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A ETERNIDADE E UM DIA Edson Bueno
 


GOD SAVE THE KING!!!

Vira, mexe, torna e uma unanimidade acaba caindo de pára-quedas em nossas mãos. E nós que tratemos de dar conta delas. Hollywood desembarcou em nosso aeroporto uma carimbadíssima: “O Discurso do Rei”. Daqueles filmes que nos chegam tão empacotados que é até um perigo não achar aquilo que já vem achado via críticos, associações, academias, etc e tal. Afinal de contas, se eles têm uma opinião definitiva e embasada, por que temos nós que duvidar? Mais inteligente é concordar, divertir-se, fazer coro e cair na farra! Não que “The King’s Speech” seja pouca coisa, muito pelo contrário, mas é um filme cheio dos cacoetes infalíveis. Começa por humanizar uma figura monárquica e dar-lhe fragilidades que escondem quaisquer defeitos também humanos, ao mesmo tempo em que ampliam suas qualidades: coragem, bom humor, sinceridade, pureza de coração, integridade, ética, bondade, inteligência, humildade... e por aí afora. Nada em sua personalidade, a não ser um certo gênio irritadiço, pode provocar-nos antipatia. A gagueira, no caso, é um defeitinho que corrigido dará ao personagem a chancela de perfeito e ao filme o mundo das maravilhas. Sabemos desde o começo do filme que ela será “curada” e, provavelmente, numa cena emocionante, conduzida com edição esperta e trilha sonora elevada. Nosso espírito será o espírito do rei gago superando seus limites de voz. Do outro lado da moeda, aparece o salvador da pátria, o plebeu sem títulos que tem a grande verdade entre as mãos. É apenas uma questão social porque o “especialista da fala” tem as mesmas qualidades do rei: coragem, bom humor, sinceridade, pureza de coração, integridade, ética, bondade, inteligência, humildade... e por aí afora. Em frente a qualquer público sofrem da mesma timidez e são pais e maridos excelentes, com esposas também maravilhosas, preocupadas e interessadas nos maridos. Tudo muito limpo e encerado. “The King’s Speech” é um filme de um único problema e simples: resolvendo a gagueira do rei, tudo é felicidade, inclusive uma declaração de guerra, que nos é contada com um show de sorrisos e aplausos, como um triunfo do espírito e da amizade entre um aristocrata e um plebeu. “The King’s Speech” é uma fantasia simplória e edificante e que, se pensarmos em termos de fantasia, é mais palatável que “Toy Story 3” que incluía doses mais profundas de terror, rejeição, renúncia e sofrimento. “The King’s Speech” só quer ser feliz e agradar. Aí alguém pode me perguntar se eu gostei ou não do filme que vai ganhar muitos Oscars no dia 27 de fevereiro. Claro que gostei! Como não gostar de atores em seu mais alto ponto de performance? Colin Firth (o rei) e Geofrey Rush (o plebeu) são excepcionais! Acompanhamos cada segundo de suas intenções com a certeza de que é coisa rara de se ver. Como disse minha amiga Eloise Grein: “Até os figurantes estão ótimos!” A escola inglesa de interpretação nunca nega fogo. Mas é um filme careta do primeiro ao último plano, que lança mão de personagens reais para divertir-nos com questões simplistas. Guardando as devidas proporções, mais ou menos o que a televisão faz, como a TV Globo que transformou Juscelino Kubitscheck num herói de telenovela. A diferença é o cinema e sua direção de arte, fotografia, figurinos e alguns diálogos inspirados. Enfim, dá pra dizer, sem medo de errar que “O Discurso do Rei” é um filme divertidíssimo e que pode se encaixar em qualquer gaveta, conforme o gosto do freguês: um filme sobre a amizade, sobre a superação, sobre a grandeza do espírito, sobre os reis e sua importância (para quem?), sobre a voz (do rei), sobre o direito de se admitir, sobre, sobre, sobre. Um filme para a família. Um filme para as lágrimas e para os sorrisos. Um filme.



Escrito por Edson Bueno às 04h06
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INVERNO DA ALMA

A vida de Ree não é fácil. Adolescente, perdida num fim de mundo inóspito no Missouri, ela, adolescente, tem que dar conta da mãe pra lá de Marrakesch e dois irmãos menores. Todo mundo sem qualquer perspectiva de futuro. Não bastassem as agruras da vida, seu pai é um meliante envolvido com tráfico de drogas e que, sem que ela saiba, deu a propriedade em que vivem como garantia de fiança. Logo no começo de “Inverno da Alma” a polícia comunica que o sujeito está desaparecido e que se ele não se apresentar em data e horário rigoroso, além da desgraça natural, ainda vão todos perder a casa e encarar o olho da rua. Pior é impossível. Mas Ree, interpretada com unhas e dentes por Jennifer Lawrence, não é uma garota qualquer e então o filme começa. Não fossem as quatro indicações ao Oscar (filme, roteiro adaptado, atriz e ator coadjuvante – John Hawkes) e, provavelmente, “Winter’s Bone” nunca chegaria ao circuito comercial brasileiro, já que, prestígio crítico à parte, o filme fez uma carreira simples e singela nas bilheterias americanas. Arthur Xexéo, em seu blog no Globo, revelou a paixão e considerou-o o melhor dentre os 10 filmes indicados ao Oscar e ainda assumiu que lhe concederia, na boa, os prêmios de atriz e ator coadjuvante. De minha parte, reconheço que o filme impressiona por muitas, muitas qualidades; mas principalmente porque consegue ser verossímil em sua proposta radical e ainda dar uma pincelada bem forte num determinado “american way of life”, ao estilo country e marginal. Os atores, e não apenas os indicados ao Oscar, são em grande parte responsáveis pelo bom efeito. Some-se aí uma galeria de personagens bizarros e embrutecidos pelo habitat, que, a cada aparição fazem congelar o sangue nas veias de qualquer espectador mais sensível. A protagonista, uma garota aparentemente frágil, faz, em busca de um pai bandido e desaparecido, uma jornada de herói, digna das melhores narrativas mitológicas e sua persistência, no limite da loucura, recheada de incidentes cruéis e violentos, é hipnotizante. Palmas para a diretora Debra Granik, que apoiada numa fotografia seca e sem graça e numa edição primorosa conduz a aventura ao contrário com domínio total da narrativa.  “Inverno da Alma” é daqueles filmes que fazem da crueldade, em todos os sentidos, a seiva que alimenta sua ideia, e na radicalidade em ir até o fundo da proposta, sua razão de ser. É preciso reconhecer que a parcela de vida, experimentada pela jovem Ree é para deixar qualquer espectador com a boca seca e a alma gelada, como propõe o título brasileiro e a interpretação de Jennifer Lawrence é espetacular. É um caso típico de amor entre câmera e atriz. Além do que, a câmera vê em Jennifer a única personagem feminina, que talvez pela juventude, ainda conserva traços femininos. As outras mulheres do filme conseguem ser mais masculinizadas e grotescas que os homens. O mundo de “Winter’s Bone” é desesperançado e miserável e é no brilho dos olhos de sua protagonista que vamos buscar algum resquício de sensibilidade, amor e graça. Não, não é uma obra inesquecível, mas nesses tempos de tanta mediocridade, alguém que faça um filme sincero e concentrado, merece atenção. “Inverno da Alma” não é divertido nem fácil, mas é sério, sensível e impactante. É uma fábula seca, mas não desprovida de alma e afetividade.



Escrito por Edson Bueno às 08h15
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O SIM, O NÃO E O TALVEZ.

Ontem, conversando no facebook com meu amigo Daniel Siwek, lá pelas tantas ele manda uma mensagem de chofre: “Edson, fui ver um filme lindo! Biutiful. Você não pode perder! O Javier Barden está fantástico!” E eu, do lado de cá do computador, pasmo. Odiei “Biutiful”, não achei grande coisa a interpretação do Barden, e claro, não podia bancar o hipócrita diante do meu amigão. Revelei minha impressão, mas acrescentei um comentário, no meu modo de ver importantíssimo: “Mas não precisamos gostar das mesmas coisas, somos pessoas inteligentes.” E depois, desligado o PC, comecei a pensar sobre essa coisa infernal que é o mundo encantado das opiniões e das grandes verdades, escondidas ou reveladas. No último final de semana assisti, acho que pela 10ª. vez, “Nine”, do Rob Marshall e daquilo que gosto, gosto cada vez mais e o que não gosto, simplesmente descarto. Por exemplo, não gosto das músicas que o Daniel Day-Lewis canta e nem gosto dele cantando, como não gosto da Sophia Loren (no filme!), mas me encanto com tudo o mais. E lembro do outro amigo queridão, Paulo Biscaia que abomina “Nine”, com todas as suas razões, com certeza. E o crítico da “Gazeta do Povo” (Sorry, não lembro o nome!), que descascou “Além da Vida”, do Clint Eastwood, enquanto eu caí de quatro, babando diante do que para mim é a supremacia da simplicidade, da narrativa madura e da melhor das intenções. E ontem, lendo o Inácio Araujo no UOL, acompanho suas argumentações para um leitor que odiou o vencedor de Cannes “Tio Boonmee que pode recordar suas vidas passadas”, enquanto o Inácio acha que temos que assistir ao filme de pés descalços. O Inácio toca em um assunto que acho relevante:

 

O leitor - Não sei como alguém pode enxergar tanta coisa no filmeco de Apichatpong.

Inácio Araujo - Ou seja: só o que eu vejo pode ser visto. Sou o centro do mundo. Qualquer entendimento que não o meu é falso ou de má-fé. Eu queria dizer que, no caso do cinema, esse “euísmo”, para usar o termo de Celine a respeito dos artistas, essa atitude não é assim tão pessoal: ela foi cuidadosamente construída como um antiintelectualismo fim de século, que confere ao sujeito a ilusão de que só o imediatamente compreensível a seus olhos pode ser apreciado.

 

Temos tantas informações ao nosso dispor, que podemos escolher qual se aplica melhor ao nosso mundinho. Será isso? Mas não era bem isso o que eu queria dizer. Queria dizer de opiniões, artistas e críticos... júris e comissões. Todo mundo que tem uma opinião a dar e tem que fazer valê-las custe o que custar. Nesse sentido, entre tantas revoluções, a das opiniões viveu uma fantástica com os blogs, o twitter, as msg, etc. Porque tirou da opinião o caráter de verdade absoluta. Porque a pessoa abre o seu mundo de comunicação social e vai dizendo o que acha, e quem lê pense o que pensar. Foi-se o tempo em que um crítico com sua coluna de jornal, logo após assistir a um filme, dava a sentença definitiva. Nos novos tempos isso soa até como patético. E, para melhor ou pior, sei lá, outras verdades vêm à tona. Caso claro é a questão “The Social Network”, um filme para quem os críticos ofereceram seus maiores galardões (e que foi visto por muita gente. Só nos EUA mais de 10 milhões!), mas que os artistas (produtores, diretores e atores) não acharam a última bolacha do pacote; ou pelo menos, preferiram outro mais emotivo e fácil (“O Discurso do Rei”). No fundo, no fundo, os dois falam das mesmas coisas: as humanidades. Talvez “The Social Network” proponha um outro olhar, menos radical que o filme do Apichatpong, mas ainda assim uma experiência em narrativa. O gosto comum prefere algo mais palatável. E então que eu volto ao Inácio Araújo em sua defesa do olhar:

 

  “... O passo seguinte dessa operação consiste em dizer: se eu não entendo esse objeto absurdo. É que ele só pode ser “um embuste”. Como o cara que diante do quadro abstrato recusa-se a compreender que ali exista algum tipo de raciocínio, de continuidade. Ele diz: o meu filho faz igual.

O passo seguinte dessa operação mental consiste atribuir falsidade ao outro, ao leitor que eventualmente sinta prazer diante desse objeto incompreensível, tortuoso, portanto monstruoso, que deve ser objeto de destruição, não de entendimento – já que embustes só podem ser entendidos como tal. É como dizer: se eu não senti prazer diante disso, ninguém sentiu. Quem diz que sentiu está, claro, mentindo.”

 

Tudo é uma questão de maturidade. Será? Como um amigo meu, que quando vai ao teatro é defensor ferrenho da pós-dramaturgia, da anti-dramaturgia; mas quando vai ao cinema prefere filmes emotivos e de narrativa linear. Cada um com seu cada qual! Ou de todo mundo que resolve discutir no facebook sobre qual filme é melhor, “The Social Network” ou “O Discurso do Rei”, mas nem percebe que, com certeza, o mais contemporâneo é o primeiro, enquanto o segundo talvez seja mais utópico, mais fantasioso, mais esperançoso e menos realista. O primeiro talvez seja mais indignado, enquanto o segundo, mais sonhador. Quem sabe?



Escrito por Edson Bueno às 00h49
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O MAIS…

Minha amiga Eloise Grein mandou uma mensagem que me colocou para pensar. Disse ela: “Comentei com você logo depois que vi THE SOCIAL NETWORK que o filme era bom, mas não tinha estrutura para ganhar Oscar... Acho que minha impressão vai se confirmar! Beijo!” Perguntei-lhe o que ela queria dizer exatamente sobre “não ter estrutura” e no diálogo aprendi uma grande lição. Quem ganha o prêmio (qualquer um!) de melhor do ano, é o quê? O melhor? Claro que não! E lembrei que já não se diz mais “And the winner is”, mas “And the Oscar goes to”... e isso não é, exclusivamente, pela babaquice do politicamente correto, mas porque tudo é sempre muito relativo. Simplesmente porque não existe o melhor! E eu descobri a roda de uma hora para outra. Em um ano quem ganha é o filme mais inteligente (“Onde Os Fracos Não Tem Vez”/Irmãos Coen/2008), em outro ganha o filme mais aventuroso (“O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei”/Peter Jackson/2003), em outro o mais dramático (“Menina de Ouro”/Clint Eastwood/2005) e em épocas de crise, pode ganhar o mais “entertaining” (“Chicago”/Rob Marshall/2002) . Raro é quando ganha o mais “cabeça” como em 1999 quando o vencedor foi “Beleza Americana”/Sam Mendes. E doloroso é quando ganha o mais medíocre como em 2001 quando o Oscar foi para “Uma Mente Brilhante”/ Ron Howard. Em 2011 vai ganhar o mais emocionante (“O Discurso do Rei”/Tom Hooper), como em 1989 quando o vencedor foi “Conduzindo Miss Daisy”/ Bruce Beresford, em detrimento do mais dramático (“Nascido em 4 de Julho”/Oliver Stone) ou do mais fantasioso (“O Campo dos Sonhos”/Phil Alden Robinson). A lição? O “mais” é sempre relativo e muda conforme a direção do vento. Bacana mesmo é quando ganha o mais “fodão” como em 1991 com “O Silêncio dos Inocentes”/Jonathan Demme ou 1992 com “Os Imperdoáveis”/ Clint Eastwood. Aí vale o ano!!!  E o Oscar tem graça!

 

E aqui a argumentação da minha amiga:

 

Sei lá..o filme não me emocionou nem fez chorar...rs...entre outras coisas!  Falando sério, o filme não tem certas qualidades que o pessoal da Academia (são milhares de votantes, inclusive pessoas mais velhas, né) aprecia,a meu ver...não sei dizer exatamente o que é, mas aquele "algo mais" de grandiosidade, de ensinamento moral, de sentimentalismo, de superação, de redenção, de percepção sobre estar certo ou errado, da fragilização do ser humano e, ao mesmo tempo, de sua força de vontade, sei lá...algo assim, que normalmente os filmes que ganham o Oscar têm!   Além de, a  meu ver, não agradar a gregos e troianos, como normalmente o filme ganhador agrada...Os críticos AMARAM The Social Network mas não são os críticos que votam, não é mesmo?   Eu, no momento em que vi o filme, tive a quase certeza de que NÃO era filme pra ganhar Oscar...embora altamente inovador no tema, direção magnífica, montagem, atores fazendo seu trabalho direitinho...mas lhe falta esse pique de Oscar!!  



Escrito por Edson Bueno às 01h13
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TEMPORADA DE PRÊMIOS

 

01. Reflexos do Oscar. Dá pra dizer que apesar de a safra não ser das melhores, como dizem todos os críticos, as indicações ao Oscar foram dignas. Pelo menos não tem uma Sandra Bullock atravessando o caminho. Mas não indicar Christopher Nolan para direção e montagem por “Inception” é uma piada!

 

02. De qualquer modo é divertido ver “True Grit/Bravura Indômita” de Brothers Coen no topo das paradas com 10 indicações e todas as principais. Só os jornalistas do “Globo de Ouro” não viram o que todo mundo viu, que o filme era ponta firme. Aliás, o Globo de Ouro cada vez mais parece o que o Rick Gervais soltou microfone a fora: um grupo facilmente sugestionável. Só isso justifica a presença de “O Turista” em três indicações, a ausência de “True Grit” e ainda as indicações e prêmio para “Burlesque”, que deve ser uma baba.

 

03. Curiosidade. E nas indicações dois veteranos se destacam: O maquiador Rick Baker, em sua 12ª indicação por “O Lobisomem”, depois de já ter ganho 06 vezes e ter sido o primeiro profissional a ganhar um Oscar por maquiagem, em 1981, por “Um Lobisomem Americano em Londres”, quando o prêmio foi criado. E Greg P. Russel, profissional da arte da mixagem de som, indicado por “Salt”, e que completa sua 14ª. indicação sem nunca ter ganho nada.

 

04. Entre as interpretações, o troféu “veterano” vai para Annette Bening, em sua 4ª. indicação: coadjuvante em 1990 (The Grifters), e protagonista em 1999 (Beleza Americana) e  2004 (Adorável Julia). Dessa vez ela se credencia por “The Kids Are All Right/Minhas Mães e Meu Pai”. Tem pela frente a parada dura que é Natalie Portman (Black Swain), mas tudo pode acontecer. De qualquer forma é um trabalho brilhante, com equilíbrio perfeito entre humor, drama e ousadia.

 

05. E “Enrolados” da Disney com supervisão de John Lasseter, ficou de fora das indicações para “Melhor Animação”. É sim, mais fraco que os três indicados, que são excepcionais, mas é um filme muito bonito, divertidíssimo, feito com incrível humor e sensibilidade e com uma protagonista moderna e que só não monopoliza a narrativa porque acharam de colocar um cavalo que é cachorro e que simplesmente bota pra quebrar! As músicas é que são fraquinhas e dispensáveis, apesar de Alan Menken.

 

06. E o poder dos irmãos Weinstein dá de novo as caras. “O Discurso do Rei/The King’s Speech” vai se credenciando a ganhar tudo. O filme vai crescendo nas bilheterias e conquistando corações, principalmente porque muita gente não consegue perceber a grande sacada que é o filme de David Fincher. Surpreendentemente venceu o Directors Guild e hoje, foi considerado o melhor pelo Sindicato dos Atores. Se os produtores, os diretores e os atores consideram-no o melhor do ano, o que resta ao Oscar, senão confirmar?

 

07. Na homenagem do Screen Actors Guild Awards ao super Ernest Borgnine, vencedor do Oscar de ator em 1955 por “Marty”e com 94 anos, uma frase do grande artista define uma profissão, a de ator: “Quem não conhece o amor, a vida e a si mesmo tem muito pouco a dizer como ator.”



Escrito por Edson Bueno às 02h31
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