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A ETERNIDADE E UM DIA Edson Bueno
 


O QUE NÃO TEM REMÉDIO…

Leio que Glória Perez vai escrever um roteiro para um filme contando a história de Leandro e Leonardo. Histórias que todos sabemos de cor e salteado. História de como Gloria Perez escreve histórias e como é a história da história da história da dupla Leandro e Leonardo. Estou em Maringá e troco essa ideia com o jornalista Marcelo Bulgarelli e ele, de chofre, diz a frase sobre o cinema brasileiro que me parece definitiva e que eu gostaria de ter forjado, caso tivesse esse maravilhoso poder de síntese. Disse, Marcelo: “O cinema brasileiro virou uma indústria e não tem uma escola. É uma continuação da televisão.” Concordo e nem discuto.



Escrito por Edson Bueno às 15h02
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JARARACAS E BANDIDOS NÃO GANHAM OSCAR!

Conversa vai, conversa vem, entre assuntos de relevância nenhuma, eu e o Chico Nogueira pensamos, na falta de algo mais útil, em quais atores e atrizes ganharam o Oscar interpretando gente do mal. Exemplo: neste ano, das 20 interpretações indicadas, só duas são assumidamente malditas: Jeremy Renner em “The Town” e Jacki Weaver em “Animal Kingdom”; e já sabemos que até vão abrilhantar a festa, mas vão sair dela de mãos vazias. Todo o resto é gente cheia das boas intenções, mas nenhum/nenhuma bate a simpatia, doçura e sinceridade da Rainha Elizabeth de Helena Bonhan-Carter em “O Discurso do Rei”! Só que o Oscar nasceu em 1928 e nessas 72 edições, entre mais de 200 premiados, apenas 26 jararacas, bandidos ou, na pior das hipóteses, gente de caráter duvidoso, deu matéria prima para que seus interpretes ganhassem o prêmio. Na categoria do mal e ainda assim de humor perigoso e radical (que é a mais surpreendente!) só 11, ou seja pouco além de 5% do total assumia seu lado escuro e malévolo. Que tal? Vamos conferir.

Atrizes?   Duas enfermeiras pingando ódio:

1976 – Louise Fletcher em “Um Estranho no Ninho”

1991 – Kathy Bates em “Louca Obsessão”

Atores? Um especulador da bolsa de valores, um policial corrupto e um ditador africano:

1988 – Michael Douglas em “Wall Street”

2002 – Denzel Washington em “Dia de Treinamento”

2007 – Forrest Whitaker em “O Último Rei da Escócia”

Atrizes Coadjuvantes? Uma executiva inescrupulosa e uma mãe baixaria, mesquinha e violenta:

2008 – Tilda Swinton em “Michael Clayton”

2010 – Mo’Nique em “Preciosa”

Atores Coadjuvantes? Um mafioso, um matador, um egocêntrico bandido de histórias em quadrinhos e um nazista. Todos psicopatas:

1991 – Joe Pesci em “Os Bons Companheiros”

2008 – Javier Barden em “Onde Os Fracos Não Tem Vez”

2009 – Heath Ledger em “The Dark Knight”

2010 – Christoph Waltz em “Bastardos Inglórios”

Estes são os de alma pesada mesmo, gente perigosíssima, cuja companhia não é recomendável em hipótese alguma, mas claro, ainda há os “simpáticos do mal”, que se apresentam charmosos, engraçados ou éticos no filme inteiro, ou então são vítimas da sociedade, ou ainda mais, que estão na contravenção, mas são, digamos assim “mocinhos”, embora criminosos e foras da lei. Um bom exemplo é o Hannibal Lecter de Anthony Hopkins em “O Silêncio dos Inocentes”, de 1992. O cara era do avesso, psicopata e canibal impiedoso, mas ficávamos do seu lado, pelas razões de narrativa. Ou a assassina serial de Charlize Theron em “Monster”, de 2004, que se mostrava vítima de uma sociedade podre e injusta.

E o que dizer de Maximiliam Schell, o advogado de defesa dos médicos nazistas em “Julgamento em Nuremberg”, de 1962? O cara era lindinho, não levantava a voz, era lógico, ético e profissional ao extremo, mas ainda assim defendia seus nazistas assassinos com unhas e dentes. Era um sujeito do outro lado, mas não um bandido de carteirinha. Como Daniel Day-Lewis em “Sangue Negro/2008”, Sean Penn em “Sobre Meninos e Lobos/2004”, Jeremy Irons em “O Reverso da Fortuna/1991”, F. Murray Abraham em “Amadeus/1985” e Broderick Crawford em “A Grande Ilusão/1950”, onde tudo é só uma questão de ponto de vista. Mas, surpreendente mesmo é Fredric March que era metade do bem e metade do mal em 1932, quando viveu Dr. Jekyl e Mr. Hyde em “O Médico e o Monstro”. As madames? Ninguém duvida das intenções suspeitas da fascista Miss Jean Brodie de Maggie Smith em “Primavera de Uma Solteirona/1970”, da perigosíssima rainha Eleanor de Katherine Hepburn em “O Leão no Inverno/1969” e ainda a maluca, desgovernada e venenosa Elizabeth Taylor de “Quem Tem Medo de Virginia Woolf/1967”. Enquanto no mundo meio escondido dos coadjuvantes, não podemos perdoar Ruth Gordon, a adoradora do diabo de “O Bebê de Rosemary/1969”, nem o crítico teatral suspeito de George Sanders em “A Malvada/1950”. Mas os “Don Corleone” de Marlon Brando e Robert de Niro  em “O Poderoso Chefão I e II”- 1972/1975, são mocinhos ou bandidos? Assim como Estelle Parsons em “Bonnie And Clyde/1968” e Catherine Zeta-Jones em “Chicago/2003”? Gene Hackman em “Unforgiven/1993” estava de que lado da narrativa? E Louis Gosset Jr. em “An Officer and a Gentleman/1991” e Kevin Spacey em “Os Suspeitos/1996”? É bom não esquecer que Anna Paquin em “O Piano/1994” também tinha um pé na traição!

De qualquer maneira, bandido, bandido mesmo e jararaca, jararaca mesmo, é coisa rara... Se tivesse que escolher o mais letal de cada categoria, com certeza destacaria a enfermeira Annie Wikes de Kathy Bates, o especulador Gordon Gekko de Michael Douglas e a executiva Karen Crowder de Tilda Swinton que ganhavam disparado; mas entre os coadjuvantes há um empate de três: o matador Anton Chigurh de Javier Barden, o Coringa de Heath Ledger e o nazista Coronel Hans Landa de Christoph Waltz.

De resto, os outros 95% de personagens premiados, se já morreram foram todos para o céu e se não morreram dormem, inocentes, o sono dos justos. Bandido, sem qualquer sombra de dúvidas, é o melhor personagem para interpretar, mas não é nada companheiro na hora de subir ao palco, receber troféu e dar discurso de agradecimento.



Escrito por Edson Bueno às 08h50
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ARTE É O QUÊ? PARA QUEM?

Hoje é dia de pensar na vida. No último final de semana fui ao Unibanco Arteplex, no Crystal, assistir pela segunda vez (não me perguntem o por quê!) “The King’s Speech”e, cinema lotado às 16h30, ouvi um texto de uma senhora muito distinta, sentada ao meu lado, conversando com, talvez, seu filho ou neto. A senhora tinha uns 60 anos e mandou bala: “Não dá mais pra vir neste cinema. Antigamente eu vinha aqui e tinha 6 ou 7 pessoas, agora está cheio!” Nem é o caso de discutir o que ela estava querendo dizer, já que o cinema está localizado na área mais “nobre” da cidade, mas para onde as coisas caminham. E eu acompanho as notícias da novela “Belas Artes” em São Paulo, onde os donos dos cinemas oferecem, sei lá, uns 65 mil reais por mês para manter os cinemas (mas o dono quer 150!), como última alternativa. Caso o proprietário não aceite, de verdade, uma das maiores referências em cinema de arte no Brasil vai para o beleléu e fecha dia 27 de fevereiro. A esperança é a última que morre porque os esperançosos sucumbem antes. E agora, leio no Globo que o Grupo Estação está à beira da falência depois de ter perdido o patrocínio do Unibanco (agora Itaú) e, afundado numa dívida de milhões de reais. Está fecha não fecha, quase acertando um novo patrocinador, caso consiga achar uma solução para o buraco. E que mais? Bem, em São Paulo, uma sala é patrocinada pela Livraria Cultura, outras pelo grupo Gazeta, e ainda uma outra pela Folha de São Paulo. Mais ainda? A conclusão óbvia: a exibição de cinema de arte no Brasil depende de subsídios, caso contrário fica inviável. Quem quer saber de “Uncle Boonme”, “Poetry”, “Incendies”, “Somewhere”, “Tetro”, “White Material” etc e tal? O que interessa o cinema iraniano, o coreano, o tailandês, o “indie” americano, o argentino e até o brasileiro que não é uma comédia tatibitati que imita o horário “nobre” da televisão? Quem quer ver documentários contundentes como “Cidadão Boilensen”, por exemplo? Se em São Paulo e Rio, que são o centro do Brasil, a coisa está nesse nível, que dizer do resto do país? Ah, como é duro ser curitibano e amar o cinema! Repercutindo a exibição em Berlim do documentário em 3D de “Pina” do Wim Wenders, troco figurinhas com o Murilo Hauser: “Como veremos o filme em Imax 3D? Tal qual o resto do mundo civilizado?” Nunca! Talvez seja a resposta. Dá vontade de sair gritando pelas ruas palavras desconexas como “Pina!”, “Wim Wenders!”, “Apichatpong Werasetakul!”, “Asghar Farhadi!”, só pra ver no que dá. Ou passam ao largo, porque estou gritando coisas sem sentido ou vou preso por atentado à moral e aos bons costumes por estar dizendo palavrões em público. Alguém me disse que o filme do Apichatpong, vencedor de Cannes/2010 é chato pra caralho, insuportável de tão lento... E eu me pergunto: e o tal “De Pernas Pro Ar”, que já fez mais de 3 milhões de espectadores é o quê?  E o “Caça às Bruxas” com o insuportável Nicolas Cage, que já ultrapassou um milhão de espectadores, encaixa-se em que categoria? Querem saber? Fico me programando para ir a São Paulo assistir aos filmes de arte que nunca passam em Curitiba, mas difícil vai ser comprar uma passagem para Berlim, só pra curtir Pina Bausch/Wim Wenders. Aí já é demais!!!



Escrito por Edson Bueno às 02h21
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O NOVO ALMODÓVAR

Deu as caras o primeiro poster de “La Piel Que Habito”, o novo Almodóvar, com Antonio Banderas e Marisa Paredes. Que tal?



Escrito por Edson Bueno às 10h17
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AMOR AO CINEMA

Vez ou outra os Irmãos Coen fazem um filme por puro amor ao cinema e seus gêneros. Gêneros são uma invenção do mercado americano para ocupar as salas de exibição. Você já percebeu que os multiplex têm sempre, toda semana, um filme para cada gosto? Terror, ação, romance, infantil, etc. É o mercado dizendo como as coisas devem funcionar. Ouvi falar que os Coen vão fazer agora aventurar-se pelo terror. Pois era só o que faltava e eles vão acertar mais uma vez. O que faz a delícia desses ataques ao gênero, no caso dos Coen, além de um profundo conhecimento técnico, é a sensibilidade com que se entregam ao espírito do cinema, sem abrir mão de certas características, entre elas o humor negro e a violência estilizada. É mais ou menos como se tivessem que equilibrar uma certa crueza selvagem (presente até nos filmes urbanos) com a ficção fantasiosa do cinema, aquela que, graças ao estilo, afasta o filme de qualquer realismo idiota. Tudo num filme dos Irmãos Coen está a serviço da pureza cinematográfica, e nada a serviço do realismo, embora pareça o contrário. E por isso eu os considero grandes artistas, mesmo que, como não poderia ser diferente, balancem entre o mais forte e o mais fraco. Para mim “Fargo”, de 1996 ainda é seu melhor filme, e “Ladykillers”, de 2004, seu filme mais fraco, embora tenha dado boas risadas e me encantado com a composição exagerada e perfeita de Tom Hanks. E o que dizer de “Bravura Indômita/True Grit”, essa refilmagem do filme que deu o Oscar ao John Wayne em 1969? Nem me passa pela cabeça compará-lo ao original porque é pura perda de tempo, mas com cinco minutos de projeção eu já era um adolescente viajando pelas salas de cinema de rua, lá em 1969, entrando no Cine São João, Cine Vitória, Cine Glória; e experimentando mais ou menos o mesmo prazer que Mr. Anton Ego, o crítico de culinária de “Ratatouille”, experimentou quando colocou na boca a primeira garfada do prato preparado pelo ratinho Remy, no mais lindo filme da Pixar. Uma volta ao melhor do passado, às experiências maravilhosas do olhar, ao gosto daquelas primeiras sensações que a fotografia, os planos, as sequências, as interpretações, a música e as histórias contadas pelos grandes mestres do cinema, me deram na adolescência e cravaram em minha alma o amor pelo cinema, um amor que não arrefece com o tempo e que atinge seus picos, ano após ano, cada vez que vejo um filme dos Coen ou do Woody Allen, por exemplo. Cinema feito de paixão e não de arrogância, cinema feito de prazer e não de intelectualidade, cinema feito de alma e não de casca. Cinema, cinema, cinema. Mas como, senão por domínio total da técnica e consciência do tempo, os Coen conseguem fazer um filme tão conectado com as grandes convenções cinematográficas, aquelas inventadas por Griffith, Ford, Hitchcock, Fleming, Curtiz, e ainda assim estarem antenados com as modernas formas de fazer e ver cinema? Porque não existe o tempo num filme dos Coen. Existe o cinema e o público. Existe a história, os atores e a sala escura. E existe a beleza, essa que, como a música, por si só é capaz de arrebatar emoções e justificar-se por si. Certa vez, quando Truffaut desembarcou em Nova Iorque, depois de já ter proclamado ao mundo sua paixão por Hitchcock, os jornalistas que o receberam questionaram seu amor por “Janela Indiscreta” explicando ao grande diretor francês, que ele se debruçara sobre a obra porque era um europeu e que para os americanos um filme sobre o Village não era nada de mais. Truffaut não deixou por menos: “Mas ‘Janela Indiscreta’ não é um filme sobre o Village, é um filme sobre o cinema!” Pois assim penso que seja esse novo “True Grit”, dos Irmãos Coen. Um filme sobre o cinema, seus mitos, arquétipos, sua pura linguagem, aquela que o descola de todas as outras artes; a específica que emociona numa tela grande, numa sala escura e que atinge grandeza no close, na fotografia, nos grandes planos e travellings. Aquela que dialoga com a inocência da arte e a esperteza de quem conhece as necessidades de quem sai de casa, compra o ingresso e, pipoca e refrigerante na mão, permite-se duas horas de poltrona, sala escura, imagem, som e aventura. Guardando as devidas proporções, “True Grit” é cinema de perfeição e em seus melhores momentos transcende o gênero “western”, porque, cartilha embaixo do braço, manipula os mitos e os arquétipos, só para ver até que ponto ainda atingem, como flecha certeira, o inconsciente coletivo. Os Coen sabem tudo! “True Grit” é um filme especial, delicioso, emocionante, vibrante e vivo. Traz um Jeff Bridges em seus melhores momentos e, senão por tudo, tem uma fotografia (Roger Deakins) do outro mundo e uma das melhores interpretações do ano, da garota Hailee Steifeld, hipnotizante, segura e cinematograficamente humana. E o que é “cinematograficamente humano”? É o grande cinema dos Irmãos Coen (e que você encontra também em Tarantino), aquele tipo de gente, ação e vida que você só encontra lá, na sala escura. Mas que você tem certeza, de que realmente existe e fica guardado em sua memória, quando as luzes acendem e a tela volta a ser apenas uma superfície branca. “True Grit/Bravura Indômita” é cinema de puro amor. E quem dá amor, recebe amor. Por isso é um filme de tanto sucesso! Merecia uns três ou quatro Oscars, com certeza! Mas que importância terá se não ganhar nenhum, se arte pura, já foi visto por mais de 17 milhões de pessoas?

 



Escrito por Edson Bueno às 11h50
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