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A ETERNIDADE E UM DIA Edson Bueno
 


YOU DON’ T KNOW JACK

Barry Levinson que nunca foi aquelas coisas, mas vez ou outra encara o demônio de frente (como em “Mera Coincidência/1997”, com Dustin Hoffman e Robert de Niro), resolveu produzir e dirigir um filme estonteante: “You Don’t Know Jack”, com Al Pacino vivendo o Dr. Jack Kevorkian, conhecido como “Dr. Morte”, por ter iniciado uma cruzada a favor da eutanásia no Estado de Michigan, EUA, tendo feito mais de 130 suicídios assistidos. Uma história complicadíssima e que abre espaço para todo tipo de opinião. O filme é perturbador e Al Pacino oferece, mais uma vez, uma performance espetacular. Filmes para televisão têm características muito claras. Têm que ser mais realistas (ou naturalistas, como queiram) e devem abusar dos closes, porque a tela é pequena. A câmera deve fluir mais e o diretor não pode se dar ao luxo de altos vôos estilísticos. Alguns diretores que na telona soam meio sem graça, encontram na TV espaço para colocar sua criatividade em outros lugares, como o conteúdo e as interpretações. Não é raro grandes atores darem performances especialíssimas na telinha.  Ficam mais livres e deixam a intuição rolar. O que impressiona em “You Don’t Know Jack”é o conteúdo, sem dúvida. Sempre tivemos grandes problemas em lidar com a morte e ao contrário do que deveria significar (uma natural consequência da vida), damos a ela um tratamento lúgubre, cruel e maléfico. Claro, o quarto mandamento faz a diferença, já que um dos preceitos básicos da existência é a valorização da vida. Mas, qual vida? Apenas a nossa? A da família? Dos amigos mais próximos? De quem? Tivéssemos, creio eu, um outro tipo de educação e qualquer vida seria importante, incluindo animais e plantas, e então que grande parte dos problemas da sociedade moderna seriam minimizados. Mas uma das maiores características da criatura civilizada é a hipocrisia e uma das nossas maiores heranças religiosas é a distorção das ideias. É impossível não pensar nas opções do Dr. Kevorkian, ajudando pacientes terminais a terem uma morte digna, ao invés de um fim humilhante, sofrido e indigno. Mas o filme de Levinson levanta tantas questões, todas elas sem resposta, que é impossível assisti-lo sem levantar questionamentos cena após cena. O que é a vida? O que é o amor? O que é ética? O que é ciência? O que é religião? O que é, o que é, o que é? Levinson dirige com maestria. Quando apresenta os suicidas em todas as suas aparências, digamos assim, midiáticas, ele revela nossos preconceitos e nosso despreparo para compreender a real profundidade das coisas. Num primeiro momento ele mostra o doente terminal contando sua dor, e então temos a certeza absoluta de que a morte é uma benção e a solução digna; em seguida ao vermos o mesmo doente, já morto, temos a sensação da paz e do descanso. Com a chegada da polícia que executa seu trabalho com fotografias que parecem registros de um assassinato, em seus mínimos detalhes, percebemos a distorção da imagem. E quem poderá fazer um julgamento justo diante da imagem injusta? A imagem é o que fazemos dela e a força do costume é poderosa. Mas em todos os sentidos, o que salta à vista é a fragilidade da existência, a dificuldade de compreendermos o que fazer diante da decadência física e das doenças terminais; a separação entre corpo e alma, egoísmo e dor, amor e renúncia. Al Pacino constrói um personagem lógico, não um personagem emotivo e isso dá ao seu Dr. Kervokian algo próximo ao “Dr. House”, mas na certeza de que está interpretando um ser real, nosso julgamento do que é certo e errado vai além das leis e das crenças. Particularmente, acredito que teríamos menos medo da morte e seria justo que terminássemos nossos dias com paz e dignidade, porque ninguém sabe o que o destino nos reserva. Mas é preciso pensar o significado da existência para poder fazer qualquer tipo de reflexão, e nesse sentido “You Don’t Know Jack”é um primor. Levinson e Pacino constroem um filme denso, profundo e complicado. Convidam-nos a repensar valores e imaginar nosso próprio futuro. Vida e morte ainda são mistérios medrosos e o homem tem medo de lidar com eles, porque qualquer gesto mais radical pode significar endeusar-se. Mas, com certeza, é por medo e hipocrisia porque em toda a história da civilização o homem buscou subterfúgios e os encontrou, para determinar a vida e a morte de seus próximos. Apenas faz de conta que não, para se ver merecedor de um certo paraíso. Como disse Clarice Lispector: “O que nos oferece Deus em troca da morte? Céu e inferno não, porque esses nós os conhecemos muito bem. Então?Grande filme, grande interpretação, grande encruzilhada . Grande reflexão sobre nossos medos e covardias. Um filme a serviço da vida, podem crer. De tirar o fôlego!      



Escrito por Edson Bueno às 22h47
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CORAÇÃO MOLE

Fui assistir à incrível orquestra de Brancaleone. Ok, “O Concerto” do diretor romeno Radu Mihaileanu, não tem a inteligência do filme de Monicelli e quase sempre é vulgar e rasteiro, mas tem uma história divertida, atores excepcionais e a música de Tchaikovsky. É pouco? Depende do estado de seu coração no momento do filme. Pipoca ajuda. Uma das premissas de se curtir ou não um filme, é acreditar. Por exemplo, o primeiro “King Kong”, aquele de 1932. É impossível acreditar naquele monstro visivelmente fake, de massinha e com movimentos tremidos e falsos. Mas seus olhos brilham e a mão firme dos diretores é um fato. Então que a licença poética permite curtir uma bela aventura. Talvez com “O Concerto” seja um pouco mais difícil porque as intenções do diretor são profundas. Ele quer falar de injustiça, violência, amor, preconceitos, renúncia, arte, paixão, política e determinação. É muita coisa, mas se de boas intenções o inferno está cheio, o cinema também. E as intenções dão a Mihaileanu a credencial para fazer a platéia rir, chorar e refletir sobre os desígnios da vida. Ele faz um filme rocambolesco, infernalmente cheio de situações inverossímeis e forçadas, trabalha o tempo todo no tom da sátira, mas desvia-se dele para o sentimentalismo e assume o folhetinesco sem medo de ser feliz. Como, com as nossas exigências artísticas, nós vamos aceitar tal cara de pau? Fato é que, de posse de todas essas armas, fui me permitindo brincar com “O Concerto” e tirei dele deliciosas doses de prazer. Nada no filme cheira a pecado e picaretagem, justamente porque Mihaileanu está interessadíssimo em contar-nos de gente e faz um filme que, tocando em preconceitos e crueldades, abre (escancara!) as portas para um humanismo sincero. “O Concerto” é, digamos assim, uma fábula do pé quebrado, mas como a música, busca comunicar-se com nossa cultura e atinge o objetivo em cheio. Seus personagens, à exceção do protagonista, são quase unidimensionais, mas contraditórios e multifacetados. Como ele consegue? Justamente porque trabalha no limite da sátira onde tudo é possível. Não sei se Mihaileanu quer ser levado a sério como um grande cineasta, mas que quer contar sua história, isso é certo. E tem pelo menos um acerto, daqueles que compensam qualquer ida ao cinema: fala-nos abertamente de música e consegue dar a ela (a sinfonia para violino e orquestra de Tchaiklovsky) a dimensão maior da maior das artes. “O Concerto” é para ser esquecido e até ridicularizado como tive a oportunidade de ver na imprensa especializada, mas é um belíssimo filme e eu que nunca falei com o céu ou o inferno, pelo menos com seus presidentes, dou-lhes a certeza de que as boas intenções desse filme não levarão seu diretor ao inferno. Talvez ao purgatório. Mas ele irá sim, com orgulho de ter feito exatamente o filme que quis fazer. E os outros que se lixem! Em resumo? “O Concerto” é delicioso e emocionante.



Escrito por Edson Bueno às 02h47
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AND THE GOLDEN GLOBE GOES TO…

Sinceramente? Houve um tempo em que eu assistia às entregas de prêmios de Hollywood, vibrando e empolgado. Hoje sinto um profundo tédio, quase morro de preguiça e acho que tudo perdeu completamente a graça. Não, não é o mundo que é entediante, nossas opiniões é que nos entediam e o que é uma apresentação de prêmios com gente falando bobagens atrás de bobagens, diante dos próprios filmes? De verdade, os prêmios são interessantes, mas para quem ganha e perde. A mim, interessam os filmes. Mas, seguindo essa progressão, com certeza em dois ou três anos não mais me darei ao trabalho de ficar ligado em frente à TNT vendo, de verdade, quem envelheceu, quem engordou, quem quase morreu, etc e tal. Leio no dia seguinte em qualquer site desses e estamos conversados. Em 2011 ainda me aguentarei nas paciências. E as fofocas, justiças e injustiças da 68ª. Edição dos Golden Globe Awards? Começa pelo apresentador: Rick Gervais é só um mala e acha que as duas únicas piadas possíveis são tirar uma com as fraquezas dos colegas (mesmo com o consentimento) e entrar em cena com um copo na mão. Um chato. E os vencedores? Christian Bale tinha tanta certeza de que ia ganhar que foi vestido e maquiado de Daniel Day-Lewis e o Rubens Ewald Filho soltou a frase da noite: “Helena Bohan-Carter vestida de bruxa”. E depois que perdeu o prêmio para Melissa Leo ficou beiçuda. Estava torcendo por “The Walking Dead”, mas ganhou “Boardwalk Empire”; tudo bem porque o seriado criado pelo Martin Scorsese é muito, muito bom. “Glee”? Sensacional. É um sopro de inteligência, bom humor, crueldade e coração aberto. Mereceu tudo que ganhou (Chris Colfer, Jane Lynch, etc) e devia ganhar mais, mesmo reconhecendo outros talentos. “Carlos”, como já disse em outros tempos é um tour-de-force de competência e seriedade. Ah! Michelle Pfeiffer era um tédio só e Jane Fonda está inteiraça!!! Al Pacino segue sua carreira de desafios, arriscando sempre e oferecendo o melhor do melhor; enquanto que Robert de Niro, o homenageado da noite, teve que reconhecer que fez coisas maravilhosas, mas ultimamente tem se dedicado a merdas totais. Emoção? Melissa Leo, Annete Bening e os olhos marejados do Tom Cruise aplaudindo de Niro em pé. Ele sabe que talento é coisa pra se guardar no lado esquerdo do peito. O melhor discurso? Claire Danes, homenageando todo mundo e Temple Grandin, uma dessas personalidades raras e que vieram ao mundo para melhorá-lo, já que grande parte dele insiste em piorar. David Fincher esqueceu que é o diretor do filme do ano e deu um discurso jeca e careta. Quase fiquei com raiva. “The Social Neetwork” vai deitando e rolando e “Toy Story 3” já é história. Colin Firth e Natalie Portman dispensam comentários, são vip no mundo encantado dos excelentes atores. E “Inception” saiu de mãos abanando. É duro ser original! Do alto de sua responsabilidade, Robert de Niro resumiu as coisas com uma frase de efeito: “O filmes? O público decide se é entretenimento, os críticos se é bom e a posteridade se é arte.” Mas o que é posteridade no mundo do facebook? Até o Oscar!!!



Escrito por Edson Bueno às 03h13
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SOBRE A INCRÍVEL PROFISSÃO DE ATOR

O atual assunto da mídia cinematográfica é, sem dúvida, as premiações americanas e os filmes que graças a ela vão abarrotar os cinemas nas próximas semanas. Filme daqui, filme dali, um dos temas é a interpretação. Colin Firth parece ser unanimidade por “O Discurso do Rei” e Christian Bale a outra, por “O Lutador”. 99,9% nas apostas de que vão ganhar os Globos de Ouro e ainda vão ter um Oscar para depositar sobre a lareira. Atriz? Parece que duas estão claramente na parada: Annete Bening por “Minhas Mães e Meu Pai”e Natalie Portman por “Cisne Negro”. Portman está alguns metros à frente porque o filme vai de vento em popa nas bilheterias, enquanto “Minhas Mães...” já saiu da mídia faz tempo. Acontece que a Academia anda devendo um Oscar para Annete e sentimentalismos sempre contam. Então, o que acontecerá? E quanto ao prêmio de atriz coadjuvante, duas sérias concorrentes: Melissa Leo (que já foi indicada por “Frozen River”) e a revelação Hailee Steinfeld de apenas 14 anos, por “True Grit”, dos Irmãos Coen. Aqui a parada é dura e até Mila Kunis por “Cisne Negro” tem chances. Mas que importância isso tem? Nenhuma, oras. Embora ajude a pensar a bela profissão de ator e seus caminhos. O trabalho de Natalie Portman, por exemplo, é comparado a grandes interpretações como Robert de Niro em “O Touro Indomável”, Dustin Hoffman em “Tootsie”, Meryl Streep em “A Escolha de Sofia” e Daniel Day-Lewis em “Sangue Negro”. Composições onde o ator praticamente desaparece por trás do personagem. Trabalho elaborado e cuidadoso que pede talento e dedicação. E Melissa Leo, que um crítico disse significar a vontade de um ator “ser” o personagem, acessando sabe-se lá como, emoções desconhecidas e despindo-se completamente de qualquer vaidade. E entro eu na parada com a minha experiência de quase 30 anos de teatro. É verdade, ser ator é antes de mais nada um exercício de humildade. De entrega incondicional, onde a pessoa permite-se entregar corpo, voz e mente a uma outra (o personagem) que, sempre, não tem absolutamente nada a ver com ela mesma. Não é fácil. Abdicar do ego e realmente interessar-se pela vida de alguém, emprestando-se a ela, é uma experiência para poucos. De um modo geral os atores brincam com o “estar em cena”, com o “contracenar”, com o ato de interpretar. Quando muito chegam a 40% da real possibilidade e seus egos são tão inflados que acreditam estar executando um milagre, pelo simples fato de estarem em cena e não tremerem as pernas nem esquecerem o texto. Tive um professor de interpretação que dizia em alto e bom tom que para o ator “Freud era mais importante que Stanislavski!”. Exageros à parte ele tinha muita razão. Justo numa profissão em que se está iluminado por inúmeros holofotes e o aplauso, os elogios e os prêmios são moedas fortes, ter interesse pela vida alheia, pelas emoções misteriosas, pelos paradoxos e contradições, é um exercício além preconceito e verdadeira entrega. Certa vez ouvi Russel Crowe (que admiro) contar que nunca se apaixonava pelos seus personagens. “Quando nos apaixonamos por alguém”, disse ele, “não vemos seus defeitos”. Quem é humano sem defeitos? E Fernanda Montenegro dizendo que “suas falas nunca tem um só subtexto. Pelo menos três!”. Sábia e profunda. Mas a maioria dos atores quer facilitar. Se podem usar suas próprias emoções, opiniões, truques e trejeitos colados ao corpo por experiências anteriores, para que caminhar de coração aberto na direção de outra criatura, o personagem? “Se eu mesmo sou o suficiente!”, diria um deles. Pois é. Talvez por isso me irritei tanto quando vi, ano passado, Meryl Streep numa composição primorosa em “Julie & Julia” perder Globo de Ouro, Oscar e etc. para Sandra Bullock, numa naturalidade medíocre. Para o ator, a verdadeira experiência artística é deixar de ser ele mesmo. Não tenho a menor dúvida!



Escrito por Edson Bueno às 02h05
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