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A ETERNIDADE E UM DIA Edson Bueno
 


A VIDA NÃO É UM ESPETÁCULO

 

“Não cruze os braços numa atitude infrutífera de espectador,

Pois a vida não é um espetáculo,

Pois um mar de sofrimento não é um palco,

Pois o homem que grita não é um urso que dança...”

Aimé Césaire

 

São Paulo, 27 de novembro. As várias faces da (des)humanidade. Em dois dias assisti a dois filmes, duas obras raras, facilmente consideradas “de arte”, com narrativas econômicas, longos tempos silenciosos, fotografia seca, montagem simples, grande preocupação humanitária, pouco didatismo e olhar contundente. Coincidentemente, os dois filmes têm como pano de fundo a África, e mais, o triângulo miserável formado pela colonização europeia, as milícias revolucionárias (ou anarquistas) e os exércitos locais, corruptos, violentos e impiedosos. No meio de tudo, muitos homens e mulheres, complicados ou simples, vítimas ou algozes, culpados ou inocentes. “O Homem Que Grita/Un Homme Que Crie”, França/Bélgica/Chade, de Mahamat Saleh Haroun e “Minha Terra, África/White Material”, França, de Claire Denis, são os dois filmes. Os dois contam de duas figuras singulares. O primeiro protagonista é Adam, um ex-campeão de natação que, na velhice, tem como único meio de ganhar a vida, o trabalho de cuidar da piscina de um hotel de luxo  em N’Djamena, no Chade. Na eminência de perder o emprego, para o próprio filho, mais jovem e vigoroso, ele, (aos olhos do diretor) quase inocentemente entrega o filho para o exército, garantindo o posto e a dignidade (?), mas conduzindo o rapaz para a morte certa, em batalhas com guerrilheiros rebeldes. É a narrativa de um calvário de culpa e da  busca, impossível, de um tipo de purgação, que nunca tem fim. No segundo, a protagonista é Maria, (intepretada até as vísceras, por Isabelle Hupert), uma colonizadora, embora nascida em país africano, dona de uma fazenda de café, exploradora de trabalhadores negros, que se recusa a abandonar a fazenda, enquanto as milícias revolucionárias convulsionam o país, assassinam colonizadores e enfrentem-se com exércitos absurdamente amorais. São dois personagens lutando para preservar o que é seu, em matéria e espírito, cada um a seu modo, mas dois obsessivos. O olhar de Haroun é complacente, faz de seu personagem, por ser colonizado, oprimido e miserável socialmente, sempre uma vítima, mesmo quando, desliza no caráter e manda seu filho à morte. É, digamos assim, humanamente inocente. O olhar de Claire é melhor. Ela, apesar de tomar partidos na citação final do filme, vai em busca, pela câmera, da irrealidade contida no interior de seus personagens, quase que independentemente da situação crítica que vivem. São dois filmes dolorosamente humanos, que acompanhamos com o coração na mão e a indignação na retina. Nenhum dos filmes quer fazer da vida um espetáculo, ao contrário, querem dar-nos uma visão nua e crua daquilo que não precisamos (ou não queremos) olhar, no conforto de nossas pequenas vidas. Há sim, como dizem Haroun e Denis, dores profundas acontecendo neste exato momento, milhares delas, em todas as partes do mundo. E de alguma forma, elas nos atingem, mesmo que passemos ao largo, como meros observadores. A fragilidade humana precisa de nossas ações, essa é a verdade. Dois filmes belíssimos, difíceis, implacáveis. O que dizer, falando de preferências, se isto é necessário? Que o cinema de Haroun é mais “quadrado”, enquanto que, cinematograficamente, Claire Denis busca provocar-nos sensações desconfortáveis, quase avançando com a câmera para dentro do espectador. É mais pretensioso. Mas tanto um como outro, são filmes de olhos. Olhos sem horizonte, olhos sem perspectiva, olhos abandonados. Ah! Como é importante um cinema assim!



Escrito por Edson Bueno às 20h41
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AREIA MOVEDIÇA

São Paulo, 23 de novembro. Uma decepção! Onze anos separam “Felicidade”, a obra-prima de Todd Solondz, de “A Vida Durante a Guerra”. Em um, como em outro, os temas e circunstâncias são absolutamente os mesmos: os fracassados, os pervertidos, os marginais; gente movida por traumas bizarros e atormentada por determinadas culpas judaico-cristãs, que chagas abertas, acumulam-se, porque como disse um dia o diretor: “o passado nos faz”. Mas, o que acontece? Por que “Hapiness” me pareceu um filme tão original e inovador em 1998, e esse “Life During Wartime” parece tão deslocado e... enfadonho? Apesar de atualizações como a inclusão do medo pós 11 de setembro? Talvez porque soava a alerta, crítica, sei lá; enquanto neste, Solondz fica tentando compreender o incompreensível. O menino de 12 anos, talvez seu alter ego, em “Hapiness” libertava-se quando encarava a realidade e descobria seu primeiro orgasmo. Agora, o mesmo garoto desfigura-se da sua contraditória humanidade e, racional precoce, apresenta-se medroso, impotente e de um reacionarismo latente. O medo e a culpa dão as cartas. Na sessão que assisti algumas pessoas riam em determinados momentos, porque afinal, é uma comédia; mas por que em outros, o mesmo espírito de crueldade e humor negro não consegue provocar o riso? Penso que os piores mistérios da vida, porque indecifráveis, não podem ser generalizados, e isto é uma tragédia. O olhar caridoso de Solondz desaparece por trás do diretor, agora fascinado pelo bizarro. Na verdade, onze anos depois, Solondz, contando as mesmas histórias, dá um passo atrás. O que era ironia virou fetiche e o que era humor inteligente virou afetação. Solondz, com um pé no reacionário, fala demais e quanto mais fala, mais corre o risco de dizer besteiras, o que acontece. E o filme vira um catálogo repetitivo de neuroses e culpas. Solondz adora cutucar feridas abertas, mas virou um voyeur das próprias imagens. O filme? Afunda-se em si mesmo.



Escrito por Edson Bueno às 22h33
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FILMÕES, FILMAÇOS, FILMINHOS E FILMECOS

São Paulo/Curitiba, 21 de novembro. Há mais ou menos duas semanas, eu, em São Paulo, empolgado com a raspa de tacho da Mostra Internacional de Cinema, me divertia como um guri que ganhou um novo brinquedo, indo bem cedo à fila do Cine Livraria Cultura para garantir um ingresso. No domingo o plano era assistir “Submarino”, do Thomas Vinterberg, na sessão das 14h. Cheguei 11h45 com “Oliver Twist” debaixo do braço e a certeza de que a combinação de fila, cinema e literatura ia ser deliciosa. Mais ainda para um outsider quase autista, como eu. Sabia que no mesmo cinema, às 16h10 ia começar a sessão de “Carlos”, francês, de Olivier Assayas; contando a história do terrorista Chacal, numa overdose de tela de quase cinco horas e meia. Estava fora de questão, era o filme do Vinterberg e estamos conversados. Mas na fila conheci Ana, intelectual, simpática, inteligentíssima e apaixonada pelas palavras, pelas imagens e pelas ideias. Ela estava na fila para “Carlos”. E eu perguntei, toscamente, de onde ela havia tirado coragem para encarar a maratona. Ela me disse que um amigo tinha visto e que o filme “valia cada segundo de projeção”. Domingo, loucura, a possibilidade de uma companhia para um dia inteiro e eu, impulsivo como sempre, pensei e falei: “Pois vou assistir o Vinterberg e depois curto o terrorista com você!” E assim foi. De “Submarino” já falei, de Ana estou falando e de “Carlos”, dedico algumas palavras secas como o filme, mas embora não pareçam, entusiasmadas. Sim, porque há filmões. No caso, quantidade. “Carlos” é longo e econômico em, digamos assim, adjetivos imagéticos. Assayas achou que precisava de 330 minutos para contar a história de um dos mais míticos terroristas de todos os tempos. O cara mais procurado e o mais ousado. O cara que tomou de assalto a reunião de líderes da Opep, e que, ao longo de sua trajetória, até ser preso, transitou dramaticamente entre o idealista ousado até o mercenário sem destino, vivendo momentos de ídolo pop. Assayas, apoiado na interpretação vigorosa de Édgar Ramírez, faz um filme seco, quase jornalístico, mas que gruda seus olhos na tela. Sim, o amigo de Ana tinha razão, “Carlos” valeu cada segundo. É um filmão, em quantidade e qualidade. Coisa rara. E filminho, o quê? “Red – Aposentados e Perigosos”, que nem quer ser outra coisa além de uma historinha sem muita imaginação sobre aposentados da Cia que resolvem defender a própria vida à custa de muita munição, truculência e bom humor. Nada é sério, propositalmente, mas os atores Bruce Willis, John Malkovich (excepcional!), Helen Mirren, Brian Cox e Morgan Freeman, garantem a diversão. Não deixam de estar fazendo um filminho, mas muito divertido! Ah, há também os filmecos. Como o novo “Harry Potter e as Relíquias da Morte”. Aventura (?) chata, arrogante, desnecessária e vazia. A rigor é um filme onde não acontece absolutamente nada e tudo está muito bem disfarçado de super produção e intensa aventura interior. Balela! Um porre, um gigante tedioso e sonífero. Um filmeco! E... No conforto do meu apartamento, cuidando do meu cachorricho, resolvo assistir uma maravilha que estava escondida e (quase) esquecida há muitos anos: “Tiros na Broadway”, do velho e querido Woody Allen. Um dos seus melhores! Tudo, absolutamente tudo, dá certo. A mistura de gângsters e comédia, tendo o mundo do teatro, suas vaidades e utopias, como conteúdo, dá a Woody a oportunidade de destilar seu incrível humor, sua visão do mundo e da arte, sua cruel percepção das fraquezas humanas e suas geniais frases de efeito, sempre de duplo sentido. Rir e pensar é o que “Bullets over Broadway” provoca. E tem atores em estado de graça, como Diane Wiest (premiada com o Oscar), Jennifer Tilly, Jim Broadbent, Chazz Palminteri e John Cusack. E as definições que dizem tanto da vida, mas que insistimos em não acreditar: “Para mim o amor é profundo e o sexo é só questão de centímetros” ou “Se você tivesse que escolher para salvar de um incêndio, as últimas obras de Shakespeare e um sujeito anônimo, quem escolheria?” ou “os artistas criam seu próprio universo moral”, e ainda, “Você é uma péssima atriz.”, dita por Chazz Palminteri, segundos antes de aplicar quatro tiros em Jennifer Tilly, que despede-se da vida e do teatro nas águas geladas do Rio Hudson. Genial! Esse sim, um filmaço!!!



Escrito por Edson Bueno às 15h21
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