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A ETERNIDADE E UM DIA Edson Bueno
 


MOON RIVER

São Paulo, 17 de dezembro. É bom lembrar de quem encantou e fez rir, mesmo na morte. Turista, inocente e deslumbrado que fui e sou, na primeira vez em que estive em New York, fui, coração batendo forte, na Tiffany’s da Quinta Avenida. Lembrar de Audrey Hepburn, entre os letreiros, olhando a vitrine bem cedinho, em “Bonequinha de Luxo”. Quem esquece de Audrey sob a chuva chamando pelo “gato” carente de afeto e humanidade? E, viola na varanda, cantando “Moon River”, de Henry Mancini? Isso não é nada perto do que Blake Edwards deu ao cinema. O Inspetor Clouseau, definitiva criação com Peter Sellers em “A Pantera Cor de Rosa”, onde humor, pastelão, charme e elegância convivem como se fossem companheiros a séculos? E “A Corrida do Século” com Toni Curtis, Jack Lemmon e Natalie Wood, numa comédia aventurosa, onde o bem é lindo e sorridente e o mal bigodudo e de sobrancelhas tortas, como nos filmes do cinema mudo? Assisti “A Corrida...”numa época em que você podia entrar no cinema e ficar lá pelo tempo que quisesse. Sem brincadeira, atravessei três sessões no Cine Vitória, na Barão do Rio Branco, absolutamente encantado e rindo, rindo, até das tortas na cara e do sorriso brilhante e luzidio de Toni Curtis, arregaçando-se para a câmera. Ironia e inteligência. E num dia complicado e estranho, no Cine Condor, assisti a duas sessões seguidas de “Victor Victoria”, com Julie Andrews estrelíssima, Robert Preston e Lesley Ann Warren (que mereciam o Oscar!). “Me And You” é uma das mais encantadoras cenas do cinema e Robert, fechando o filme com uma gargalhada gostosíssima, depois de “cantar e dançar” “The Shade Dame From Seville” é uma homenagem ao prazer, ao cinema e à arte. Pois Blake Edwards foi embora, deixando gargalhadas e suspiros para trás. Ele ainda nos deu mais de Peter em “Um Convidado Bem Trapalhão”, que é a comédia favorita do meu amigo Chico Nogueira e Dudley Moore fazendo graça com Bo Derek (incrível!) sexy e apaixonante. Alguém esquece “Mulher Nota 10”? Não dá pra dizer que 2010 fecha suas portas triste, porque reis da comédia como Mario Monicelli e Blake Edwards morreram. Talvez seja justamente o contrário. Mario faria comédia de um ancião atirando-se pateticamente do quinto andar (como Woody fez em “Tudo Pode Dar Certo”) e Blake criaria uma cena de um sujeito genial indo para o céu/inferno embalado por Henry Mancini e sendo recebido meio desajeitadamente por Audrey Hepburn, George Peppard, Dudley Moore, Peter Sellers, David Niven, Tony Curtis, Jack Lemmon, Natalie Wood e Robert Preston. O cinema é imortal.



Escrito por Edson Bueno às 13h13
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TETRO

São Paulo, 14 de dezembro. Tetro. Ah, um diretor! Desde os primeiros planos, embalados por um emocionante tango (e quando um tango não é emocionante?) e uma fotografia quente e irreal, Francis Ford Coppola com seu “Tetro” atira-nos para dentro do cinema. É bobagem esperar o realismo vulgar (mas nem sempre vazio) do cinema contemporâneo. Coppola é um esteta clássico. Filma as ruas e os interiores de Buenos Aires e nos dá a impressão de estar filmando em estúdio. Passeia pela própria linguagem e se permite, vez ou outra, tangenciar Almodóvar e Fellini, outros dois que faziam (fazem!) do próprio cinema a arte que faziam (fazem!). Sem muitas firulas, dá para dizer sem medo de errar que em “Tetro” a história é importante, mas Coppola filma mesmo é o cinema. E por isso a viagem pela dramática aventura de dois irmãos que se encontram e se desencontram, vítimas de dolorosos traumas familiares, é comprida, cheia de idas e vindas, delírios visuais, rompantes melodramáticos, flash-backs que mais parecem sonhos, grandes closes misteriosos, uma mistura charmosíssima de línguas, e muitas vezes mergulhos livres no vazio, é uma experiência rara. É, talvez, o filme mais belo do ano. Daqueles onde o transbordar de belezas nunca cansa, ao contrário. Mais, mais, mais, você pede a Coppola e ele nunca desiste de elaborar o roteiro e experimentar planos e sequências. Um diretor que num filme só, pequeno, distante da grandiloquência blockbuster de um “Godfather”, nunca cansa de (se) cinemar. Para que falar da história? Da busca errante pela afetividade? Da família? Da necessidade do amor? Da arte? Da sensação de genialidade e arrogância que vez ou outra envenenam a alma? Da sedução da vaidade? Das renúncias? Do medo da vida? Da vontade de fugir de tudo para ver se a dor amaina? Do ser ou não ser de Shakespeare? Para que falar se, às vezes, quando o diretor é um Francis Ford Coppola inspiradíssimo (como algumas vezes acontece também com o Scorsese) o cinema é o verdadeiro conteúdo? Tetro/Teatro/Cinema/Essência/Diálogo entre o passado e o presente. Palavra e imagem. Com interpretações emocionantes de Maribel Verdú, Vincent Gallo e Alden Ehrenreich, “Tetro” é a assinatura apaixonada de um amante de cinema. Ah, que diferença faz um grande diretor!!! E se nada mais há para se dizer, resta ainda uma participação felliniana de Carmem Maura, que lembra os grandes tempos de “La Dolce Vita”. Cinema é eterno, porque (e quando) arte.

 



Escrito por Edson Bueno às 08h14
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ÀS GRALHAS, A GRALHA!!!

São Paulo, 12 de dezembro. Mortes e vidas. Na próxima quarta-feira, dia 15 vai acontecer a entrega das Gralhas Azuis para os melhores do Teatro Paranaense, em 2010. Não vou estar, infelizmente, para aplaudir “Vida”, da Companhia Brasileira, porque em São Paulo, “Giselle”, do Balé da Cidade, estreia dia 17 no Auditório Ibirapuera. Pena, queria estar. Mas... desde que saíram as indicações, ouvi e li muita coisa, como aliás, acontece todo ano. Uma disse que queria ver a premiação “premiar outros tipos de espetáculos”, outro disse que “é um prêmio mixuruca”, outra até disse que “vai desatarrachar as asas das muitas que ganhou na vida”, a mesma disse que está mais do que na hora de aplicar “eutanásia na moribunda”. Alguém disse que certos premiados, a lá Woody Allen, preferem tomar cerveja no Café do Teatro a ir à premiação. Nos últimos anos, dez ou doze, o prêmio foi para as mãos de um espetáculo experimental da Sueli Araujo, “Alencar”, dois do “grand guignol” do Biscaia (Morgue Story e Graphic), dois espetáculos do Ateliê de Criação Teatral (Cão Coisa e a Coisa Homem e Aconteceu no Brasil, enquanto o ônibus não vem), um outro experimental de formas animadas (Tropeço), dois da “palavra”, (Capitu – Memória Editada e Kafka – Escrever é um sono mais profundo do que a morte), meus; um outro de teatro dança, do Maurício Vogue e da Carmem Jorge (Motion), e o que mais? Ah, e (espero) esse ano “Vida”, do Marcio Abreu. Olhando para trás dá para dizer que é uma história respeitável e pensando nisso é que resolvo que eu, pelo menos, não vou desatarrachar as minhas gralhas, vou deixá-las morrer naturalmente, como eu também morrerei um dia e também não farei coro com aqueles que, de seringa entre os dedos, querem aplicar a dose letal que vai roubar os momentos de felicidade daqueles que ainda subirão ao palco do Guairinha receber seus prêmios. Alguém pode me perguntar se a tal indignação nunca percorreu minhas artérias e veias, algumas vezes envenenando meu coração. Percorreu sim, respondo. Muitas vezes. Mas tomei imediatamente o antídoto que me salvou. Chama-se arte. Dia desses disse  ao Abner: “Vim ao mundo para amar alguém, para fazer teatro e ter um cachorro”. Acho que é isso. Matar não está entre as minhas decisões de vida. E assim, toda vez que a tal indignação se apresenta, corro para as palavras, para os gestos, para as cenas e procuro alguém para amar, meu cachorro para abraçar e meu teatro para fazer. E segue a vida. Estou lendo, tardiamente, “O Lobo da Estepe”, do Herman Hesse. Lá pelas tantas Harry, o tal lobo, sonha um encontro com o poeta Goethe. O poeta diz-lhe coisas e entre elas, essa aí embaixo, que eu, ladrão, usurpador e sem-vergonha que sou, reproduzo, com as mudanças que não traem nem Goethe, nem Hesse; dão mais humor/amor às reflexões sobre o Troféu Gralha Azul”

“- Meu amigo, levas os velhos artistas e a si próprio, muito a sério. Assim o fazendo, cometes uma injustiça contra eles, e a si próprio. Não ter apreço por nós e por nossos esforços, denuncia que leva-nos a sério, mas nós preferimos gracejar.  A seriedade, meu jovem, é uma consequência do tempo; consiste, permito-me confiar-lhe, numa superestimação do tempo, por isso queria viver cem anos. Como você também quer. Mas na eternidade, como vês, não há tempo; a eternidade não é mais que um momento, cuja duração não vai além de um gracejo.”

O momento. Aquele em que você cria uma cena, escreve uma frase, provoca um silêncio no palco, mata uma ideia, arrepende-se, é tomado por um lampejo de ambição desmesurada, condena um inocente à morte, morre de inveja, assiste uma ruga nova embaixo dos olhos, queria estar lá e não aqui, sorve um gole de conhaque, olha pela janela, beija, chora, atinge um orgasmo, agradece, esbofeteia, sobe ao palco e recebe um prêmio. Momentos. Eternidades. Nada mais.



Escrito por Edson Bueno às 11h58
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