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A ETERNIDADE E UM DIA Edson Bueno
 


DESCENDO A RIPA!!!

Até que nossas plagas curitibanas não são assim tão violentas. É raro atores irem a público destratar seus colegas, o que não quer dizer que vez ou outra não aconteça. Sinceridade, ética, elegância e educação são qualidades de poucos e a falta delas quase sempre revela um espírito inseguro e medroso. Tem gente que sobe até o degrau mais alto da profissão e ainda assim, por alguma razão que talvez Freud conheça/desconheça, sente-se inferior aos outros. Quase sempre o que se revela é uma alma autoritária, ditadora e capaz (podem crer!) de cometer os atos mais insensatos para destruir qualquer um que possa significar o menor risco para suas inseguranças narcísicas. Em qualquer área, sejam políticas, sociais ou artísticas, os piores (mesmo que melhores!) dos piores, sempre surgem por esses motivos. Edição. França. Primeiro mundo. Gérard Depardieu, que ultimamente exibe uma silhueta obesa, um mau humor insuportável e um péssimo gosto para a escolha de filmes; resolveu desacatar a incrível Juliette Binoche. E o fez em público, claro, para, como eu expliquei aí em cima, riscar a reputação de uma das melhores atrizes do nosso querido cinema:

"Por favor, alguém pode me explicar qual é o mistério de Juliette Binoche? Ficaria muito feliz em saber por que ela tem sido admirada durante tanto tempo. Ela não tem nada, absolutamente nada!"

Vejam, Dépardieu é um excelente ator, talentosíssimo, às vezes apaixonante, e ofereceu algumas performances admiráveis, como em “Cyrano de Bergerac” (1990/Jean-Paul Rappeneau), pela qual ganhou Cannes. Tem-se perdido no caminho, por preguiça, tédio existencial e falta de sentido artístico. Sei, a profissão, mesmo lá em cima, nos mais altos olimpos, é complicada; e às vezes, as portas se fecham e é preciso pegar à unha, qualquer coisa que apareça pela frente, sob o risco de não ter dinheiro para comprar a ração do pet. Mas acho que Dépardieu, aos 62 anos, deve estar passando por uma crise de idade. O cinema francês está numa fase de renovação e tem produzido filmes de altíssima qualidade. E onde está Dépardieu nessa parada? Juliette Binoche, a seu modo, respondeu:

"Será que isso tudo não é inveja? Porque isso me parece excessivo demais. Sei que você não pode gostar de todos e que não aprecie o trabalho de outras pessoas, mas não entendo esta violência."

Tudo é possível. Quando duas estrelas dessa grandeza lavam roupa suja em público, tudo pode estar acontecendo. Bem mais do que a mídia e as mínimas palavras dos sites oficiais contam. Mas uma coisa é certa, Juliette é uma graça. Não é uma artista, é a própria arte. É filha da tradição francesa das grandes atrizes como Simone Signoret, Catherine Deneuve, Isabelle Adjani, Isabelle Hupert e Marion Cotillard. Vê-la no cinema é compreender o significado da interpretação. Sorry, Dépardieu, mas, pelo menos nesse comentário, você não está com nada!



Escrito por Edson Bueno às 08h41
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CONFISSÕES (1)

Um Espetáculo de Teatro : “Trate-me o Leão”

Guairinha. Eu, não mais que 22 anos, descubro a grandeza do teatro. A descontração e os temas relacionados à juventude dominam o palco. Nem cenário, nem super figurinos, nem efeitos de luz. Só sinceridade. Regina Casé (23 anos) e Luiz Fernando Guimarães (28 anos) dão show! Jovens, descontraídos, talentosos e engraçados. Teatro e Vida. Olhos atentos, riso aberto, emoção em suspense, eu pensei que aquela seria uma bela profissão. E virei fã do “Asdrúbal Trouxe o Trombone”. E resolvi fazer teatro! Hamilton Vaz Pereira, o diretor, carimbou seu nome no meu imaginário. Quanto aos atores, não houve necessidade. Estão presentes na telinha até hoje. Em 1985, no Festival de Ponta Grossa, o Luiz Fernando Guimarães era o mediador dos debates sobre o meu espetáculo “O Grande Deboche”. Falou de sua admiração por ele e elogiou publicamente a Silvia Maria Monteiro. “Trate-me O Leão” estreou em 1977, no Teatro Dulcina, no Rio de Janeiro e é um marco do Teatro Brasileiro! Eu vi e virou uma página na minha vida.



Escrito por Edson Bueno às 07h40
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PENSAR A VIDA DE FORMA DIFERENTE

Temple Grandin e Claire Danes.

Em 2007, durante o Palco Giratório do Sesc, em um desses aeroportos por aí, não lembro qual, comprei o livro “Um Antropólogo Em Marte”, do neurologista Oliver Sacks. Muitas histórias, mas uma em especial tocou meus sentimentos, justamente a que dá nome ao livro: uma história com Temple Grandin, a engenheira agropecuária que já foi conhecida como “a mulher que pensava como as vacas” e que, autista, superando todas as adversidades de uma sociedade incapaz de compreendê-la, virou doutora, uma respeitadíssima especialista em engenharia agropecuária. É preciso ler sua biografia, também o relato de Oliver Sacks, para aprofundar-se em sua história e na sua “incapacidade de captar interações humanas, sejam sociais ou sexuais”. Por outro lado, a senhora Temple Grandin graças a outras sensibilidades, relacionadas ao autismo, consegue compreender como funciona o cérebro dos animais; o que lhe dá uma originalidade humana admirável. “Se você é um pensador visual, é fácil se identificar com animais. Se todos os seus processos de pensamento estão na linguagem, como pode imaginar que o gado pensa? Mas se você pensa em imagens...” ou “a única maneira adequada de matar animais, a única que demonstra respeito pelo animal, é a via do ritual, ou sagrada”; e quase poética: “só quem tem um cachorro, sabe que eles têm espírito”!. Escrevi um texto de teatro e encenamos, eu a Regina Bastos, a Janja e o Diego Marchioro. O espetáculo, por razões que ainda desconheço foi um êxito, mas teve apenas três ou quatro apresentações, uma, maravilhosa, para uma plateia de mais de 300 pessoas, em Jacarezinho. Um dia voltará, com certeza. Temple Grandin me emociona, não apenas por sua superação, diante de uma sociedade hostil e preconceituosa, além de ignorante; mas por sua tenacidade e amor pelos animais. A compreensão de que a afetividade e a dignidade é atitude de vida, não apenas humana, mas de todos os seres vivos. Qualquer ser vivo merece amor e respeito, e enquanto o homem não compreender essa simplicidade vai seguir debatendo-se e destruindo tudo que encontra pela frente, numa tarefa inútil de buscar conforto e paz, onde eles não estão. Pois bem, assisti hoje, na HBO, ao filme “TEMPLE GRANDIN”, de Mick Jackson, com Claire Danes vivendo a incrível engenheira. Não sei se ando mais emotivo que em outras épocas, mas chorei o filme inteiro. Uma interpretação genial da atriz, que em poucos minutos faz desaparecer sua persona artística e, literalmente, some por trás da composição perfeita, física, psicológica e emocional. O filme é simples. Por ter sido feito para a televisão, não se perde em floreios narrativos, mas em sua objetividade e sutileza, escapando o tempo todo do melodramático e sentimental, desliza a história de uma mulher que nos ensina a ver o mundo de forma diferente e, não tenho dúvidas, mais humana e fraterna. Traz interpretações incríveis. Além de Claire, Julia Ormond vivendo a mãe de Temple, dá enorme dimensão de grandeza ao seu personagem; e David Strathaim vivendo um professor de Temple, interpreta com os olhos do amor e da compreensão do incompreensível. O filme ganhou diversos Emmys no domingo passado: filme, direção, atriz, atriz coadjuvante, ator coadjuvante, etc. e precisa ser visto. É a prova clara e evidente de que existe vida inteligente na televisão e que basta sinceridade e desejo para contar uma boa história; uma daquelas que precisam ser contadas.

“Se pudesse estalar os dedos e deixar de ser autista, não o faria – porque então não seria mais eu. O autismo é parte do que eu sou.”



Escrito por Edson Bueno às 01h35
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CAMINHANDO CONTRA O VENTO...

... sem lenço e sem documento... 1967, Caetano Veloso no Palco do Teatro Record, em São Paulo, sob vaias, depois aplausos, anunciava a Tropicália! Quem viu? Quem viu, sabe exatamente o que significou. E, até que enfim...! Até que enfim, consegui um intervalo na minha vida para assistir na sessão das 19h, no Unibanco Arteplex, ao documentário mais visto em 2010, nos cinemas brasileiros: “Uma Noite Em 67”, de Renato Terra e Ricardo Calil. Deve-se reconhecer que é o tipo da experiência que acontece de forma diferente em cada coração. Imagino como seja um garoto ou uma garota de 20 anos, hoje, tentando entender todos os conteúdos envolvidos no Festival da Música Popular Brasileira, da TV Record, em 1967. Nem eu, que naquela época tinha 11 anos consigo compreender perfeitamente. O que sei é que, por conta de alguma nostalgia (não é o meu forte!), alguns conceitos, a percepção da passagem do tempo e sentimentalismo mesmo, me vi, por diversas vezes com o corpo todo arrepiado e os olhos rasos d´água. Emocionante! E me transportei para os meus 11 anos, quando, na Rua Panamá, no Bachacheri, eu e alguns amigos (onde estarão?), Adir, Edilton, Eduilton, Sergio, Mario e Marinho, ficávamos torcendo por essa ou aquela música. Aos 11 anos!!! E lembro com a clareza que o tempo não conseguiu apagar, que a minha torcida era para “Alegria Alegria”, do Caetano, que acabou ficando com o 4º lugar! Aliás, acho que essa era a torcida de toda a turma. Sabe-se lá porque grito de juventude, era a música que tocava nossos sentimentos. Edição. 2010! Corta o coração saber que hoje, adolescentes e adultos ficam discutindo quem vai ganhar o Big Brother!!! Quanto perdemos, além da ingenuidade! Pois bem, assistindo ao documentário, o que salta aos olhos é o sentido da originalidade e da pulsação criadora. Por exemplo, fica tão clara a genialidade de Caetano Veloso e ainda mais, o fluxo criativo de uma geração de maravilhosos artistas que dariam uma nova cara, não apenas à música popular, mas à toda a cultura brasileira! E, graças à lente que amplia e dá relevo à passagem dos anos, um relato que poderia ser apenas curioso, assume ares de história, quando vemos Gilberto Gil referindo-se à Rita Lee, que conhecera alguns dias antes, como “essa menina”, e aos outros Mutantes como “esses meninos”! E isso num documentário de estrutura tão simples, que é quase banal. Imagens da noite de encerramento do Festival, editadas com entrevistas de alguns participantes dele. Edição. Eu na poltrona do Unibanco Arteplex, caindo de emoção. Outra percepção tão artística e humana é o retrato de uma intuição avassaladora, que não tinha consciência de sua grandeza, já que as entrevistas de nossos maiores compositores, em 1967, revelavam garotos quase ingênuos, deslumbrados com a força de sua expressão musical, mas ainda sem poder conceituá-las claramente. E daí, para o contraste de sua maturidade, em entrevistas atuais, onde, de tanto que fizeram, quase perderam a consciência de que em 1967 estavam não apenas fazendo história, mas transformando-a, dando-lhe nova cara, preenchendo a vida pública, política e social do Brasil, com poesia do mais alto nível. Hoje são céticos, engraçados, inteligentíssimos, dominando as palavras para fazer delas cúmplices de sua simpatia diante da câmera. É verdade, tentam, mas não conseguem esconder um certo romantismo que ainda insiste em habitar suas personas. É o “velho” Chico Buarque, assumindo o medo, vivido em 1967, no alvorecer dos seus 23 anos, sentindo-se velho, diante de Caetano, Gilberto e os Mutantes. Era a Tropicália entrando de sopetão e chutando o samba e a bossa nova para escanteio. Pelo menos por um tempo! E se o novo era veloz e cruel em 67, como é hoje? Mil vaias, uma viola quebrada, um domingo no parque, um desejo de pontear, a roda viva da vida e muita alegria agarravam-se à medula dos brasileiros, enquanto uma ditadura sentava-se na maior das poltronas e outra, mais monstruosa ainda, preparava a bunda para colar-se no país, à sombra da baioneta, da tortura e da censura, por mais de vinte anos! Quem viveu, mesmo que na ante-sala da adolescência, aquele tempo, não conseguirá passar incólume pelas imagens em preto e branco, óbvias, de tão batidas, do princípio de uma coisa que não tem , nem nunca terá fim. Só vai acabar com os nossos olhos fechados. Um documentário sobre o significado da arte e seu maravilhoso e ingênuo esplendor! Repito, emocionante!!! Edição. Saio do cinema enxugando as lágrimas.



Escrito por Edson Bueno às 04h21
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PORQUE NÃO É FÁCIL!

O poeta, seminu, em "A Venus das Peles", fotografado por Chico Nogueira. Não é fácil!

O que para uns é sopa no mel, para outros pode bem ser uma subida íngreme para o topo de uma montanha mais alta que o Everest! Do que falo? De teatro, já que há algum tempo não reflito sobre algumas agruras, ou ossos do ofício, dessa minha bela profissão/arte. Dia desses, eu estava na Viva, malhando, malhando, malhando, e encontro (quase sempre encontro), o Ian, bailarino do Guaíra, também fazendo força. “Que tal?”, ele pergunta. E eu: “Envelhecer com um mínimo de dignidade, requer esforço!” Batata! Poderia optar por, simplesmente, entregar-me à gula do chocolate, do amendoim, do coco e do doce de leite; afundar-me nas massas e deitar-me sempre que possível, no sofá da sala, com pipoca, cerveja e afins; vendo e revendo qualquer um dos 500 filmes em DVD que tenho na estante, não sei direito por quê. O fato é que “A Fonte da Donzela”, do Bergman, não engorda. Nem “Abismo de Um Sonho”, do Fellini. Nem fazer teatro. Mas a sequência de dias e o incansável exercício de inventar e sobrepor palavras, organizar sentimentos; criar, recriar e desrecriar cenas, provoca uma certa carência que, salvo melhor remédio, só consegue ser suprida por generosas doses de doces. A Nhá Benta da Kopenhagen, o sorvete de doce de leite do Shopping Estação, o chocolate trufado da Cacau Show e a paçoquinha de amendoim da banca da esquina, estão aí mesmo para garantir a sobrevivência de um artista que faz sucesso com “A Vida Como Ela É Nelson Rodrigues”, no Teatro Guaíra (o que é sucesso?) e fica pelado no Teatro Barracão com “A Venus das Peles”, ao mesmo tempo. Dias atrás poderia ser visto em outro horário, contando que Dom Casmurro “é uma obra omissa e que cabe ao leitor preencher as lacunas”, na montagem de “Capitu”, no Teatro Zé Maria Santos. Ou ainda brincar de criança no Teatro HSBC com “Marcelo Marmelo Martelo”, da Ruth Rocha. Tudo ao mesmo tempo! E ainda há que lutar com as ideias. Porque sem elas, de que valeria o teatro? Para quê? Alguns espetáculos deslizam pelas nossas artérias com a fluidez de um sonho, e acontecem naturalmente e belos, como se tivessem surgido pelo toque de uma varinha de condão. São os filhos obedientes. E outros, que invocados e desrespeitosos, recusam-se a nascer, inconformados com a nossa decisão de criá-los. Indiferentes à data da estreia, simplesmente grudam na parede do útero (sim, porque diretor/autor de teatro, mesmo do sexo masculino, tem útero!) e gritam com todas as guerras: “Daqui não saio, daqui ninguém me tira!” E ao mesmo tempo, eu, na Viva, desmanchando-me em abdominais e driblando o tédio na esteira, penso que à noite, quem estará preocupado com as palavras de Leopold Sacher Masoch, se pode avaliar o tamanho da barriga, da bunda e do pinto do ator que faz pose para viver Severim e o próprio Masoch? Não é fácil! Mas quem disse que seria? “Que deus escondeu na uva o vento louco da embriaguez?”, pergunta Paulo Leminski, quando pensa a Mitologia Grega e o poeta, desesperado de paixão, metamorfoseando-se em tudo, para ser apenas si mesmo. Quis, quero e sempre vou querer ser um artista! Mas às vezes a solidão é tão grande, tão grande, que nada, nem coisa alguma, supre a dor de ser, coisa que é muito pouco além de nada. A fábula do Minotauro narra a saga de Perseu para um público de Medusas. Quem quer virar pedra? “Qual o seu maior medo?” pergunta Leminski. Tudo que é maior que o homem é deus. A fome é deus, a sede é deus, o tesão é deus... Então? Qual seu maior medo? Aqueles a quem os deuses querem enlouquecer, colocam um espelho na cara. Enquanto isso, no silêncio da madrugada, alguns poetas escrevem, lutando para não virar pedra, tentando entender o significado da poesia, às vezes obediente, às vezes geniosa. E entre uma poesia e outra, uma visita à geladeira; porque nenhum poeta é de ferro.



Escrito por Edson Bueno às 05h28
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AMIGO É PRA ESSAS COISAS...

Há filmes que não assisto nem ganhando para. Por exemplo, a saga “Twilight”, dos vampiros engraçadinhos, dos lobisomens bonitinhos e sei lá o quê. Ou o novo porrada do Stallone. Nunca, jamais, em tempo algum! Ou as comediotas da Jennifer Aniston, Adam Sandler & Cia Ltda. Se é pra não achar graça, prefiro ficar parado, sentado na poltrona, olhando a parede da minha sala. E agora tem o novo e arrasado filme do Shyamalan: “The Last Airbender”. Ontem o Chico Nogueira atirou-se ao Shopping Estação, assisti-lo em 3-D. Até iria com ele, tivesse tempo. Mas como tempo não tenho, não fui. E o Chico, depois de visto o filme, manda-me uma mensagem. Em uma frase, eu acho, o Chico definiu o grande problema dos filmes de Shyamalan, à exceção de “O Sexto Sentido”. O Chico desvendou a chave. E com a mensagem eu encerro a questão: não vou ver a nova bomba do cara. Dessa eu estou livre:

 

Edson,

É o filme mais "cafona" dos últimos tempos!!!!

CHICO



Escrito por Edson Bueno às 17h09
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