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A ETERNIDADE E UM DIA Edson Bueno
 


ILUSÃO DE ÓTICA?



Escrito por Edson Bueno às 23h00
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AHHHHHHHHHHH!!!!!!

Atenção, isto não é uma crítica, é um grito!

As palavras não servem para absolutamente nada, nem conseguem expressar aquilo que poderia ter sido feito e não foi. Por exemplo, hoje, ao final da projeção de “Black Swan”no Unibanco Arteplex, o meu mais profundo desejo era o de soltar o maior dos gritos, assustar meio mundo, extravasar prazer, não parar nunca mais de falar e gritar aos quatro ventos o quanto gostei do filme. Mas não fiz, o cinema estava quase lotado e meu acompanhante iria morrer de vergonha. Então de nada adianta escrever aqui o grito, porque ele vai ser sempre insuficiente. Paciência. O que não foi vivido jamais o será. Mas e o filme? Darren Aronofsky e Natalie Portman atingiram o sublime. Nietzsche já disse que a arte é o equilíbrio delicado entre Dionísio e Apolo, todos sabem. Mas o que é isso? Como isso? Como compreender que o artista, bailarino ou ator, não importa, que faz do seu corpo a matéria prima da arte, tem, para alcançá-la, que aproximar-se perigosamente da esquizofrenia e da loucura? Que viver a criação artística na construção de um outro e na transformação das emoções é ter a coragem de tocar o feitiço das sombras? Como admitir que a transcendência da interpretação nasce da manipulação das energias mais primárias e selvagens? Como? Como admitir que o sexo em todas as suas metamorfoses/formas/disformes é a energia que move o corpo do artista? Como revelá-lo aos outros e a si próprio, considerando seus labirintos? O mundo está cheio de atores e bailarinos perfeitos, técnicos, arrogantes, egocêntricos, mas que nunca tocaram de verdade o artístico. E o que dizer dos que nem sequer conseguiram evoluir além das palavras e dos gestos/movimentos? Darren Aronofsky precisou usar das artimanhas do terror psicológico e desenvolver uma narrativa perversa, implacável e violenta para contar a alma do artista puro. De todos os filmes que estão indicados ao Oscar (à exceção dos assumidamente blockbusters) “Black Swan”’é o que carregou mais público ao cinema. E como? Se é justamente aquele que, teoricamente, seria mais incompreensível para o público leigo? Simples, no meu modo de ver. Porque é o mais ousado, mais corajoso, mais provocativo. Aronofsky fez o filme que realmente tem algo novo para dizer, que manipula descaradamente as imagens para dialogar com o surpreendente. Em suas melhores sequências, “Black Swan” conversa com nossos sentidos e expõe nossos medos e ansiedades. É público e notório que a música, de todas as artes é a que se comunica mais rapidamente com nosso espírito. Aronofsky fez um filme com a mesma qualidade. É puro e essencial. Desafia o tempo todo nossa cultura, nossas convenções sociais e nossos preconceitos para viajar, sem pedir licença, por nossas artérias e veias, rasgando nervos e músculos para nos dizer em que verdadeiro lugar encontra-se o prazer! Não a felicidade, mas o prazer mesmo! “Black Swan” usa a máscara da arte para desmascarar a vida, refletindo sobre a necessidade de desmascarar a vida para atingir a verdadeira arte. Como quase gritei ao final da projeção: “PUTA MERDA, QUE FILME DO CARALHO!!!” e Natalie Portman? Mil Oscars para ela! Permite-se gozar, abusar e lambuzar com a epifania que é ser artista! Olhos, boca, mãos, asas, pernas, braços, dedos, línguas, bucetas e paus a serviço da vida e do cinema! Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!



Escrito por Edson Bueno às 19h52
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BAIXARIA E EMOÇÃO

“The Fighter”, de David O. Russell não tem outra pretensão além de contar a história afetiva de uma família de “loosers”, que fazem do boxe sua razão de sobrevivência. Nesse sentido, roteiro e direção são implacáveis. Por um lado as tintas são carregadas, quase ao ponto da caricatura, para mostrar vulgaridade, ignorância, ingenuidade e falta do que fazer. Melissa Leo, a mãe, numa composição primorosa, encarrega-se do limite assustador entre comédia e drama. Christian Bale, não menos caricatural, equilibra-se entre o patético e o desesperador. São duas interpretações que dão o tom ao filme e encarregam-se de conduzir o olhar do espectador. “O Vencedor” é um filme de sobrevivência. Sim, superar-se, dar a volta por cima, mudar o rumo da vida, está entre os sonhos de seus personagens, mas não é exatamente esse o objetivo do diretor. David O. Russell interessa-se pelos descaminhos e acerta em cheio. O centro da história é o personagem de Mark Walhberg, o “lutador”, ingênuo, manipulável, sem personalidade e frágil; irmão mais novo e em volta de quem a família gira. É preciso fazê-lo lutar (e perder!) para garantir dinheiro e sustento a mãe, pai, dois filhos e sete filhas adultas, inúteis, feias e desesperançadas. É o saco de pancadas que garante o dinheiro à custa de humilhação e hematomas.  E o cara, perdido em suas próprias potencialidades, tem no irmão mais velho (Christian) a figura do herói, embora seja um herói de meia pataca, já que nunca foi realmente grande coisa, embora saiba tudo de boxe e não passe de um perdedor patético, afundado no crack e na ilusão. Sombra e cegueira. Uma das qualidades da narrativa de Russell é a de equilibrar com perfeição a dança dos personagens. Embora Walhberg seja o protagonista, o filme tende - até pela performance arrebatadora - a concentrar-se em Christian. Mas tudo funciona muito bem. Assistimos a sequências emocionantes e vigorosas de fracassos, decepções, pequenas tragédias, finais e recomeços, mas nunca perdemos contato com o que realmente une a família de desajustados: a afetividade. A luta pela sobrevivência não leva em conta a racionalidade e o que muitas vezes nos parece desamor e desrespeito, é apenas a ausência de raciocínio lógico, afinal é preciso acordar, comer e voltar a dormir. Retratando uma comunidade desbocada, sem educação e vulgar, Russell abre as portas da baixaria. Porradas, gritos, palavrões, barracos e descontroles são lugar comum, mas, e até por isso, retratam incrível humanidade e sinceridade. Em última análise, não é o mundo hipócrita o que é contado, mas o das emoções à flor da pele. Russell deita e rola com a câmera que nos aproxima o tempo todo dos olhos de seus personagens e tem como parceiros, atores excepcionais: Christian Bale e Melissa Leo não deixam pedra sobre pedra e, particularmente Christian dá uma performance originalíssima; Mark Walhberg com sua expressão tímida e fracassada, repete emoções que já vimos em outros trabalhos (como em “Boogie Nights”), as do cara que tem super poderes mas que os mantém presos numa personalidade fraca; e Amy Adams (interpretando a namorada de Mark), uma atriz que adoro, faz maravilhas emotivas com desprendimento e verdade. “The Fighter” insere-se, sim, numa grande tradição de filmes americanos sobre o boxe (o maior deles é “O Touro Indomável”, do Scorsese), onde fracasso e sucesso batem à porta o tempo todo e onde a decadência tem peso enorme; mas ao contrário de outros, aposta no espírito humano, na afetividade superando barreiras e na responsabilidade pelas escolhas. É um filme forte, enérgico e emocionante. Lembra os bons tempos do cinema americano, numa linguagem próxima à dos anos 70, um cinema que busca a verdade sem perder o contato com o sonho. Imperdível!



Escrito por Edson Bueno às 13h05
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