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A ETERNIDADE E UM DIA Edson Bueno
 


O PÚBLICO É UM ANIMAL DE ESTRANHOS APETITES

Ok, ainda não assisti INCEPTION (pretendo ver à noite em Imax!), mas pensando hoje no comentário do Artur Xexéo no Globo - Gosto de contar filmes. Em outras palavras, gosto de filmes que podem ser contados. É por isso que não me tornei fã deste "A origem", de Christopher Nolan, o filme da semana. Passei pelo menos 2/3 do filme sem ter a menor ideia do que estava acontecendo na tela. Se fosse um Antonioni, um Glauber ou até mesmo um David Lynch, tudo bem. Mas, poxa, não entender o que se passa num filme de Christopher Nolan é um pouco demais.” – tenho profunda admiração por artistas que conseguem, indo por caminhos espinhosos, atingir a grande massa. Talvez INCEPTION seja um filme mais fácil ao paladar do povão, do que imaginamos. E tem os atores e os efeitos especiais. Mas apenas uma grande curiosidade não leva 20 milhões de pessoas ao cinema, nem nos EUA nem em qualquer lugar do mundo. Assistir INCEPTION é pensar também na comunicação de massas, sem dúvida. Da mesma forma como penso no filme do Guel Arraes - O BEM AMADO -, que tem o apelo da televisão, tem os atores, tem a comédia (comédia?), tem a mídia, etc e tal e vai chegando aos 500 mil (para o padrão brasileiro é um sucesso!). O que as pessoas vêem no filme? No dia em que o assisti em São Paulo, algumas riam em determinados momentos, enquanto eu quase morria de tédio. E absolutamente, não sou um mau humorado. Adoro comédias! A primeira vez que assisti A PANTERA COR DE ROSA, do Blake Edwards, quase tive ataques de tanto riso. Vi o filme diversas vezes! E o que dizer de O CÁLICE SAGRADO e QUANTO MAIS QUENTE MELHOR? Não, não pode ser a comédia, deve ser a comida mal requentada que desperta algum tipo de nostalgia. Sei lá. E, num pulo fenomenal, chego à Broadway, a grande meca do teatro musical! O REI LEÃO, que eu (não, não sou um mau humorado!) também não gostei quando assisti em 1998! Quer dizer, não gostei no geral porque, por exemplo, a primeira cena é de um deslumbramento quase inigualável! Pois é, O REI LEÃO já vai chegando aos 13 anos em cartaz nos EUA e continua com 100% de ocupação. Divide com “WICKED” o reinado do teatro lotado. E o Teatro Minskoff, onde está sendo exibido, tem 1677 poltronas. Se isso não é sucesso, o que é? E “BILLY ELLIOT”, que, no cinema, nos EUA, teve um público pífio e razoável, estourou no teatro em forma de musical, ganhou Tonys e está em cartaz já há mais de três anos, com lotação de 99%! Talvez tenha nascido para o teatro e só ficou sabendo algum tempo depois. Coisas do teatro, do cinema e do público, este “monstro de estranhos apetites”, como disse Oscar Wilde. Lembro de uma história que sempre conto a meus amigos (principalmente artistas). Quando assisti MAGNÓLIA, o filme do Paul Thomas Anderson de 1999, entrei em surto de prazer! Ia ao cinema dia após dia, beber da obra de arte, do barroco cinematográfico, das grandes interpretações, celebrar o cinema do talento e da inteligência. Um amigo meu que não mora em Curitiba, veio visitar-me e pediu indicação de filmes. Cuspi MAGNÓLIA em seu rosto. E ainda disse que ia com ele ao cinema, não me importando que estivesse indo ver pela oitava ou nona vez. Pois fomos. E eu chorava durante a projeção! Ao sairmos, meio sem jeito, ele me disse: “Pois olha, eu vi que você estava gostando muuuuiiiito do filme, por isso não falei nada; mas se não fosse por você, teria saído do cinema no meio, nunca vi filme tão chato e arrogante!” E daí? Em quem o Paul Thomas Anderson deve acreditar? Em mim ou no meu amigo? Então que vamos nós, fazendo nossa arte e buscando, qual garimpeiros, quem se interesse pelo que temos a dizer poeticamente. Porque nunca perguntamos se querem que montemos nossos espetáculos. Simplesmente, enquanto artistas, os fazemos e buscamos cúmplices para ocupar as cadeiras do teatro. A sensação de epifania quando eles entendem e aplaudem, é um dos raros momentos de luz e vida que a arte pode proporcionar. Só não é maior do que a da criação, que acontece longe dos olhos do público. Ah, o público... ah, os artistas!



Escrito por Edson Bueno às 14h13
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TUDO O QUE SEI, SÓ SEI PORQUE AMO!

Esta é uma história de contornos e associações múltiplas, daquelas que partem de um lugar improvável e chegam em um outro distinto, como se uma coisa não tivesse nada a ver com a outra. Mais ou menos como a vida. Então, lá pelos tempos de 2004, vagueando (como sempre!) por uma dessas livrarias de Curitiba, deparei com um livrequinho muito tímido, chamado “As três visitas de Deus”, de (surpresa!) Leon Tolstoi. Tão pequeno, com três contos da última fase da vida do grande escritor russo: “Onde está o amor, Deus está, também”, “Os três eremitas” e “De que vivem os homens?”. Comprei e li tudo em menos de duas horas! Um desses contos, o primeiro, me inspirou uma peça de teatro, que escrevi em uma noite, aquela mesma: “Martuin Maksimov”. Acontece que, à medida em que ia escrevendo, alguma coisa no conto me lembrava Mario Quintana, não me perguntem porquê. Então que, no processo, meio da madrugada, fui fuçar meus livros do Mario. Contos, poemas e ideias do meu escritor brasileiro preferido. E dou de cara com um poema que é o seguinte:

 

POEMA DA GARE DE ASTAPOVO

O velho Leon Tolstoi fugiu de casa aos oitenta anos
E foi morrer na gare de Astapovo!
Com certeza sentou-se a um velho banco,
Um desses velhos bancos lustrosos pelo uso
Que existem em todas as estaçõezinhas pobres do mundo
Contra uma parede nua...
Sentou-se ...e sorriu amargamente
Pensando que
Em toda a sua vida
Apenas restava de seu a Gloria,
Esse irrisório chocalho cheio de guizos e fitinhas
Coloridas
Nas mãos esclerosadas de um caduco!
E então a Morte,
Ao vê-lo tão sozinho aquela hora
Na estação deserta,
Julgou que ele estivesse ali a sua espera,
Quando apenas sentara para descansar um pouco!
A morte chegou na sua antiga locomotiva
(Ela sempre chega pontualmente na hora incerta...)
Mas talvez não pensou em nada disso, o grande Velho,
E quem sabe se até não morreu feliz: ele fugiu...
Ele fugiu de casa...
Ele fugiu de casa aos oitenta anos de idade...
Não são todos que realizam os velhos sonhos da infância!

 

E, impulsivo que só, resolvi começar minha peça de teatro com esse poema do Mario, que é um primor de delicadeza, humor e tristeza. Para inaugurar o Teatro da Caixa, naquele mesmo novembro, encenei (eu e a Tania!)  o tal texto escrito, com oito atores amigos e foi tudo muito lindo e emocionante.

Acontece que Tolstoi, como todos sabem, na velhice, renegou sua obra genial e dedicou-se à ideias humanas tão revolucionárias quanto ingênuas e voltou os olhos para uma espécie de cristianismo que negava a autoridade de qualquer governo ou igreja. Talvez tenha perdido a contundência literária, mas não perdeu a genialidade. Seus contos, digamos assim, religiosos, são sublimes e abrem portas para o entendimento da vida e a percepção das coisas que realmente valem à pena. A história do homem que, fiel a Deus, perde seu único e jovem filho numa noite de tempestade e neve é, religiosidades à parte, um belíssimo amontoado de palavras em direção ao amor. Como diria Tolstoi num tom, e desvirtuariam seus seguidores num outro: “amor pela humanidade”.

Então que ontem, assisti “A Última Estação”, filme de Michael Hoffman, com Helen Mirren, Christopher Plummer, Paul Giamatti e um talentosíssimo James McAvoy. O filme trata justamente dos últimos dias de Tolstoi e de sua morte na Estação de Astapovo. Emocionei-me diversas vezes. Com Helen Mirren e James McAvoy, atores excepcionais! O filme não fez sucesso (embora Helen e Christopher tenham sido indicados ao Oscar!) e até entendo o porquê. Quem sabe de Tolstoi? Quem se interessa por seus últimos dias? Seus conflitos com sua mulher por questões de propriedade e direito autoral? Quem se interessa pelo significado da arte no espírito do criador? Quem quer saber de Leon Tolstoi? Guerra e Paz e Ana Karenina? A quem importa a Rússia pré-revolucionária, do início do século XX? É, realmente, um assunto que não encontra interlocutores em nossos tempos. E, embora o filme seja apenas simples, sem pretensões formais, tem um conteúdo importante e interpretações geniais. É preciso ter lido, amar e compreender Tolstoi para dialogar com o filme e sua emoção, caso contrário, apesar do conteúdo, tudo parece apenas uma sessão da tarde com roupas de época. Mas eu, que me emociono com atores e com histórias, à medida que o filme andava, e embora não me contasse nada de novo, viajava pelas palavras lidas nos romances de Tolstoi e, curioso e emocionado, me interessava por participar das emoções dos seus últimos momentos. O quão dolorosa foi aquela morte na Estação de Astapovo, em 1910, sete anos antes da Revolução Comunista. Um filme sobre o amor, podem crer. E também sobre o seu significado conforme aquele que diz amar. Amar talvez seja apenas uma palavra. Amor, uma palavra que nunca deveria ser dita nem escrita, apenas pensada. Belo filme, nada excepcional, mas que alcança lugares por onde todos nós deveríamos caminhar: os sentimentos, a literatura, a política, a humanidade e o seu contrário. E ainda tem James McAvoy, o melhor ator de cinema de nossos tempos! E escrevendo de Tolstoi e sonhando com Mario Quintana, meus amigos atores cantavam no espetáculo “Martuin Maksimov”, um poema de Mario, musicado pela encantadora Rosi Greca:

 

Já é outro dia

É tão bom viver, dia a dia,

A vida é mesmo assim

Do início ao fim, estranha hospedaria.

De onde se parte quase sempre às tontas

Pois nunca as nossas malas estão prontas.

E a nossa conta nunca está em dia.

Se as coisas são inatingíveis, ora,

Não é motivo para não querê-las

Que tristes os caminhos se não fora,

A mágica presença das estrelas.

 



Escrito por Edson Bueno às 18h33
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