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A ETERNIDADE E UM DIA Edson Bueno
 


METAFORMOSE... PARA QUÊ?  - 3

Guairinha - Ensaio de terça-feira, dia 14 de setembro - foto: Chico Nogueira

Materesmofo.

Termosfameo.

Tremesfooma.

Amorfotemes.

Efatormesom,

Maefortosem.

Saotermorfem.

Fasotormem

Motormefase.

Narciso. Acontece que um dia houve um poeta, um tal Paulo Leminski. Cachorro louco que deveria ter sido morto a pau e pedra, a fogo, a pique. Não mataram. O filho da puta fez chover em nosso piquenique. O Paulo, que é a prostituta, o junkie, o travesti, a romântica, o homem, a mulher, o anônimo. O deus Dionísio, filho da loucura e da sabedoria. Que é? Lembrar passa. Só esquecer é que é eterno. Que espelho poderia conter o sol? Mito, rito, minto mundos. Eu, Leminski. Enquanto vomito três mil deuses por segundo. Eu, Narciso. Que oráculos leio nesse espelho opaco de peti pavê e luz artificial? A luz é péssima, mal consigo ver no fundo dos meus olhos se moverem formas, sombras dos mortos passando na neblina curitibana. Aqui jaz um artista, mestre em desastres, deus tenha piedade dos meus disfarces. Tenho fome? Tenho sede? Tenho medo. Eu, Hércules, Teseu, Édipo, Centauro. Musa, musa, que não mais se usa. Ninguém virando pedra nos cabelos da medusa. Que é? No fundo da água, no fundo da fonte, no fundo do cálice. Pai, afasta de mim esse cale-se! Zeus me livre desta máscara que me ancora. Eu, Centauro, eu Leminski. Assim pudesse morrer, do rude golpe de me transformar em mim mesmo. Sinto cheiro de buceta, meio rosa, meio peixe. Que deus tira o outro deus do lugar de deus? Que eu afogue as minhas mágoas nesta fonte. Que eu esqueça todos os mitos, todas as poesias, todas as ruas, todas as lembranças, que eu esqueça eu mesmo, inclusive eu mesmo.  Que lenda é aquela, ali no fundo? Heróis encaram monstros. Que monstro enfrento? Não sou, por acaso filho de um rio e de uma ninfa das águas? Eu, Narciso? O mais horrendo dos monstros, filho do susto e do desassossego? A alma atravessada por uma sombra. Eu, eu, eu. Cai a noite das noites, a noite de dentro da noite de dentro da noite, a noite que só se transforma em si mesma. Eu, Narciso, prostituta, travesti, romântica, junkie, mulher, homem e anônimo. Morreu um deus, morrem todos. Eu, começo da peça, ereto e forte. Fim da peça, filho do esquecimento e da fraqueza. Lembrar passa, só o esquecimento é eterno. Uma luz fraca me atravessa. Ouço, ouço longe, muito longe, a voz do eco que me chama, mas já não tenho um nome para ser chamado. Essa minha secura, essa falta de sentimento, não tem ninguém que segure, vem de dentro. Memória, também é um deus? Nem me lembro mais. Amanhã, Narciso é um outro dia. Que deuses me tomam como matéria-prima? Em que fábula me transformo?Assim seja, estava escrito, amém.

É o teatro, gente louca de poesia!

Hoje, 20 horas, Palco do Guairinha. Estreia “Metaformose – Reflexões de Um Herói Que Não Quer Virar Pedra” – Grupo Delírio Cia. De Teatro. Tudo por Dionísio!



Escrito por Edson Bueno às 09h06
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METAFORMOSE... POR QUÊ?  - 2 -

No click do Chico Nogueira, Guilherme e Martina ensaiam METAFORMOSE.

Artistas atiram-se por semanas sobre ideias, histórias, roteiros e pensamentos. Do autor e de quem falou do autor. E de quem falou de quem falou; e ainda mais, de tudo o que aparenta - seja ou não – tocar a obra original. Um dia, depois de tantas leituras e tantas conversas, o Guilherme definiu METAFORMOSE: “Reflexões de um cara que não queria virar pedra!” Só não virou o título, porque já tinha, mas virou o subtítulo. Por que toda peça tem que ter um subtítulo? Pelo menos as minhas. Séculos atrás um amante disse que eu era verborrágico! Pois que sou. É só abrir as portas da barragem, que jorram palavras. De beber e assassinar. Das que salvam e das que matam. Subtítulos em peças do Grupo Delírio? Parecem traduções de títulos para filmes americanos! Pioram ou melhoram a obra? Talvez transformam-nas em pedras. Por quê? Talvez porque palavras. A, m, o e r, fazem mesmo o amor? E s, e, x e o, fazem sexo? Umas com as outras? Há controvérsias. Pois ultimamente ando tomando banho com elas, as palavras; enxugando-me com elas, vestindo-as, comendo-as e... bem, todo o caminho que palavras percorrem em nosso corpo até virarem outras, após a descarga. Quem quer virar pedra? Quem quer, em sã consciência, imortalizar-se em rocha? É preciso estar atento e forte porque medusas vagam na noite escura, em busca de olhares. E quando eu mesmo vago e sou Medusa? Melhor não cruzar meus olhos. Mas, e a metaformose, quero dizer, metamorfose? Porque nem sempre sou (somos!) medusa. Às vezes pinta um Narciso, uma Afrodite, um Hércules. Outras vezes um Zeus, no caso dos leoninos!  Não seria melhor percorrer a vida metamorfoseando-se para nunca ter uma cara para ser imortalizada? Como disse o Raul Seixas: “eu sou essa metamorfose ambulante!”; ele, que só tinha uma aparência. Aquela! Logo de cara METAMORFOSE LEMINSKI diz: “Nada é para compreender, porque nem eu mesmo me compreendo!” Porque mitos mudam de nomes, de histórias, de princípios e de fins, conforme a pessoa, a cidade, o país que conta. Conforme também o poeta. Leminski, o contador de mitos gregos, diverte-se/apavora-se/angustia-se com histórias que se contam por si sós. Como quando uma peça de teatro tem mil finais, como quando uma peça de teatro tem mil começos, como quando uma peça de teatro é outra peça de teatro. Quarta-feira, dia 15, 20 horas, estreia no Guairinha: METAFORMOSE – LEMINSKI. Que é?



Escrito por Edson Bueno às 02h25
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METAFORMOSE... QUE É?  - 1 -

Domingo, dia 12 de setembro de 2010. Marcia, Diego e Tiago ensaiando METAFORMOSE - REFLEXÕES,

DE UM HERÓI QUE NÃO QUER VIRAR PEDRA, na Sala 160 do Teatro Guaíra. As lentes de Chico Nogueira, também o sonoplasta.

Às vezes vamos ensaiando, e ensaiando vamos roubando, e roubando vamos poetando e teatrando e psicografando e construindo um espetáculo feito de palavras, gestos, devaneios, esperanças, gritos e sussurros. Amanhã, Dionísio é outro dia. Dionísio. O ponto de partida de Paulo Leminski para uma viagem pelo imaginário grego. Talvez uma desculpa para uma construção literária complexa e erudita, mas nem por isso, arrogante; muito pelo contrário. Poesia que é limite entre a dúvida e o conhecimento. É possível refletir sobre os descaminhos humanos por qualquer cientista, filósofo, psiquiatra ou poeta. Qualquer um tem respostas, que bem podem ser dúvidas, para interpretar a atabalhoada aventura do homem sobre o planeta e, talvez, dentro e fora dele mesmo. Mas o poeta Leminski escolheu os deuses e os semideuses, como parasitas ou fantasmas a assombrar a carne a o sangue dos pobres mortais à mercê do imponderável: talvez o destino. “A mim, gigantes e cíclopes. Grandes filhos da puta!” Corram, simples mortais, porque Zeus não terá piedade em atirar raios em suas cabeças, apenas para divertir-se com sua imaginação infinita! Ah, deliciosa sopa de palavras, rimas, expressões, aforismos e ironias que brotam da literatura leminskiana! Ah, inferno de ideias! Ah, esfinge, cabeça de poeta, asas de pensador e garras de filósofo! Os atores do Grupo Delírio, afundam, enovelam-se, bebem e embriagam-se com a experiência de deixar-se dominar pelo texto de Paulo Leminski. É como se as possibilidades fossem inesgotáveis e o tempo e o grito de Apolo (onde estás, Dionísio? Aqui, divertindo-me!) pedindo/exigindo decisões, obrigasse a delícia a virar forma. O tempo é um deus. Tudo que é maior que o homem é deus! Nunca o teatro do Grupo Delírio foi tão livre, nunca foi tão descarado, nunca foi tão irresponsável, nunca foi tão caótico! Antes do caos, da terra, do homem e das potestades que pulsam nas origens, há a loucura! Certa vez o José Celso Martinez Correa me disse/contou/ensinou, que não importa onde a peça aconteça; se em Júpiter, num país distante, num apartamento, na cozinha ou na cabeça dos personagens; ela sempre se realiza no tablado. É ali que a vida teatral se manifesta. Pés no palco! Os atores do Grupo Delírio – Tiago, Diego, Marcia, Martina, Marcel e Guilherme – pisam, sentam, deitam, beijam, cantam e trocam teatro com a poesia de Paulo Leminski, uma porta aberta à imaginação. Estamos na semana da estreia. Quarta-feira, dia 15, tudo acontece em pouco mais de uma hora. Como sempre tem sido com os espetáculos do Grupo Delírio, “Metaformose – Reflexões de um herói que não quer virar pedra”, é uma noite com o teatro e com Paulo Leminski. Como acontecerá?



Escrito por Edson Bueno às 21h04
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