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A ETERNIDADE E UM DIA Edson Bueno
 


MICHAEL

Quem não gosta de Michael Caine, não gosta de cinema, não entende de interpretação e bom sujeito não é. Forcei a barra? Talvez. Tempos atrás, assistindo ao “Inside Actors Studio”, presenciei uma das mais divertidas lições de interpretação de todos os tempos. Um garoto, estudante de teatro, pergunta a Michael como deve ser uma interpretação. Ele responde que um ator deve sempre interpretar para a sua mãe. Se ela, na plateia, vendo-o no palco, começar a exclamar algo como: “Não, esse não é meu filho!”, “Não, meu filho jamais faria isso!”, “Eu não acredito que eu estou vendo meu filho fazer isso!”; então é um verdadeiro ator no palco; se a mãe ficar por demais orgulhosa, pode saber que, artisticamente, o resultado é pobre. Pois, aos 77 anos, Michael Caine tem uma história infinita no cinema e, como ele mesmo reconhece, recheada de filmes da pior qualidade. São 147 filmes, desde 1956, mas o primeiro para o cinema foi “How To Murder a Rich Uncle”, de 1957. Em 1999, quando ganhou seu terceiro Globo de Ouro, por ator em comédia/musical, pelo filme “Little Voice”, fez um mea culpa público, prometendo nunca mais emprestar seu talento a filmes de baixa qualidade. Aliás, vale dizer que a sua performance por esse filme é tão rica, que ele merecia ter sido indicado ao Oscar. Não foi. Caine especializou-se em interpretar um certo tipo de macho em decadência, uma espécie intermediária entre o macho parada dura, imortalizado por atores como Humphrey Bogart e Charlton Heston e o macho castrado, aquele que, sobre a vida, tem mais dúvidas que certezas, e, para quem, tudo é mais importante que o sexo, ou pelo menos a atitude decorrente dele. Dustin Hoffman, William Hurt e Al Pacino são bons exemplos. Mas que ninguém se iluda, Michael Caine, entre tanta ruindade, tem filmes memoráveis, inclusive aquele pelo qual recebeu a sua primeira (dentre seis!) indicação ao Oscar: “Alfie/Como Conquistar as Mulheres”, de 1966, onde interpretava um incorrigível (e irresistível!) sedutor, que, embalado por uma música lindíssima de Burt Bacharach (http://www.youtube.com/watch?v=4hUhtLYhlhE), explicava para a câmera como as coisas realmente aconteciam, nas partes baixas (os testículos), nas médias (o coração) e nas altas (o cérebro). Michael ganhou dois Oscars. O primeiro por uma interpretação memorável, em um filme memorável, “Hannah e Suas Irmãs” (1986), de Woody Allen e o segundo em 1999, por “Regras da Vida”, um belo filme cafona. Até hoje tenho dúvidas de quem merecia aquele prêmio (ator coadjuvante), se Michael ou Tom Cruise por “Magnólia”, ou Haley Joel Osment por “O Sexto Sentido”. Sei lá! Britânico de incrível humor, ao colocar as mãos em seu segundo Oscar, ele apontou a intenção para Tom Cruise e disparou: “Acredite, Tom, foi melhor você não ter ganho. O prêmio de coadjuvante costuma derrubar a cotação de seu cachê!” Enfim, Michael Caine tem em seu currículo verdadeiras jóias, como “Sleuth/Jogo Mortal” (1972), “O Homem Que Queria Ser Rei” (1975), “Educating Rita” (1983) e “The Quiet American”, de 2002, que é um triller político do mais alto nível. Está estreando nos EUA, um novo filme: “Harry Brown”, um daqueles policiais porrada, onde um cara meio passado sai fazendo justiça com as próprias mãos. A crítica americana, de um modo geral, gostou, embora os tops tenham torcido o nariz. Como parte da campanha de marketing, Michael Caine saiu por aí dizendo quais os seus 5 filmes preferidos da história do cinema. Suas preferências revelam um romântico, nostálgico de um idealismo raro, na vida e no cinema:

01. Casablanca (1942), de Michael Curtiz

02. O Terceiro Homem (1949), de Carol Reed

03. O Tesouro de Sierra Madre (1948), de John Huston

04. Charada (1963), de Stanley Donen

05. O Falcão Maltês (1941), de John Huston

Destes cinco, o meu preferido é “O Terceiro Homem”, uma maravilha sobre a dignidade, a amizade, o caráter e a decência. Meu Deus, quanta coisa rara em nossos tempos!



Escrito por Edson Bueno às 15h30
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PAIXÃO É TUDO

“Ah! Como são tolas as pessoas apaixonadas. Qualquer migalha as faz felizes!” Digo esse texto em determinado momento de “A Vênus das Peles”, que ensaio com a Pagu e estreamos no dia 9 de junho. Pois é. Migalhas. O que são? Como aos olhos de Deus o monte Everest é uma unha, aos olhos do apaixonado, um piscar de olhos quase vale um orgasmo. Rs. Do que eu estou falando? Do Festival de Cannes, é claro! E de minha paixão pelo cinema. Digo isso, porque não é fácil suportar as palavras dos comentaristas em Cannes (como o Luiz Carlos Merten, por exemplo!) e as migalhas que, por seu intermédio, recebemos via blogs e matérias de jornais. Só pra dar um exemplo, falo do novo Woody Allen “You Will Meet a Tall Dark Stranger” e as mil e uma possibilidades de prazer que tem para oferecer, como as já faladas interpretações de Josh Brolin e Gemma Jones, que muitos já dão como candidata certa à atriz coadjuvante no próximo Oscar. E quando o veremos, aqui em Curitiba? Se “Whatever Works/Tudo Pode Dar Certo”, já estreou em São Paulo e Rio há duas semanas e ainda nem deu as caras por aqui? Quanto ouvirei falar desse Woody e terei que ficar esperando? Roendo as unhas? Mordendo o canto da boca? Batendo a cabeça na parede? Como todos nós, que amamos até seus filmes ruins? E aí tem “Biutiful”, do Iñárritu, com o Javier Bardem de premiação certa em Cannes. E o novo Kiarostami, com a deliciosamente espetacular Juliete Binoche? Ok. Nunca gostei de nenhum filme dele, nem mesmo de “Através das Oliveiras”, sua marca registrada; mas o Merten disse que é o seu preferido em Cannes. Então... E aí que palavras, palavras,  palavras e nunca as imagens! Pobre do apaixonado! Vi no YouTube, um clipe curto, rápido, mínimo de “Biutiful” e nem sei se gostei. Enquanto “Amores Perros” é uma unanimidade, “Babel” tem detratores que simplesmente abominam a arrogância piramidal do diretor mexicano. Eu, que fazer? Gosto do Iñárritu. Acho seus filmes, embora estilizados (porque artísticos!), humanos até os ossos e sempre me emociono com seus personagens perdidos num mundo de mil ideias, palavras, costumes, valores, diferenças irreconciliáveis e perversões. Que fazer? Paixão é isso, não tem explicação! Mas... e o filme coreano “Poetry”, que, segundo li (mais palavras) arrebatou o espírito e a alma do público, tendo sido ovacionado por dez minutos após a exibição? Quem resiste a uma sensível senhora de meia idade (Yun Jun-hee, a Fernanda Montenegro da Coreia), que tendo o Alzheimer à sua porta, entrega-se às palavras (à arte!), à poesia; e começa a esquecê-las? E o novo Mike Leigh (do essencial “Segredos & Mentiras”), com seu “Another Year” e o ator inglês mais eclético e metamorfo, Jim Broadbent (Oscar de coadjuvante por “Iris”, em 2001! Lembram?)? Segundo os críticos é o filme que vai levar a Palma de Ouro no próximo sábado. Ai. Quando veremos esses filmes, de quem falam tanto e ao que parece, tanta arte nova destilam com imagens? Nem digo nós brasileiros, mas nós, eu, curitibanos ínfimos que nunca podemos ir aos Festivais de Cinema do Rio e São Paulo? E que rezamos para que os filmes sejam lançados em vídeo e não celulóide (apesar da evidente queda de qualidade de imagem), porque senão, estamos condenados a nunca vê-los em nossas telas. Como “Mother” da Coreia do Sul ou “Education”, com roteiro do Nick Horby? Onde estão sendo exibidos agora? Ah, migalhas! Não é fácil amar o cinema pelas palavras e não por seus planos, sequências e cortes. Ah! E o canadense “Les Amours Imaginaires” de um verdadeiro garoto prodígio? O diretor Xavier Dolan, de apenas 21 anos e que já está em seu segundo filme de sucesso? Daí que, como sou um tolo apaixonado, vou continuar curtindo cinema pelas palavras que são depositadas ao pé da minha porta todos os dias. Já é alguma coisa, não? E o que resta ao amante apaixonado, diante das migalhas? Esperar e sonhar, que nada custam. Ah! E à sombra do Festival de Cannes, Jafar Panahi, o outro diretor iraniano, do belíssimo “O Balão Branco”, que continua preso pelo regime ditador e assassino do tal Ahmadinejad, entrou em greve de fome e mandou uma carta ao mundo. Aí embaixo, uns trechos dela. O amor também pode ser torturado, aprisionado e humilhado!

 

“Declaro que estou sendo submetido a um tratamento doentio na prisão de Evin. No dia 15 de maio, guardas entraram em minha cela, levaram a mim e meus companheiros, fizeram-nos tirar a roupa e deixaram-nos no frio por uma hora e meia. No dia seguinte pela manhã, me levaram à sala de interrogatórios e me acusaram de filmar o interior da minha cela, o que não é absolutamente verdade. Então ameaçaram prender toda a minha família e maltratar minha filha em outra prisão. (...)”

 “Não tenho comido nem bebido nada desde domingo de manhã, e declaro que, se minhas vontades não forem respeitadas, continuarei com essa postura. Não quero ser um rato num laboratório, vítima de jogos doentios, ameaçado e torturado psicologicamente.”

Jafar Panahi



Escrito por Edson Bueno às 00h50
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FASCINATION

Em determinado momento, no espetáculo que eu e a Pagu estamos ensaiando como atores, mais que qualquer outra coisa artística, que somos (com certeza!), meu personagem enche a boca de intenções e solta: “Me fascina!” E eu sempre procuro os mais intrincados subtextos, para acabar chegando nos mais simples, aqueles que, realmente, realizem aquele momento em sua intensa verdade. É tão raro fascinar-se hoje em dia. Não que não existam coisas e experiências para isso, mas é que vamos consumindo tudo como aqueles antigos comes-comes dos videogames que já eram. E essa palavra... “fascinação”..., de repente começa a freqüentar meus sonhos acordados e sonolentos. Aí me veio uma ideia tolinha, dessas que sempre tenho: vou ao YouTube (parece que sou casado com o YouTube!) e procuro Nat King Cole cantando “Fascination”. E em sua voz originalíssima, tudo fica claro e eu quero morrer de tanta felicidade, simplesmente porque fico fascinado, assim do nada! Às vezes me encanta tanto ser artista e viver a arte, minha e dos outros, que eu me sinto privilegiado, apesar de tudo. Guimarães Rosa não disse que o que a vida espera da gente é coragem? Então, há que se arrancá-la das entranhas, porque a vida que passa ao nosso lado e também atravessa nosso peito é plena de, digamos assim, “coisas”! Rs. No domingo acordei perto das 11 da manhã, sob um acolchoado vermelho deliciosíssimo, que ganhei num dia de muito carinho, de alguém que me ama muito. E meu celular tocava e tocava e eu com aquela preguiça de sair de baixo (ou de dentro?). Mas saí. E era a produtora da Banda Nuvens, perguntando se eu iria assisti-los no Conservatório de Música Popular Brasileira. Claro! E pulei da cama e tomei banho e beijei o Speechless e fiz a barba e coloquei uma roupa muito linda e me senti muito bonito e fui para o Largo da Ordem. E comecei um dia lindo, de arte e prazer! Antes resolvi comprar três sabonetes prazeres: côco, cereja e camomila. E depois, sentei-me sob uma árvore e assisti por uma hora inteira o Raphael e a Banda Nuvens tocarem. Como são bons! Como são poetas e que arranjos fodidos eles criaram para suas músicas. Ouvindo “A Redenção de Bicicleta”, de verdade, arrepiei! E até o Leprevost botou o gogó pra fora, (de olhos fechados e poderoso), com medo de desafinar porque estava gripado. Não desafinou!  E o Raphael canta e a banda toca com tanto tesão! Com tanta crença na importância da música, da palavra, da postura e do encanto. Ah! Fascination!!! E de lá, fui ao Teatro Regina Vogue assistir “Lendas Japonesas” direção do Preto, cheia, cheia, cheia, de amigos por todos os lados! E a narrativa mais do que “num outro lugar”, tanto para uma peça adulta como infantil, foi me deixando molinho e com cara de prazeroso, na segunda fileira do teatro. Quando assisti “A Viagem de Chihiro”, do Miyazaki, tive uma sensação muito parecida. De repente eu era uma criança, que compreende com a sensação e não dá a mínima para a racionalidade. E tudo é tão melhor assim, embora, reconheça, nem sempre é possível! Mas essa não é também uma das funções da arte? E o Preto e a Patrícia e meus tantos amigos ali dentro viraram Miyazakis. Tão linda a peça! Tão sincera e artística! Tão elaborada. Tão cuidadosamente pensada. Como fazemos bem o teatro quando, simplesmente, pensamos que realizamos sonhos e como me disse depois o Preto, com menos cerveja do que gostaríamos que tivesse sido: “Ser feliz é fazer o que se gosta, não importa se é teatro ou qualquer outra coisa. O importante é o que se gosta.” Fascination!!! E tendo a Sabine como motorista, fui ao Teatro José Maria Santos, assim, num pulo! Ser ator, diretor e autor. “Kafka – Escrever é um sono mais profundo do que a morte” vai caminhando já na sua segunda semana. Um teatro lindo, bem cuidado e sempre simpático, de braços abertos. É isso, o Teatro José Maria Santos é um teatro de braços abertos! E a plateia estava muito quente e atenta. O espetáculo foi tão bom de fazer. Pulei do Japão para a Tchecoslováquia assim, no pulo do teatro, e o jovem Kafka, sensível e maluquinho do Marcel, criou vida e viveu sua arte dolorosa dentro de outra, a prazerosa; aquela que fazíamos para uma plateia de fim de domingo, muito envolvida. E pensei, uma bobagem, mas já pensei tantas coisas desde que fazemos esse espetáculo, que me permito, às vezes (quase sempre!), pensar umas inutilidades: “Kafka é a certeza de que não é preciso só fazer comédia ou cenas de riso vendido e fácil, para fascinar o público. Basta falar de coisas importantes e de forma intensa”. E lembrei da Fátima Ortiz, numa entrega do Troféu Gralha Azul, dizendo, microfone afora, o quanto o teatro é importante para acariciar o espírito! Fascination!!! Respirei fundo e corri ao Teatro Novelas Curitibanas, assistir à última apresentação de “ElizavetaBam”. Meus meninos novos e minhas meninas novas!  Nem sei se eles querem ser chamados assim, mas sou tão apaixonado por todos e sua verdade e sua loucura cênica, desejando desbravar o teatro como se fossem Cristovão Colombo, o mar fosse a vida e a América ainda não tivesse sido descoberta. São encantadores e eu adoro todos! E, sei que gosto tanto desse espetáculo, que, embora reconheça as diversas opiniões que suscitou, dispenso as negativas, porque uma coisa que faz tão bem a mim, não pode ser ruim. Não! Adoro-os enlouquecendo em corredores, escadas, janelas, chão, teto e lágrimas nos olhos! Que bom! Amo “ElizavetaBam” e tudo que aprendi, de novo e tanto, com esse espetáculo. Fascination!!! E de lá? Cerveja e gays pra todo lado, no Café do Teatro, se beijando e se paquerando e brincando com a vida de um fim de domingo e um papo delicioso com amigos como o Rodrigo e o Pablito (que me deu de presente ElizavetaBam!) e um, silencioso e vagaroso, reencontro com o Preto. Me senti tão orgulhoso por ele e seu espetáculo e reconheci, com o tempo e todas os sims e nãos que vivemos, o quanto gosto dele! Há 14 anos nossas vidas se cruzaram num espetáculo de teatro: “Prometeu Agrilhoado”. E fico tão feliz em perceber o quanto ele gosta de mim! E rimos e resolvemos numa mesa do Café do Teatro, da Elisa, muitos problemas do teatro, como se tivéssemos muitas das respostas! Mas no fundo, sabemos que não temos. Que o que temos mesmo é paixão e desejo! E depois (com menos cerveja do que queríamos, eu e o Preto),  pra casa, para ainda, antes de dormir, estudar o texto de “A Venus das Peles”, que ensaio com a Pagu. E vou dormir com uma frase que ela colocou na boca do meu personagem. Uma boa frase para dormir depois de um dia lindo de amigos e arte: “Quem não traz beleza em si, não vê beleza em nada”. Aí, amar e dormir. Fascination!!!



Escrito por Edson Bueno às 08h50
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A DESCOBERTA

Nunca é tarde para a ignorância e também nunca é tarde para a luz, nem que pequena, breve, suave e simples; a iluminar a escuridão da nossa arrogância. Nas minhas viagens noturnas (não insones!), comecei a declarar meu amor por Maria Bethânia, ouvindo suas interpretações que me arrepiam mais que a pele, a contrapele (existe a tal?). Claro que existe, pois arrepia. E fico ouvindo e ouvindo e ouvindo-a cantar “O Céu de Santo Amaro”, por exemplo. “... a força desse amor nos invadiu, com ela veio a paz, toda a beleza de sentir, que para sempre uma estrela vai dizer: simplesmente, amo você...”. E como, marca registrada, quando estou aquecendo a voz antes de cada espetáculo, canto a plenos pulmões (não desafino, garanto!) “Sonho Impossível”, a versão de Chico Buarque para o tema principal do musical “O Homem de La Mancha”, resolvi lembrar de Maria ouvindo-a. Ela é única, embora Richard Kiley tenha imortalizado sua interpretação. Mas é carne de vaca, não? Há versões maravilhosas com Elvis Presley, Jack Jones, Brian Stokes Mitchell , Donna Summer e até uma, linda, cantada com alma, por um garoto que ganhou o programa “Ídolos” em Israel: Harel Skaat. Pois, antes de cantar “Sonho Impossível”, no show ”Maricotinha”, Bethânia recitou um pequeníssimo poema. E fui descobrir seu autor, de tão suave e sincero. Uma autora. Uma portuguesa, que talvez todos vocês conheçam, mas a ignorância a tinha escondido de mim todos esses anos! Sophia de Mello Breyner Andresen, que nasceu no Porto e faleceu em Lisboa, aos 84 anos, em 2004. Foi tão importante!  Foi eleita para a Assembléia Constituinte em 1975, após a Revolução dos Cravos, foi contista, autora de livros infantis e membro da Academia de Ciências de Lisboa. Em 1999 recebeu o Prêmio Camões, o mais importante da literatura portuguesa. E fiquei, madrugada adentro, conhecendo e reconhecendo a senhora Sophia. Eu, que também amo Fernando Pessoa, vi tanto dele, nela, mesmo que pouco se pareçam. Talvez coisa minha, mas não importa. Importa que lendo seus versos, por diversas vezes me emocionei às lágrimas. Ando emotivo, sei lá por quê! E perto das quatro da madrugada fui contemplá-la em imagens, fotos de sua juventude, maturidade e velhice. Tão elegante, tão plácida, tão poeta! E me despedi de Dona Sophia, para dormir triste por saber que já morreu, antes mesmo que eu tivesse sabido dela e tivesse feito aquele silêncio de homenagem que sempre faço em meu coração, quando morre alguém que admiro muito. Como se me despedisse de alguém que nunca conheci. Prometi pra mim mesmo ir atrás de alguns livros seus e lê-la mais e mais, até compensar meus tempos de ignorância!

 

Apesar das ruínas e da morte,

Onde sempre acabou cada ilusão,

A força dos meus sonhos é tão forte,

Que de tudo renasce a exaltação

E nunca as minhas mãos ficam vazias.



Escrito por Edson Bueno às 01h25
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