidade, domínio de cena e recursos infinitos. E eu não estou exagerando. Então por que só o Fernando foi indicado? Qual o critério? Qual o mau humor? Como eu disse ao Maksen, quer acreditemos ou não, com toda a experiência e conhecimento de vida que um artista tenha, ele fica magoado quando uma coisa dessas acontece. Dói profundamente, enquanto a tristeza e a sensação de desprezo vão perseguir o cara por muitas estações. Podem crer! Não há grandeza humana, nem humildade de Almanaque Sadol, muito menos horas de voo que dêem conta de um sentimento de exclusão desse nível. Por quê? É a pergunta que me vem à cabeça quando leio que o Fernando Eiras foi premiado (como eu tinha certeza!) e deixaram o Emilio de fora, injustamente, na hora da festa. Barraram o maravilhoso ator no baile do teatro! Coisas desse nosso mundo de insensibilidades infinitas e crueldades de beco escuro. Há oito anos, o musical “The Producers”, do Mel Brooks foi indicado a diversos prêmios Tonys, na Broadway. Levou doze, acho. Seus dois protagonistas, Nathan Lane e Matthew Broderick, foram indicados como atores. Foram festejados e acariciados até o dia da premiação, quando quem ganhou foi Nathan. O grande comediante subiu ao palco e, de prêmio na mão, discursou: “Não existe Nathan Lane sem Mathew Broderick, nem existe Mathew Broderick sem Nathan Lane!” É isso aí. Assim é o teatro e assim deveriam compreender diretores, críticos e comissões de premiação. Os atores e o público sempre souberam.

PS: Ontem à noite, jantando com minha amiga Teresa Citelli e seu filho na Cantina do Délio, ela me contou que há muito tempo não ia ao teatro, até que uma sobrinha convidou-a para assistir “In On It” no Tetro da FAAP, em São Paulo. Ficou na dúvida se ia ou não até que leu o nome dos dois atores no elenco e pensou: “Se tem bons atores, sempre será bom teatro!” E foi. E não se arrependeu.



Escrito por Edson Bueno às 09h06
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ALMANAQUE SADOL

Inveja. Pois é, talvez por algum tipo de carência afetiva, mais do que por necessidade de dinheiro, não paro de trabalhar. E quando percebo, tenho o dia inteiro tomado, das oito da manhã até onze da noite, e ainda, quando me sobra um tantinho de tempo no fim do dia, o cansaço é tanto que a melhor opção (ainda bem!) é ficar em casa agarrado ao Speechless (meu cachorricho!), que como disse um ex-ministro “também é gente” e precisa de amor. Mas o Speechless recebe amor de todos os lados. Ele é a prova de que vivemos à deriva. Enquanto muitos cachorros vivem largados, carentes de um agrado e um cuidado qualquer o Speechless veio ao mundo para receber amor, amor, amor. Desde o dia em que eu o comprei, aos dois meses. E ele já está com oito anos. Mas pensando em agrados, cuidados e amor... gente, não? Rs. Mas qual era o assunto mesmo? Ah, sim, ia falar de cinema e as impossibilidades e as contingências. Houve um tempo em que eu gostava mesmo era de ir ao cinema sozinho. Era uma das minhas felicidades clandestinas. Principalmente aos sábados à tarde. Morava no Bachacheri, pegava um ônibus e ia para o centro, gritando de alegria no coração. Se dava, ia quase sempre ao Cine Condor, meu preferido (hoje é um estacionamento!), onde assisti pela primeira vez “Os Dez Mandamentos”, “A Noviça Rebelde” e altas estréias, “Pretty Baby”, “Caçadores da Arca Perdida”, E.T.”, “Poltergeist”! O tempo passa e hoje prefiro companhia para antes e para depois. Antes um café, um lanche qualquer aí o filme, e depois papo. Mas, porque sem o “mas” não tem história, nos últimos dias não tenho podido ir ao cinema, muitos afazeres artísticos. E fico com inveja de quem pode, de quem não precisa trabalhar tanto, de quem pode se dar ao luxo de não fazer muita coisa, se bem que ir ao cinema é tanto! No domingo, apesar de ser domingo, estava tão cansado que nas três horas que tinha para ver um bom filme no cinema, preferi ficar em casa, deitado no sofá e, nem sei direito porquê (já sei!), assisti pela enésima vez “O Exorcista”, do William Friedkin. Que filmaço!!! Fico pensando seu sucesso e porque, depois de quase 40 anos, ainda é intenso e perfeito. Claro, não é pelo diabo (o cinema inventou tantos!), nem pela violência, e nem, talvez, pela direção perfeita do Friedkin, mas talvez pelo roteiro. No fundo, no fundo é uma história de mãe e filha. De dor e impotência, de sofrimento por amor. Os arquétipos dando as cartas. E o Padre Karras e o Tenente genial do Lee J. Cobb, transmitem o tempo todo uma solidão tão agarrada nas entranhas! É um filme que, apesar do demônio, fala de gente de carne e osso. Sempre disse tanto isso aos meus alunos de roteiro da Academia Internacional de Cinema, mas eles quase nunca acreditaram. Ainda acham que cinema é efeito, técnica, montagem, altos movimentos de câmera e estilo. Não se importavam com Aristóteles, Freud, Dostoievski, Machado de Assis, Karl Marx, Hitchcock, Fellini e Trufaut! Tudo é roteiro, filhos! E também bons atores. Pois então, cinema... Nesta manhã chuvosa de uma Curitiba fria, fico pensando se, durante a semana, vou achar tempo para assistir ao filme coreano de vampiros, ou ao documentário sobre a briga do John Lennon e o governo americano, ou ainda ao filme argentino que ganhou o Oscar e o desenho animado do dragão em terceira dimensão. E o brasileiro que está sendo exibido na Cinemateca e que o Paulo Camargo falou que foi o melhor de 2009? Será que vou conseguir? Preciso achar um jeito, é importante. Com ou sem companhia.



Escrito por Edson Bueno às 09h18
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VIDA

É tão bom ir ao teatro! Depois dessa sessão de sábado, quando fomos assistir “Vida”, do Marcio Abreu, da Giovana Soar, da Nadja Naira, do Rodrigo Ferrarini e do Ranieri Gonzalez, a primeira coisa que me veio à cabeça e eu disse ao Abner, sem a menor preocupação em ser mais ou menos inteligente: “Se acontecesse um espetáculo como esse por semana em nossa cidade, nossos teatros viveriam abarrotados de público. Sempre!” Poucas vezes vi uma peça de teatro tão generosa como “Vida”! Como diria a minha amiga Regina Bastos: “Que não regula miséria!” É uma cachoeira de beleza, inteligência, poesia, paixão, graça, vida e prazer. E, nem de longe se propõe escapista, ao contrário, trata de nossas aventuras e desventuras com equilibradas doses de carinho e crueldade. Impressionou-me, especialmente, o desejo claro e evidente de ser “compreendido”, de realmente se comunicar, de valorizar a expressão como narrativa de aproximação e intimidade. E mais, numa dramaturgia livre e despojada, que (perdão pela obviedade!) me lembrou tanto Alain Resnais (sempre), quanto Godard (em seus momentos de bom humor!). E não é à toa que o cinema aparece no comentário, como também deveria aparecer o cartoon (o de Jules Feiffer ou até de Bill Watterson); porque os atores experimentam as diversas linguagens de todos eles, dando forma a uma nova teatralidade, aquela onde tudo se mistura sem preocupações formais, onde a elaboração parece nascer da espontaneidade. Tudo pode acontecer no simples, requintado e elaboradíssimo espetáculo do Marcio Abreu, porque, como ensinaram Resnais e Godard, o cinema (como no caso, o teatro) é um outro lugar, aquele onde o que determina a narrativa é a edição, principalmente no caso de “Vida”, onde a edição é executada pelos atores, como aliás, deveria acontecer sempre no bom teatro. De um parágrafo cênico para outro, a linha é ultrapassada por atores inteligentes, que dominam a cena com maestria e emoção. Não sou crítico, então não tenho que ficar apontando qualidades desse ou daquele, mas não posso deixar de admirar a Giovana Soar, com sua entrega de carne, sangue e safadeza e o Ranieri, com seu exercício de carne, sangue e profundidade. E o Rodrigo? Carne, sangue e singeleza. A Nadja? Carne, sangue e sofisticação. Um chuá! Um banho de loja! Um jato de perfume! Um beijo de língua! Um passeio pelas nuvens e um giro em câmera lenta, pelo espaço sideral, em torno da Terra. Alan Resnais com “O Ano Passado Em Marienbad”, de 1961, deu alforria ao cinema; “Vida” com sua festa de palavras, intenções e sutilezas, parece alforriar o teatro, dar-lhe novo fôlego, abrir-lhe novas portas e janelas; ter a coragem despretensiosa de fazer teatro no colo do espectador. Cutucando-lhe a orelha, enfiando o dedo no nariz, beijando sua bochecha, fazendo cafuné e sussurrando-lhe no ouvido, as palavras mais finas de humanidade, sem juízo, sem preconceito, sem arrogância, sem arestas. Apenas fluindo como atores livres da lei da gravidade, que narradores sensíveis e mestres, flutuam pelo teatro e contam da vida tudo o que podem e sabem. São comentários, testemunhos, experiências e opiniões, ditas na medida certa; e silêncios vividos no tempo exato! Ave Teatro! Saí do Teatro José Maria Santos com a sensação de estar vivendo no melhor dos mundos, aquele onde teatro é importante, profundo, artístico até os ossos e humano, profundamente humano!!! “Vida” é pra sempre!!!



Escrito por Edson Bueno às 02h52
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