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A ETERNIDADE E UM DIA Edson Bueno
 


PORRA, QUE GENTE DO MAL!!!

São Paulo, 01 de dezembro. The Social Network/A Rede Social. Fui à pré-estreia de um dos filmes mais esperados do ano. Uau! Filmaço!!! À certa altura não consegui evitar um desabafo, felizmente não tão alto a ponto de irritar os outros espectadores (o cinema estava lotado!): “Porra, que gente do mal!”. Inevitável. Mas, um pouco mais à frente, quando tudo se desenrolava para os piores destinos possíveis (para quem?), um outro tipo de reflexão me fez companhia: Gente do mal? Uma gurizada de não mais que 20 anos. Gente do mal nada! Apenas o fruto pronto e elaborado de uma cultura e uma educação tecnicista, voltada para a competição. Só fazem o que aprenderam. Nada que cheire mais aos nossos tempos do que qualquer idealismo romântico. Mas o filme, não se preocupem, tem lá seu lado romântico, embora o melhor dele seja justamente o oposto: a expressão descarada de uma geração sem escrúpulos. “The Social Network” é o filme do ano, não tenho dúvidas. O cinema americano, com toda a sua dose de mercenarismo e sua irresistível paixão pelo fast-food, consegue surpreender (e muito!) sempre. David Fincher pode não ser a ousadia estilística que todos esperam do cara que já fez  “Seven”e “O Clube da Luta”, mas, apoiado num roteiro excepcional e uma edição vigorosa, coloca o dedo na ferida da contemporaneidade. O protagonista, o tal Mark Zuckerberg, em sua arrogância natural, na consciência indiscutível de que está à frente de todos os seres humanos do seu tempo, porque domina a máquina como ninguém, reflete o tédio de uma época onde as ideologias foram para as cucuias. O resto da humanidade é uma massa manipulável e carente, perdida entre o nada e coisa nenhuma. Alimentando-se da futilidade, enquanto a vida bate insistentemente à porta. Mas a vida é um perigo, então a ilusão não é porre e é negócio. Daí que essa gurizada descobriu que bacana mesmo é se dar bem, ganhar dinheiro e manipular os pobres mortais que não fazem a mínima ideia sobre a revolução tecnológica que acontece a um palmo dos seus olhos que cada dia mais, vêem menos. Houve quem dissesse que “The Social Network” é o filme mais triste do ano porque amor, amizade, fraternidade, respeito, sonhos, etc e tal, passam ao largo dele. Talvez. Mas e a nossa irresistível simpatia pelas pessoas inteligentes? Por mais babacas que sejam seus personagens, não conseguimos nos desprender de seus raciocínios espertos. Até onde irão? Assim como em “O Poderoso Chefão” torcemos pelo bandido, aqui torcemos pelo gênio. A suprema grandeza de sua inteligência o perdoa e o redime. Em algum lugar sombrio de nossas almas, queríamos ser como Mark Zuckerberg, e queríamos nos dar bem como ele. O conflito é moral, ético, humano e vamos todos para o inferno, senão o do diabo, o inferno da nossa ignorância. “The Social Network” é, digamos assim, um filme faustiano, uma forma de vender a alma ao diabo, sem os chifres, claro! David Fincher conduz o filme com mãos de mestre, conhecedor absoluto das manhas cinematográficas. Deita e rola e não perde nunca o sentido da crítica, do humor e do drama. E revela um ator especialíssimo: Jesse Eisenberg, vivendo com toda naturalidade, as mil faces do gênio criador do facebook. Jesse é o Dustin Hoffman do início do século, um jovem de talento poderoso. Seus olhos editam o filme, fotografam o filme, roteirizam o filme, determinam o sim e o não de nossas humildes emoções de espectadores. Pois então, longe de querer desviar o clichê, mas “The Social Network” é o filme que conta com a suprema crueldade, como é ser uma criatura humana em nossos tempos, e profetiza o nosso futuro, com a maior autoridade. Filmaço!!! Ah! Para não deixar de fazer um “senão”, vale dizer que o filme, apesar de suas duas horas, acaba um pouco cedo. Não custa ter mais 10 minutos, uma virada final um pouco mais elaborada, em termos cinematográficos. Mas daí também, seria perfeito!



Escrito por Edson Bueno às 22h36
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OS VIVOS E OS MORTOS

São Paulo, 30 de novembro. Acabei de ler as quinhentas e tantas páginas de “Clarice”, de Benjamin Mozer, a biografia do mito/mistério da literatura brasileira. O livro tem muitas, muitas qualidades. Talvez as maiores, além é claro, de tudo que é Clarice, sejam as que caracterizam o autor: ele conta tudo com extrema simplicidade, tentando ser compreendido em cada linha; não tenta copiar o estilo de Clarice Lispector, nem se acha acima dela, e não é reverente. Às vezes conta as coisas meio aos trancos e barrancos, mas como? Seria preciso mais de vinte mil páginas para escrever Clarice, e ele só tinha umas quinhentas. Fez um trabalho emocionante e prestou um serviço inestimável à memória de nossas artes. Finda a leitura, eu, meus espíritos de artista, fiquei parado na sacada de onde moro, aqui na Rua Herculano de Freitas, atrás do Shopping Frei Caneca, com a alma transformada em bolhas de sabão, que iam crescendo, crescendo, multiplicando-se e nunca escapavam para fora do corpo. Nem escapavam, nem estouravam. Que fazer? Estou assim, o dia inteiro, de êxtase e luto. Ah, nós e nossas paixões! Somos feitos do que amamos e quase nada do que odiamos. E eu amo Clarice e me doeu terminar o livro, como se estivesse me despedindo dela. Não queria chegar ao último capítulo, não queria lê-la morrer. Mas li e ela morreu. Mortes. E um fim de semana onde se foi Leslie Nielsen. Quem? Aquele ator incrível, cara de pau, que fez todo mundo morrer de rir em “Apertem os Cintos o Piloto Sumiu” e tantas outras comédias nonsense. Fazia rir sem esforço de nada. Era um mestre em coisa nenhuma. Era delicioso vê-lo no cinema, mesmo que muitas das vezes não tivesse mesmo, graça nenhuma. Porque nem sempre é preciso ser engraçado. O que não se pode é ser desagradável na intenção de fazer rir. E Leslie era encantador. Assim como morreu Irvin Kershner, que nem era mestre, mas dirigiu o melhor “Guerra nas Estrelas”, o segundo, “O Império Contra Ataca”. Às vezes um bom burocrata executa melhor um serviço que um metido a artesão, tipo “pouca prática”, que tenta, tenta e nunca consegue. George Lukas que é cheio de boas ideias, fez três filmes muito ruins (os últimos) com a saga. Mas para quê lembrar do ruim, se o bom se foi e deveria permanecer na nossa memória? Na memória de quem viu “Guerra nas Estrelas”, Irvin Kershner tem cadeira cativa. Assim como também se foi Mario Monicelli, um dos grandes da fase de ouro do cinema italiano. Não se iludam, Mario era tão bom quanto Fellini, Visconti, Pasolini ou Risi. Apenas que fazia rir e por isso era considerado menor. Ouvi, uma vez o Jô Soares contando que quase arrebentou-se de rir assistindo “O Incrível Exército de Brancaleone” em uma de suas reprises na tela grande. Eu também. E Vittorio Gasmann, fazendo Brancaleone, uma das maiores interpretações do cinema. Memórias. Sexta-feira passada fui assistir a um programa da São Paulo Cia. De Dança, no Teatro Sergio Cardoso. Eu e o Bongiovani encontramos uma lenda do teatro brasileiro, cujo nome não vou citar. Lá pelas tantas, ele, super bem humorado, falando de vida e vida e vida, saiu-se com esta: “Como um dia disse a Fernanda Montenegro, teatro não dá muito futuro, mas dá um passado!!!” Essa frase me perseguiu por todo o final da semana. Com certeza, em termos quantitativos, eu já sou mais passado que futuro. Mas tenho tanto presente!!! E o que é o futuro? Nada. E o passado? Nada. “... sua alma desmaiava lentamente, enquanto ele ouvia a neve cair suave através do universo, cair brandamente – como se lhes descesse a hora final – sobre todos os vivos e sobre todos os mortos.” Isso não é Clarice, é Joyce. Mas eu sei, há tanta Clarice para ser vivida nesses próximos dias. Todas, esperando quietas, em meu guarda-roupas, silenciosas e falantes, mortas de vontade de virar teatro. E isto não é arrogância, é prazer e esperança. Como Clarice Lispector, eu também tenho uma vontade enorme de ser bicho.



Escrito por Edson Bueno às 06h53
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