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A ETERNIDADE E UM DIA Edson Bueno
 


TODOS OS PRÊMIOS DO MUNDO

São Paulo, 19 de novembro de 2010. Hoje, entre tantos os deste mês, foi um dia muito especial. Fechamos, eu, o Bongiovani, as ensaiadores, mais bailarinos e bailarinas, o primeiro ato de “Giselle”, com o Balé da Cidade de São Paulo. Cresce a cada dia o meu apaixonamento. Sim, porque não pode haver coisa melhor do que estar trabalhando em um espetáculo e, além da arte, além do profissional, além até do tempo e do espírito, o amor e o apaixonamento! Vai acontecer um espetáculo especial e belíssimo. Sobra talento entre aqueles voadores e suas inteligências. A cada dia oferecem arte e originalidade. É impressionante! Seria injustiça pensar agora nesse ou naquele, nessa ou naquela, melhor continuar apaixonado por suas performances e sua evolução visível a cada dia de ensaio. Estou fechando 2010 com a chave de ouro de um trabalho incrível e renovador. Mas... mas, depois do ensaio, quase sempre saio com o Bongiovani e sentamos em qualquer lugar e comemos (muito!) e tomamos (muita!) cerveja. E conversamos tanto, tão abertamente, tão sinceros com o desejo de que o espetáculo seja o melhor do mundo! E dia desses eu soltei uma frase, quando falava de ser e estar na vida, que ao mesmo tempo em que fiquei surpreendido com a descoberta, deu-me uma indisfarçável sensação de suprema liberdade. Em meio a um “subway” mandei: “Bongiovani, eu tenho uma vida muito pequena. Sou apenas eu e um cachorro.” Os olhos incrédulos do Bongio abriram-se numa surpresa, mas eu sabia do que estava falando. Falava do significado da minha existência, da minha arte, do espaço que a vida tem me oferecido. Eu, vivendo um tempo de São Paulo, livre, leve e solto no meio da megalópole, mochila nas costas, pelos caminhos do Bixiga, pensando dança, pensando filmes de arte, pensando Charles Dickens, Clarice Lispector, Leminski, Nuvens... pensando novos sonhos teatrais e musicais; e outros sonhos que se desmancharam nos dias de um 2010 que vai chegando ao fim. Sonhos! Eu e a saudade do meu cachorricho, em casa, cuidado com carinho pelo Áldice, minha alma gêmea. Meu cachorricho, agora com cara de vira-lata, depois de três cirurgias em menos de um mês. Em 24 horas nossa vida incha e atinge a eternidade e, num passe de mágica, encolhe-se e fica menor que uma dentada num meio pão de centeio com aveia e mel. Ah! E uma golada de coca zero! E abro o computador, como sempre. E, surpresa! O Troféu Gralha Azul, de tantas histórias para todos os lados, me surpreende com indicações. “Metaformose Leminski”, que está em cartaz em São Paulo, de repente, recebe cinco: espetáculo, diretor (eu), ator (Tiago Luz), cenário (Alfredo Gomes) e iluminação (Beto Bruel). Há outros indicados, como “Habitué”, “Sobrevoar”, “Alice”, “Os Invisíveis”, etc, e eu, me perdoem os amigos (por favor, não fiquem bravos!) só consigo pensar em “Vida”, que também recebeu indicações.  Num ímpeto desavergonhado e emocional, daria todos os prêmios para “Vida”, que gostei tanto, que me deu a sensação de que o teatro é o lugar mais lindo do mundo. Mesmo que não tenha visto os outros indicados e meu sentimento irresponsável se apresente injusto e sei lá o quê. Mas gostei de ver o Alexandre França nas paradas e o Diego Fortes e o Paulo Vinicius e a Uiara, e mais e mais e mais. Talvez seja essa a grande beleza da premiação. O encontro. Há, sim, os que ficaram de fora e que se irritam, etc e tal. Mas, com a naturalidade de quem percebe o óbvio, assim, sem mais nem menos, vejo as misturas, as diferenças e as transformações. Às vezes a felicidade é perder, se é que alguém consegue entender essa frase espontânea. Não vou estar em Curitiba no dia 15 de dezembro, porque ainda estarei em São Paulo, a dois dias da estreia de “Giselle”, mas estarei aplaudindo de lá, feliz, porque como me disse um dia a Fernanda Montenegro: “importante é estar em guarda!” Atento ao tempo, às diferenças e às transformações. Ao doce e cruel movimento do destino. Ah! e daí vou dormir, sozinho, mas em meus pensamentos, acompanhado de todos os amigos que participaram de "Metaformose Leminski", atores, técnicos, artistas... amigos, que gostam de "estar em guarda" com o Grupo Delírio, porque 365 dias de muito trabalho é privilégio de poucos. E somos uns privilegiados! Beijos, queridos!



Escrito por Edson Bueno às 03h05
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WHEN YOU WISH UPON A STAR

Curitiba, 15 de novembro de 2010 - O Woody Allen do ano. A sensação clara que se tem ao assistir cada novo filme de Woody Allen é a de que aos 75 anos ele não filma mais, conversa. Naturalmente vai falando de questões que (talvez) o aflijam no crepúsculo, como já falou de outras que o afligiam na juventude e na maturidade. E seus filmes carregam a energia dos seus setenta anos, como outrora eram vivos com a energia de outras décadas. Woody é um artista de imensa sinceridade. Pouco importa (pelo menos para mim!) se esse ou aquele filme é melhor, importa que gosto de vê-lo filmar suas questões. Criado no mundo da comédia, seu comentário é sempre bem humorado, embora vez ou outra, como neste “Você Vai Conhecer o Homem dos seus Sonhos”, o resultado seja pura melancolia. Woody não busca mais soluções para as pequenas e grandes questões que movem seus personagens, apenas comenta-as, ora com doçura e compreensão; ora com aguda crueldade. “You Will Meet a Tall Dark Stranger” é uma reflexão impiedosa sobre as ilusões. Já, de cara, ele nos avisa sobre o filme, citando Mackbeth, de Shakespeare : “A vida é cheia de som e fúria... para terminar em nada”. Então, que coloca seus personagens debatendo-se em busca de um tipo de felicidade que é impossível de ser encontrada, aquela que não leva em consideração o outro. O individualismo dos interesses só consegue encontrar no outro a muleta, a escada, o complemento para os fracassos pessoais. São pessoas muito infelizes os personagens desse novo filme, e daí que o comentário engraçado sempre encontra um reflexo triste e decadente. Assistimos ao filme buscando a virada mágica de roteiro (como em “Poderosa Afrodite”, por exemplo), aquela que nos perdoa, que nos mostra a saída, que nos diga, que pelo menos no mundo da ficção a batalha vale a pena, que nossos erros serão perdoados e haverá um final feliz nos esperando, nem que seja no epílogo, ou nos comentários finais do narrador. Aos 75 anos, Woody Allen sabe que não existem ilusões, que a melhor resposta que podemos encontrar no mundo e no outro, principalmente, é aquela que continue mantendo-nos vivos, plenos de alguma existência que seja pacífica e natural. E o que é natural aos 75 anos? Esse novo filme de Woody traz interpretações muito boas de Josh Brolin, Naomi Watts e Anthony Hopkins, finalmente fazendo algo interessante e criativo depois de décadas de mesmice. Traz também a excelente performance de Gemma Jones e um Antonio Banderas que não sabe mais o que faz no cinema. João Paulo Leão, que encontrei no Unibanco Arteplex, fez o comentário definitivo: “Banderas virou um anônimo!”. Pois é. E Woody? Continua firme e forte, apesar da crítica, apesar daqueles que esperam dele algo além de comentários sobre ser e estar. É muito bom conversar com esse artista fantástico, uma vez por ano. É muito bom fazer contato com nossas ilusões/desilusões, esperanças/desesperanças. Dói, mas nem tanto. E não custa sonhar, fazer um pedido a qualquer estrela, porque tudo pode acontecer...



Escrito por Edson Bueno às 01h09
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FRASES FEITAS...

São Paulo/ Curitiba, 13 de novembro de 2010. Ainda a Panificadora aonde o seu Joaquim me ensinou que “média de café com leite”é “pingado”. Ok. A história agora é outra. Todos os dias, pela manhã, tem uma senhora que fala com todos os funcionário da dita, em alto e bom, com intimidade e uma certa arrogância fora do tom. Claro, ela está tomada por alguma perda da realidade. Começa seu discurso matinal com a frase: “Copacabana é o lugar mais lindo do mundo!” E daí pra frente fala mal de todo mundo que não é carioca e de todo lugar que não é o Rio de Janeiro. Sexta-feira a moça que trabalha no caixa me disse que ninguém agüenta mais. A tal senhora passa o dia todo na panificadora, falando e falando e falando do seu Rio de Janeiro maravilhoso e de toda a miséria que é o resto do mundo, incluindo São Paulo, a tal panificadora, os funcionários e a comida. Que fazer? Suportar ou, como disse entre dentes outra mocinha que estava ao lado, “esperar que essa velha morra ou vá prum hospício!”. É difícil ter paz em meio à loucura. Terminei de ler “Oliver Twist”, de Charles Dickens. Uma frase do livro todo eu vou carregar comigo pra sempre. Dita por Nancy a prostituta, ladra e enjeitada, da história. Ela trai todos os seus comparsas quando percebe a conspiração para matar Oliver. Vai até a residência dos milionários e depois de ser maltratada por funcionários da casa, consegue falar com a dona. Uma doce garota de menos de 18 anos, Rose. A garota a trata com dignidade e respeito, apesar de sua aparência. Nunca em toda a sua vida, Nancy tinha recebido qualquer gesto de afetividade. E então, ela olha para Rose e diz: “Se houvesse mais pessoas como a senhora, haveria menos como eu, haveria, haveria!” É de cortar o coração. Charles Dickens descreve Londres como um lugar onde a exploração de uns pelos outros é a ação dominante, o absuso da infância abandonada é a tônica e o desrespeito pelos mínimos direitos humanos é lugar comum. O negócio é sobreviver. E eu olho para os lados e tudo só me dá a certeza de que nada mudou. Há algumas variantes e a civilização galopou em algumas direções otimistas, como raros parágrafos do livro de Dickens, mas em última análise, continuamos numa sociedade onde o “salve-se quem puder” é a grande ordem. Aliás, frases feitas. Ás vezes eu as adoro, porque colam em nosso cerebelo e de lá nunca mais saem. Na madrugada eu assisto pela enésima vez “As Horas”, com as inesquecíveis Meryl Streep, Juliane Moore, Nicole Kidman e Toni Collette. Um filme que, como música, vai direto na veia. A última frase, quase um testamento, de Virginia Woolf, dita em off pela voz de Nicole (que mereceu o Oscar): “Encarar a vida de frente, sempre encarar a vida de frente. Conhecê-la pelo que ela é, finalmente conhecê-la. Amá-la pelo que é... e finalmente, deixá-la de lado...”Emocionante! A loucura, como o amor, tem diversas faces.



Escrito por Edson Bueno às 10h40
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