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A ETERNIDADE E UM DIA Edson Bueno
 


ENERGIAS

O trabalho do ator é uma incógnita. Já teorizou-se sobre muito e grande figuras estabeleceram técnicas “infalíveis” para transformar esse exercício de quase esquizofrenia, em ciência, por exemplo. Ok. Tudo é possível e, apesar do grande mistério da vida, alguma lógica científica deve existir no ato de subir ao palco e viver uma outra vida, raciocinar naturalmente como uma outra pessoa e estabelecer uma realidade paralela que vai além, muito além, da representação. Muita coisa acontece de muito íntimo e secreto, dentro do ator quando ele está num autêntico processo de construção de personagem; e digo isso porque mesmo num teatro mais do que contemporâneo, onde os limites entre o próprio performer e o personagem são maleáveis, ainda não é a persona do ator que vai à cena, mas um outro ele mesmo. Entendem? Talvez fique difícil, mas é por isso mesmo que tudo é um mistério até divertido. Entre as transformações involuntárias, uma delas é a da energia; aquela criada na composição, no dia a dia dos ensaios e, principalmente, no ato de executar o espetáculo. Ela, sem qualquer sombra de dúvidas, altera o espírito do tal ator, desde a hora em que ele acorda até a hora em que vai dormir. Não é como se ele fosse outra pessoa, mas seu humor, expectativas, atitudes, sensações, raciocínios e concentração se modificam e permanecem com ele durante um bom tempo, até que o processo orgânico de dominar o espetáculo e (também) seus segredos, se feche completamente. Não se iludam, isso não acaba nem começa na estreia, apenas não tem prazo; porque a construção dessa nova vida (o personagem) quase nunca tem fim e, enquanto espaços íntimos são preenchidos, o sangue continua a correr desordenadamente nas veias e as emoções e as lógicas têm bioritmo desordenado. O que eu quero dizer? Bem, que hoje, estreia no Mini-Auditório do Teatro Guaíra, meu mais novo trabalho: A VÊNUS DAS PELES, de Leopold Sacher-Masoch, com adaptação da Pagu Leal e com quem divido a cena numa das mais incríveis experiências que já vivi nesses meus 28 anos de teatro. Além do cenário, da sonoplastia, das luzes, texto e marcações; o grande exercício de ator é o que dá as cartas. Não que eu compreenda o espetáculo como um resultado excepcional (meu trabalho de ator!), mas como uma experiência nova e instigante. Uma experiência que alterou meu espírito, mudou meu dia-a-dia e me deixou com uma outra energia, desconhecida, complexa e misteriosa. Meus desejos, vontades, alegrias e humores viraram outros. Com certeza estavam depositados em meu corpo, quase nunca usados e mansos, mas, com o passar dos ensaios e a proximidade da estreia, foram assumindo a cena. Sei que em breve vão embora e me deixam livre com o espetáculo, com os personagens e comigo mesmo (como aconteceu em “Kafka – Escrever é um sono mais profundo do que a morte”), mas enquanto isso, é como se um outro Edson, estranhíssimo, estivesse vivendo e falando por mim. Não, isso não é uma auto-mitificação, é apenas uma humilde e sincera reflexão sobre ser e estar ator. De qualquer forma, deliciosa é a brincadeira de modificar o próprio corpo para dar lugar a outro, porque algumas modificações seguem com você depois da cena, enquanto você se permite à doação. E ser ator é, antes de tudo, doação. Doar-se ao personagem, doar-se ao teatro, doar-se ao público. Às vezes, escancarar-se, como em “A Vênus das Peles”. E a pergunta fica: o que desse trabalho, vai permanecer comigo para sempre? Porque é inadmissível que de uma experiência tão intensa, nada permaneça.  O tempo dirá!



Escrito por Edson Bueno às 09h50
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