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A ETERNIDADE E UM DIA Edson Bueno
 


AH, JABOR!!!

Gosto muito do Arnaldo Jabor e quase sempre concordo com tudo que ele diz em suas colunas e no Jornal da Globo. E gosto também de muitos de seus filmes, particularmente “Tudo Bem”, “Toda Nudez Será Castigada” e “Eu Sei Que Vou Te Amar”, então que fiquei felicíssimo quando ele resolveu voltar ao cinema, dezessete anos depois de sua última viagem à sétima arte. Já, de cara, achei o título desse seu novo filme, “A Suprema Felicidade”, uma bela peça de breguice, mas como disse minha amiga Eloise Grein: “Pode ser ironia...”. É, pode. Mas o cafona título do novo filme do Jabor é apenas o começo, porque antes de tudo é um filme chatíssimo, antiquado e desconectado com seu tempo! Uma viagem nostálgica ao umbigo da adolescência, sem a originalidade necessária para um vôo emocionante. Tudo no filme é muito “dèjá vu”, muito apoiado em clichês, músicas e paisagens desgastadas de um Rio de Janeiro do século passado. E a história? Apenas uma narrativa que não tem muita clareza do que quer dizer a qualquer espectador do século 21, mesmo que algum tipo de subjetividade possa ser usada como argumento a favor. Não, não creio, é apenas um filme confuso e datado, na forma e no conteúdo. Poderia apontar aqui muitos, muitos problemas, como a salada russa que é a interpretação dos atores, cada um falando uma língua: enquanto o protagonista vivido por Jayme Matarazzo é profundo no olhar e busca um naturalismo saudável, Mariana Lima e Marco Nanini viajam pelo mundo encantado da composição, transitando entre o artificial, o teatral e o exagerado com dificuldades visíveis. E Dan Stulbach, absolutamente caricatural, dá uma performance muito ruim. O elenco todo, de um modo geral, vai por esse caminho de, digamos assim, bipolaridade interpretativa, vivendo personagens estereotipados em situações estereotipadas. E, claro, ainda há o filme. 10% dos seus quase 120 minutos, são verdadeiramente poéticos e interessantes, no mais é um mosaico de cenas que vão e vem no tempo, com edição didática e lenta, somados à preguiçosa criação de sequências (o protagonista, toda vez que vai atravessar uma rua, quase é atropelado por um carro, por exemplo!), mais redundâncias, situações óbvias e clichês, além de diálogos duros e artificiais. Em todo final de sequência alguém dispara uma lição de vida, como se a própria sequência não fosse capaz de comunicar a tal lição; além do que, as tais lições de vida são frases feitas dignas do mais vulgar Almanaque Sadol. E os bifes? Intermináveis! Insuportáveis! Redundantes! Vazios e chatos! Todo mundo resolve falar, falar, falar, como se seus pensamentos tivessem maior interesse. Até teriam, se a maioria dos personagens não entrassem e saíssem do filme para nunca mais voltar ou significar. Tudo passa, parece querer dizer Jabor. Mas, como “passa”, se está sendo lembrado? Jabor demonstra um visível desejo a lá “A Era do Rádio/Woody Allen” ou “Amarcord/Fellini”, como se um olhar para o passado, para a infância e a adolescência, um olhar desgovernado, fantasiado, idealizado, operístico, pudesse falar, além do protagonista, sobre a passagem do tempo ou a decadência inevitável da vida e das coisas. Mas o que Jabor consegue, infelizmente, é fazer um filme que já nasceu antigo na forma e segue equivocado no conteúdo. Já se disse que a memória é enganosa e que (Orson Welles) um filme é um sonho; e um sonho pode até ser um pesadelo, mas nunca é uma mentira. Sei lá. Jabor parece ter tido o desejo de realizar um sonho, às vezes um pesadelo com toques até de Hieronimus Bosch, mas fez um filme brega e desinteressante, essa é a verdade. Se foi poético? Quem sabe. Mas sua poesia não conseguiu se descolar da tela, nem transformar imagens em emoções ou verdadeiras ideias. Pena.



Escrito por Edson Bueno às 23h21
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TEMPOS DE MEDIOCRIDADE

Há quem não tenha gostado de “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”, o filme romeno, Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2007. Pois eu adoro. Tenho profundo respeito e admiração pela linguagem seca, direta, às vezes cruel, mas sempre dócil, do grande diretor Cristian Mungiu. É um filme dramático que coloca o homem (qualquer um) diante de seus medos; os próprios e os impostos por uma ditadura stalinista e podre, no caso a do falecido Nicolae Ceaucescu, que Deus o tenha no mais profundo dos infernos. Ceaucescu foi líder do partido Comunista Romeno durante 24 anos, ou seja, dono absoluto da Romênia. Ao filme. Pois depois da glória de seu grande e minimalista filme, Mungiu lançou-se num projeto menos ambicioso, mas ainda profundo e revelador, uma outra reflexão sobre os anos de horror e obscurantismo em que seu país esteve afundado, os chamados “anos dourados”, como o ditador denominou-os. A Romênia viveu-os de forma humilhante, até o princípio do fim, quando o Muro de Berlim veio abaixo, o sistema de poder não aguentou-se nas próprias pernas e Ceaucescu foi preso, condenado por um tribunal de exceção e fuzilado sem muita pompa. Fim de conversa. Ao filme. “Contos da Era Dourada” é um mosaico de curtas com roteiro de Mungiu e dirigidos por ele e outros colaboradores. Agora o olhar é quase cômico, quase patético, mas não menos crítico; muito pelo contrário. Ao relatar episódios simples do cotidiano de uma população sob a ditadura, Mungiu faz um recorte implacável do preço a pagar pela humilhação imposta a um povo. São episódios dolorosamente engraçados, corriqueiros, que contam pequenas contravenções de sobrevivência, pequenas atitudes sem graça e sem heroísmo, pequenos gestos de subserviência; mas que no todo, tomam dimensões surrealistas, tal a paisagem desencantada que descortinam. É a conseqüência da ditadura na vida simples do homem simples: o homem que “contrabandeia” ovos de galinha, o casal de namorados que rouba garrafas vazias para juntar dinheiro, a aldeia que se maquia para receber a “passagem” da comitiva do ditador, o fotógrafo que muda uma fotografia para deixar Ceaucescu mais alto do que era, com o objetivo de não “rebaixá-lo”ao lado do premier francês Giscard D’estaing. E assim por diante. Um filme que se assiste com um sorriso desconfortável. E digo por quê. Porque o que os diretores romenos nos apresentam é um cotidiano medíocre e desesperançado; uma paisagem decadente, feia e quase morta; seres humanos sem amor próprio e desencarnados de alma e espírito. O que Mungiu nos revela, com incrível senso de humor, é a transformação de gente em quase mortos vivos, pessoas desprovidas de opinião própria e qualquer sentido para a vida. Uma terrível sensação de “tanto faz” percorre a narrativa. São homens e mulheres reduzidos à infantilidade, adultos agindo e reagindo como crianças analfabetas, sem qualquer traço de brilho, energia ou prazer. É uma dor. Mas, ainda assim é um filme engraçado, um pedaço da incrível comédia humana, onde o homem, no auge de sua mediocridade, é só cômico. “Contos da Era Dourada” é daqueles filmes necessários, daqueles “filmes/alerta”, porque, fruto da experiência vivida, dá uma aula sobre o preço a se pagar quando a mediocridade assume a cena e toma o poder. Uma reflexão sobre a liberdade. Qualquer homem só pode assim ser chamado se for livre. Fora disso ele é menos que uma planta seca, quase sem cor, como a paisagem humana filmada por Mungiu. Grande pequeno filme.



Escrito por Edson Bueno às 07h44
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