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A ETERNIDADE E UM DIA Edson Bueno
 


MAIS “INCEPTION”

Dias atrás o Xexéo (do Globo) respondeu às críticas de seus leitores ao seu mau humor com “Inception”. Atacou de vez dizendo que o filme é apenas um filme de ação e nada mais. Eu não entendo. Então “Intriga Internacional”, do Hitchcock é também apenas um filme de ação? E “Psicose”, apenas um filme de terror? E “Quanto Mais Quente Melhor”, apenas uma comédia? E “O Sexto Sentido” apenas um filme de suspense? E “Caçadores da Arca Perdida” apenas um filme de aventuras? E “Superman” (o primeiro), apenas um filme de super-herói? Certa vez um grupo de jornalistas americanos acercou-se de François Truffaut, questionando-o por achar Hitchcock um gênio e “Janela Indiscreta” uma obra genial. Argumentaram que Truffaut tinha aquela visão porque não era americano e que eles, os jornalistas, estavam acostumadíssimos com o Village, bairro boêmio de Nova Iorque, então que para eles, o que era curioso para Truffaut, seria apenas banal para qualquer cidadão americano. E o grande diretor francês retrucou: “Mas quem disse que Janela Indiscreta é um filme sobre o Village? Janela Indiscreta é um filme sobre o cinema!!!” Talvez os novos críticos tenham perdido a dimensão do cinema como arte, e que, às vezes, o cinema é o conteúdo de si mesmo. Como “Janela Indiscreta” e “Inception”. Então que hoje, meu amigo Mauricio Cidade mandou-me um texto sobre o filme de Christopher Nolan. Talvez o melhor que eu li desde o lançamento do filme. Transcrevo aí e recomendo. Grande Mauricio!

 

Edson,

Em "Inception" fica no ar a pergunta se o personagem está preso num sonho, como afirma sua esposa, ou se, no final, ele saiu ou não do estado de inconsciência. Mas no sonho dentro do sonho dentro do sonho, há um outro plano, digamos, invisível. A divisória desse plano com os demais é a tela. Tudo é um grande sonho em que as pessoas entram nas mentes das outras para roubar ou implantar idéias, vivem aventuras e tudo mais. Um grande e maravilhoso sonho concebido pelo arquiteto Christopher Nolan e compartilhado com todos nós. Nós, que vamos ao cinema exatamente para compartilhar sonhos, exatamente como fazem aquelas pessoas na sala que o químico mostra ao personagem do Di Caprio. 

A jovem arquiteta da Ellen Page é apresentada, no início, a um mundo viciante onde se pode criar qualquer coisa, onde a física pode ser subvertida e retorcida: ou seja, o próprio cinema. Nesse sonho coletivo, duas horas do lado de cá da tela podem equivaler a cinqüenta anos, alguns minutos  ou um punhado de horas, tempo esculpido a critério do arquiteto, como nos mostra o próprio filme. 

E a dúvida plantada no final, com o peão rodando, não é se o personagem do Di Caprio está acordado ou sonhando. É se NÓS estamos acordados ou sonhando! Qual é a "realidade real" (o melhor, qual a mais importante), a que vivemos do lado de cá ou de lá da tela? Vi gente comparando o filme a Matrix, Sinedoque NY e outros. Mas acho que a comparação menos óbvia  - e talvez mais verdadeira - seja com Janela Indiscreta! "Inception" é, talvez, o mais popular filme já feito sobre o próprio cinema. Abraço. Mauricio



Escrito por Edson Bueno às 14h24
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UM OLHAR A CADA DIA

Não, isso não é cinema! é futebol. Futebol? Profissional? Rs. Bem, eu não tenho absolutamente nada com a vida de ninguém, cada faz o que quer e vende o que bem entende; assim como cada um compra o que quer e lhe dá na telha. Mas rir eu posso, não é? O que é esta foto de ontem à tarde, quando o fotógrafo do Globo flagrou o querido Ronaldo treinando no Corinthians? Como disse o jornalista que fez a matéria: “Ronaldo está grávido?” ou nós todos, à exceção da diretoria do Corinthians e sua torcida, não entendemos mais nada de futebol? Rs.



Escrito por Edson Bueno às 05h00
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THE TEMPEST

Julie Taymor é uma diretora especialíssima, cujo olhar para o cinema, nascido do teatro, é barroco e livre. Assisti um dia na casa do meu amigo Chico Nogueira, ao seu TITUS/1999, baseado em Shakespeare, com elenco estelar. Anthony Hopkins e Jessica Lange em interpretações ao pé do patético. Peter Brook disse que TITUS ANDRONICUS é tão rocambolesco (e é mesmo!) que quase é comédia. Mesmo que por justiça (?) e vingança, matar os filhos da rainha, fazer um bolo de carne com eles e servi-lo para que ela os coma, sem saber; para logo em seguida revelar o instinto culinário e mórbido, é ter um olho no dramático e outro no desgraçadamente cômico. Shakespeare adorava um banho de sangue e é preciso uma certa dose de arte para não cair no gosto duvidoso. Julie, em tons claros, conseguiu. Como todos os seus filmes, não foi um sucesso, mas é obra de artista e revela alguém que compreende perfeitamente esse princípio, digamos assim, shakesperiano. TITUS é demente, doente e irresponsável, tão chocante quanto belo. FRIDA, de 2002,  é - mesmo que alguém chame de pouco original – a cara da grande artista mexicana. Aí então Julie Taymor deitou e rolou no barroco, no rocambole e nas cores exageradamente berrantes; mas nem por isso fez um filme mesmo dramático e comprometido. Tem os olhos, não apenas na grande pintora, mas na mulher (qualquer mulher!) e todas as renúncias e rompimentos que precisa fazer na vida, para fazer valer seus desejos. Nesse caso, pelo menos para mim, quanto mais colorido, mais emocionante. Julie fez um filme vibrante, como as telas de Frida Khalo, e eu sempre o assisto arrepiado; com a sensação de estar vendo sempre algo novo, mesmo que não seja tão novo assim, nem na origem. Ok, posso estar parecendo demasiado enfático, mas o que custa? E ACROSS THE UNIVERSE é uma fantasia ao estilo “era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones”. De novo um musical meio óbvio no uso da música dos Beatles, do drama romântico em plena guerra do Vietnã e do nascimento do amor livre. A necessidade de inventar um roteiro que encaixasse nas letras de Paul e Lennon criou uma espécie de frankenstein pop e é preciso uma certa boa vontade (que nesse caso eu tenho de sobra!) para curtir a história. Mas é tão, digamos assim, psicodélico e visceral, que é apaixonante. Quase brega; às vezes banal e às vezes muito artístico e criativo. Esse então, eu assisto (sem brincadeira nenhuma!) pelo menos uma vez por mês, simplesmente para ter prazer e chorar no final. Tudo é tão falsamente inocente e romântico que toca o meu coração sem piedade. E os atores são demais! E agora, Julie vem aí com A TEMPESTADE, de Shakespeare, com Helen Mirren fazendo Próspero (Ops! Será a primeira vez que o personagem é interpretado por uma mulher?), ou melhor, Próspera! Como será? Com certeza, muito barroco, muito fantasioso e, muito apaixonadamente teatral. Nem acredito numa revisão de Shakespeare, mas acho que delirante e expressivo, com imagens tiradas do inconsciente e do desejo pela beleza. Eu não sei não, mas acho que vou gostar! E pra quem não sabe, Julie estreia no final do ano, a sua versão para musical de ninguém menos que o HOMEM ARANHA!  A produção mais cara da história da Broadway (dizem que perto de 50 milhões de dólares!). Qual a lição? Nesse mundo maluco, sempre há um doido pronto a realizar (ou seria sonhar?) qualquer coisa. E Julie está sempre a postos para colocar a mão na massa e correr riscos. Mulher porreta!



Escrito por Edson Bueno às 02h13
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UM OLHAR A CADA DIA

Em 1963 Patricia Neal ganhou o Oscar de Melhor Atriz por “O Indomado/Hud”, filme que tinha como protagonista Paul Newman, em uma de suas grandes interpretações. Ele também foi indicado, mas perdeu para Sidney Poitier em “Uma Voz Nas Sombras/Lillies Of The Field”. Em 1969 ela seria indicada mais uma vez por “A História de Três Estranho/The Subject Was Roses”. “Hud” é um filme cru e violento que apresenta um western desprovido de qualquer heroísmo ou romantismo. Pois Patricia Neal faleceu ontem aos 84 anos tendo deixado para trás uma história de dramas (sofreu um derrame, do qual se recuperou e, ainda, perdeu dois filhos jovens por acidente e doença) e respeito por seu talento. Em “Hud” ela dá um show! Uma das grandes cenas é aquela em que Hud (Paul Newman), enlouquecido, tenta estuprá-la. Dolorosa é a cena porque o espectador sabe que Alma (Patricia) tem profundo desejo por ele e, com certeza, consentiria, caso ele a tivesse, digamos assim, cortejado. A foto aí em cima é a clássica de sua participação no filme. Um conselho? Não custa pegar na locadora o filme que lhe deu o Oscar, é um cardápio finíssimo! E só para engordar a curiosidade, “Hud” teve outras indicações: Melhor diretor (Martin Ritt), roteiro adaptado e direção de arte; além de ter ganho também o prêmio de Ator Coadjuvante (Melvyn Douglas).



Escrito por Edson Bueno às 22h22
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SUBSTITUIÇÕES

Guilherme Fernandes e Marcia Maggi, novos Bentinho e Capitu - Pelas lentes do Chico Nogueira

Tanto aqui quanto no centro do mundo! Pois então que leio que a mais recente montagem de “A Little Night Music”, de Stephen Sondhein, na Broadway, foi, claro, um sucesso. No elenco Catherine Zeta-Jones e Angela Lansbury. A primeira uma estrela e a segunda uma lenda. Catherine ganhou o Tony/2010 por seu trabalho. Mas como tudo se transforma e muda mais rápido do que gostaríamos, as duas deixaram a produção e seguiram outros caminhos. Normalmente, se os produtores querem continuar, a substituição é feita por outras atrizes menos, digamos assim, estelares! É de praxe. Mas nesse caso os produtores resolveram atirar para cima e duas outras lendas toparam substituir: Bernadette Peters e Elaine Strich. “A Little Night Music” continua sua carreira, com casas cheíssimas e agora o público ouve a belíssima “Send In The Clows” com nova e famosa voz. E da tão brilhante Broadway, damos um salto para nossa pequena off-broadway curitibana, onde está o Teatro José Maria Santos e onde, desde o dia 29 de julho reapresentamos CAPITU – MEMÓRIA EDITADA, nossa adaptação de “Dom Casmurro”, de Machado de Assis. Adaptação que levamos ao palco em 2005 com incrível e mágico sucesso, viajamos pelo Brasil todo pelo Palco Giratório do Sesc e ganhamos a Gralha Azul de Melhor Espetáculo do ano (também diretor e texto!). Agora em 2010, voltamos sob os auspícios do Sesi e do Teatro Guaíra. Acontece que tudo era para ter sido como sempre foi (sublime ilusão!), não fosse o fato de termos que substituir os dois protagonistas, assim, de última hora. Nem o Marcelo Rodrigues (Bentinho novo), nem a Janja (Capitu) puderam estar nessa nova empreitada. E, dois corajosos e valentes atores toparam a parada. Guilherme Fernandes e Marcia Maggi resolveram beijar o romance de Machado de Assis, tão de perto, a ponto de tocar sua alma. E hoje, depois de duas semanas em cartaz, (perdoem!) em cena, eu me dei o direito de observá-los com a suavidade do carinho e do amor que tenho pelos atores jovens. Ontem o Guilherme Almeida foi assistir ao espetáculo e mandou-me uma mensagem sobre, dos dois disse: “Guilherme começa com um grito, como sempre: "Hey, estou aqui, me olhem, me ouçam", chega comendo a platéia ao invés de sentar, parece ser sua assinatura. Capitu, não a conheço: Iluminada - transbordando verdade e arte, com voz de sereia, olhar de Medusa nos rapta para dentro do palco. Estamos cativos, meio sem saber o que fazer, para onde olhar, o que pensar - somos deles.” Precisa dizer mais? Sim, precisa. O momento mais sublime da substituição é o da humildade. Quando o substituto literalmente copia o ator a ser substituído. Porque a necessidade da marca e do texto é premente. Mas, pela mágica do instinto, do talento e da inteligência, o novo ator vai se deixando dominar pelo personagem e por ele mesmo, criatura do palco. E uma nova transformação vai acontecendo. E ele então, naturalmente, se apodera daquele personagem que um dia foi do outro. E, no caso de CAPITU, isso provoca uma transformação maior, porque afinal são os protagonistas, já que o espetáculo se modifica. Toma outros ares, novas energias, outro ritmo, redescobre intenções e o vôo acontece agora sobre outras nuvens. Como eu ia dizendo, hoje, em cena mesmo, vivendo o Bentinho velho (Ai!), passei a observar o Guilherme e a Marcia com meus olhos de artista bobão. E quase chorei, de tão lindos que os achei, de tão sublimes, tão iluminados.  O Guilherme Almeida viu isso ontem e até escreveu também: “Edson, inebriante, maduro, verdadeiro, nos hipnotiza. Olha seus colegas, fascinado, não se sabe dizer se o homem ou o personagem. Está apaixonado, não importa, o amor nos deslumbra...” Não posso negar... Vou ficando meio bobão com meus atores, gosto de vê-los assumindo o desafio da sensibilidade. Não é pra qualquer um. É pra quem tem coragem, como o Guilherme e a Marcia; onde no caso, tudo ganha uma espécie de up, porque o talento e a beleza preenchem todas as lacunas. Fecho este post com as palavras finais do Guilherme Almeida, que eu espero (e acho que acontece!) seja a sensação de toda a plateia: “... o amor nos deslumbra, a peça ensina, toca, afaga e grita aos sentimentos. Olhos marejados no palco e na plateia. Corações dilacerados - não é ruim. Rachaduras renovam o ar. Renovam sentimentos.” Machado de Assis voltou aos palcos curitibanos. E como disse a Regina Bastos: “Substituições são também a alma do teatro!”



Escrito por Edson Bueno às 01h36
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O ESPETÁCULO!

De volta às origens do cinema, principalmente Griffith. É impressionante como o cinema, aquele que busca uma sincera comunicação com o público, usa as mesmas regras há 100 anos! Não há nada de novo em INCEPTION, e, no entanto, há tanto de novo.  É a velha estrutura dos três tempos (apresentação, desenvolvimento e conclusão), a velha técnica da montagem, o velho tempo esticado e esculpido (como disse Tarkoski) e o velho sentido do espetáculo; que temos visto desde “Intolerância/1916”, “King Kong/1933”, “E o Vento Levou/1939”, passando por seus momentos mais sublimes e poéticos como “Cidadão Kane/1943” e “2001 – Uma Odisséia no Espaço/1968”; e os mais aventurosos como “Guerra nas Estrelas/1977” e “O Senhor dos Anéis/2001-2003”. E nesse sentido, Batmans à parte, Christopher Nolan com INCEPTION faz a sua maior experiência com o cinema. Talvez o que o diferencie desses tantos filmes “experimentais” e ainda assim populares, é a ausência de um certo humanismo, que em Nolan  limita-se à individualidade (tal qual “Matrix”, por exemplo). Por isso INCEPTION apesar de todos os elogios, não se inscreve na categoria de obra-prima, nem recebe um protocolo para a categoria de clássico. Mas deveria. Porque é um filmaço!!! E, sinceramente, não entendo a dificuldade que determinados críticos tiveram em compreender sua lógica e sua estrutura. Talvez um mau humor preconceituoso tenha interferido em seus neurônios, porque o cara passa os primeiros 30 minutos do filme, tal qual uma sessão de áudio visual, explicando em detalhes, como deveremos assisti-lo e qual o melhor caminho para nos divertirmos e vivermos uma experiência de cinema rara. Sim, porque INCEPTION começa mesmo, quando a tal van despenca da ponte para cair na água (não viu ainda? Paciência!). Aí sim, por alguma razão física (ou psicológica) a força da gravidade na sala de cinema, triplica sua violência, e somos colados à poltrona, nossos olhos saltam para fora, nossos ouvidos estouram para ouvir mais e mais e o mundo real deixa simplesmente de existir. É um desenrolar incrível de sequências emocionantes e imagens belíssimas. A história? Oras, como disse Clarice Lispector “um sonho dentro de um sonho dentro de um sonho dentro de um sonho...”. Mas é um filme americano, um blockbuster escancarado que mistura diversos gêneros como “noir”, “ficção científica”, “melodrama”, “triller” e “disaster movie”, isso se não me escapou algum outro. Então, que INCEPTION é uma aula de domínio da narrativa e de espetáculo. Eis o grande segredo de seu sucesso monumental. Christopher Nolan não regula miséria, abre as cortinas e oferece ao público por meros R$ 25,00 (que eu paguei no Imax) um espetáculo de grande poder visual. E nem por isso deixa de caprichar nas interpretações. Se os coadjuvantes (fortes) não têm história para contar, a não ser aquelas que vivem durante a projeção, Leonardo Di Caprio e seu personagem, tem; e consegue ser profundo e convincente com seu neurótico, que é uma metáfora de nossos desejos; aqueles que gostariam de mudar a personalidade alheia para servir aos nossos próprios interesses. Quem não é assim? Freud, Jung, Lacan, Reich e Lowen devem estar tendo orgasmos, estejam onde estiverem. Mas justiça seja feita, todos os outros atores estão excepcionais e é delicioso reviver o carisma de Ellen Page e a revelação que é Joseph Gordon-Lewitt. No mais, embora os apartes do meu amigo Chico Nogueira, Hans Zimmer dá o seu show e cria uma trilha sonora que conta o filme (como John Williams fez em E.T.) e dá a ele uma dimensão poderosíssima. É o, digamos assim, espírito em desespero. Tudo o mais é espetacular. Christopher Nolan faz um filme a serviço do prazer e a plateia agradece. Nos últimos meses Hollywood dá um exemplo de renovação e criatividade: “Avatar”, “Toy Sotry 3” e “Inception”! O velho dentro do novo e que, por isso mesmo, é inteligente e tem o que contar e dizer. Bravos!!!



Escrito por Edson Bueno às 14h52
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