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A ETERNIDADE E UM DIA Edson Bueno
 


ENCONTRO INESPERADO COM UMA DEUSA

“Potiche”, o novo filme de François Ozon (em cartaz no Festival Varilux do Unibanco Arteplex), tem muitas qualidades, mas nenhuma delas se compara à presença luminosa de Catherine Deneuve. Ozon é um diretor originalíssimo que ataca pelas bordas e não faz a menor concessão ao realismo. Sua narrativa se encontra num lugar que nem é o da lógica, nem o da história, mas da ideia e todas as possibilidades que ela permite. Às vezes parece “non sense”, às vezes apenas uma comediazinha de costumes, às vezes um comentário “cabeça” cheio de humor. Seus atores, conforme a função na narrativa, prestam-se à composição mais farsesca e estereotipada ou ao naturalismo desbragado, tudo num mesmo filme... e o resultado é sempre inteligente e instigante. Com “Potiche” não é diferente. Ozon desmonta todos os conceitos de política, moral, luta de classes, autoritarismo, relações familiares, paixão e amor, num emaranhado de situações patéticas e quase idiotas. Seus personagens, folhetinescos por opção, são movidos pelas emoções mais primárias e a partir delas tomam as decisões mais inesperadas, interferindo até nos destinos de uma nação. Termos como “revolucionário”, “reacionário”, “imoral” ou “ético” têm significados bem diferentes do que estamos acostumados a ler nas cartilhas ou no Google. Ozon é um esquizofrênico da linguagem cinematográfica e um iconoclasta das relações humanas. Seu cinema, aparentemente convencional na narrativa é um verdadeiro caos e por isso surpreendente e vivo. Em “Potiche”, a história de uma senhora muito chique, esposa de um grande empresário do ramo dos guarda-chuvas, e sua trajetória de dona de casa submissa à “mulher de negócios” é um prazer inesperado. Nele aparece um Gérard Depardieu gordo, balofo e espaçoso, mas sempre grande ator e onde brilha intensamente a grande deusa do cinema francês, Catherine Deneuve. Não tem pra ninguém, ela rouba as atenções e dona absoluta do ritmo, dos tempos de comédia, das segundas intenções e das malícias, dá um verdadeiro show de interpretação sutil e inteligência cinematográfica. Catherine Deneuve, aos 67 anos é dona de um charme irresistível e faz, naturalmente, de todo o elenco de “Potiche”, grandes coadjuvantes de sua interpretação. “Potiche” é um filme aparentemente distraído, mas que no decorrer da projeção revela-se inteligente e original, até revolucionário na forma como trata de assuntos ainda polêmicos, mas tem como grande trunfo uma deusa apaixonante: Catherine Deneuve!



Escrito por Edson Bueno às 01h20
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COISAS DE CRIANÇA...

Ando sem graça pra bancar o engraçadinho. Então que a inspiração para escrever depende de esforço físico e não do desejo de fazer das palavras brincadeira e festa. Fazer o quê? Esperar, porque um dia desses qualquer, o sol voltará a brilhar e a alma vai se sentir criança de novo e letras, espaços, vírgulas e pontos deixarão de ser obrigação. Mas por enquanto... Carregando pedras e fazendo de conta que o que para muita gente é felicidade, pra mim é trabalho. Mas o que fazer se ando pela vida de óculos escuros e o meu (Prada) quebrei há dois meses e não escolhi ainda um novo? Segunda-feira estreou para escolas, minha adaptação (re) do FLICTS do Ziraldo. Um amor! Fico muito inspirado quando vejo a beleza do espetáculo. E o elenco, profissional até o talo, teve a paciência de compreender meu momento e andou a passos largos, enquanto eu ia a passos de tartaruga. Ficou tão lindo! E cada dia melhor. Dar às cores alguns sentimentos humanos e umas outras lógicas é coisa de cartoon e o Ziraldo deu-se essa permissão. Colocar tudo isso no palco é outro departamento. Costumo dizer que não é o público quem tem que imaginar, é o artista. E pela sua imaginação o espectador enxerga o que nem esperava, mas acredita de corpo e alma. FLICTS no palco é um super exercício de imaginação. E ao mesmo tempo, uma reflexão escancarada sobre as diferenças e as mesquinharias; os medos e os preconceitos. É um livro originalíssimo e tentei fazer dele um espetáculo sincero e profundo. Acho que deu certo. E se o assunto é criança, já na terça-feira eu estava no Rio de Janeiro, lançado meu livro “Napo – Um Menino Que Não Existe”, da Editora Positivo, no 13º. Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens. Foi uma experiência e tanto! Tudo era, pra mim, novo e brilhante. No meio daquela babel de literatura, onde quem dava as cartas eram bonecos de pano, fadas, bruxas, todo tipo de animais fofos (alguns nem tanto!), meninos, meninas, sonhos e fantasias, eu me senti, às vezes, um senhor sorridente querendo ser mais maluquinho. Em determinado momento, o desafio: falar de NAPO para uma plateia de MENINAS, de não mais que 10 anos! Como contar de um livro que elas não leram? Eu, que não sou nem um Ziraldo nem uma Ana Maria Machado?  E contar de um piá, com logiquinhas mais do que masculinas, para meninas? Ai, tremi nas bases. Comecei a contação com um deslize. Disse, naturalmente: “Toda menina tem um menino dentro dela... e todo menino tem uma menina dentro dele...” Tem mesmo, mas interpretações são livres! E lá fui eu, falar do Napo. Usei a técnica da sinceridade. Falei as verdades, de onde tudo surgiu e qual o meu sentimento em cada conto e em cada ideia. De repente eu era um piá, sabe-se lá como! Suava muito, porque também tinha saído de uma Curitiba de 8 graus para um Rio de Janeiro de 25 e também porque os neurônios sempre falam mais alto. E foi lindo, bacana e divertido. Os olhos do Marcelo Del’Anhol tentavam não me deixar mais nervoso, enquanto os das meninas brilhavam, juro! E seguiu-se a Feira e o Rio de Janeiro e muito café, conversas, descobertas, livros, amigos reencontrados (o Luciano e a Carlinha!) e a volta num vôo da Gol onde era eu e mais um avião lotado pela torcida do Vasco! Torcida que veio do Rio a Curitiba cantando o hino e gritando palavras de ordem! Até o piloto era vascaíno! E pra eles deu certo! Pra mim também, pra mim e pro Napo! E claro, saindo de um Rio quentíssimo e ensolarado, para uma Curitiba gelada e chuvosa, uma senhora gripe me aguardava. Coisas.... E como disse ao Thiago, logo, logo essa criança chamada Edson Bueno, vai tomar vacina de graça em plena Rua XV de Novembro. Nem precisa esperar muito!



Escrito por Edson Bueno às 10h52
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A POEIRA DO TEMPO

Qualquer notícia de que um novo filme de Theo Angelopoulos está entrando no circuito é pra se comemorar. Acho Theo radical, arrogante e perfumado, mas ah! poucos diretores de cinema me emocionam tanto! “Paisagem na Neblina” de 1988 é um dos filmes mais artísticos e inspirados que eu assisti na vida e “A Eternidade e um Dia”, de 1998, não bastasse ser profundamente humano, ainda tem o título mais lindo de toda a história do cinema (o outro é “Palavras ao Vento”, de Douglas Sirk/1956). Theo leva sua câmera e poesia a lugares inimagináveis e não faz muita questão de retornar. Vai construindo seu cinema quase espiritual e contemplativo em qualquer lugar onde o espírito humano queira repousar e refletir, sentir, chorar ou simplesmente existir. É com Andrei Tarkoski um autêntico escultor do tempo e como ele, tenta compreender o significado da vida num sopro só de cinema. Amo Theo Angelopoulos e seus silêncios radicais. Agora ele está chegando com um filme novo: “A Poeira do Tempo”. Nem tão novo assim, porque já é de 2009, mas como a recepção popular de Theo é mínima, as distribuidoras pouco arriscam. "A Poeira do Tempo" parte do ponto onde Angelopoulos parou em "O Vale dos Lamentos" (também não exibido por aqui): o fim da Segunda Guerra Mundial e a guerra civil na Grécia, que levou mais de cem mil gregos a deixar seu país, a maioria deles rumo ao Leste europeu e à Rússia.

 

Quis seguir o itinerário dessas pessoas que partiram. Todos falavam do fim do século XX e se perguntavam o que ele nos deu. Pensei então em fazer algo bastante pessoal: o que esse século deu a mim? ‘A Poeira do Tempo’ é uma viagem pela segunda metade do século XX através de um amor sem limite.”

 

É a história de uma mulher, Eleni (Irène Jacob), que ama dois homens, mas também a de eventos históricos que marcaram o mundo, como a ascensão e a queda do socialismo, sob o ponto de vista do filho da protagonista, um cineasta (Willem Dafoe) criado nos Estados Unidos.

 

O socialismo, a grande esperança que marcou o século XX, virou uma imensa desilusão. Minha geração foi marcada pelo socialismo, pela possibilidade de mudar o mundo, e isso não aconteceu. Foi uma grande decepção, e milhares de pessoas morreram por isso .”

 

Ai que vontade de assistir!



Escrito por Edson Bueno às 11h27
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MUTANTES UNIDOS…

Ser diferente é, de verdade, uma desgraça. Numa sociedade onde o critério de “normalidade” elege a maioria e, competitiva e selvagem, briga por cada centímetro de espaço, não parecer com os outros é, e acredito sempre será, um perigo. Mas existem os mutantes de X-Men, que não representam, absolutamente a marginalidade, nem a minoria oprimida; mas um outro tipo de “outsider” que conhecemos muito bem; aquele que tem lá seus poderes. Guardando as devidas proporções, neste nosso mundo real, Nijinski ou Van Gogh poderiam muito bem pertencer a este seleto grupo. Dão uma nova perspectiva à vida, mas sofrem na carne a diferença irreconciliável. Os X-Men sempre foram os meus personagens preferidos das HQ, menos porque ficam disputando espaço com os não mutantes, e mais porque em sua própria “comunidade” ficam o tempo todo discutindo o que seria melhor, se integrar-se, se fazer prevalecer seus poderes, se dominar o mundo e fim de conversa ou se os tais “espírito do bem” e “espírito do mal” são prerrogativas dos simples humanos ou se sentem confortáveis também dentro dos mutantes. Talvez por isso Ian McKellen tenha encarnado um “Magneto” tão perfeitamente humano e mutante nos três primeiros filmes da série. Porque você nunca sabia direito se ele era vingativo ou malvado, se estava apenas se defendendo ou se queria mesmo era colocar fogo na humanidade e exterminar a raça de humanos não mutantes. Ian ia fundo na imoralidade e não tinha pudores, era para o espírito do cinema hollywoodiano uma ousadia e, pelo menos nos dois filmes dirigidos por Brian Singer,  um filme outsider no melhor espírito X-Men. O Magneto de Ian era a própria iconoclastia, que zombava descaradamente da inocente moralidade do Professor Xavier. E nessa retomada com os personagens em sua gênese? Nesse X-Men First Class? Dá pra dizer que em termos conceituais a porta aberta da tal caótica imoralidade deu um passo atrás com um Magneto (interpretado com todo talento e perfeição por Michael Fassbender) vingativo e sem muitas contradições, já que razões não lhe faltam para ser como é e agir como age. Mas em outro aspecto dá um passo à frente com um professor Xavier que se agarra às boas intenções, menos porque um conceito qualquer lhe aponta o caminho, e mais porque elas residem em seu coração e se lá moram é porque são possíveis. A vida pode ser o que você é. E em que pese minha simpatia absurda por James McAvoy, sua concepção do professor Xavier é primorosa. E se “X-Men 3 – O Confronto Final” assumia divertidamente o trash, essa retomada humaniza tudo e não tem pudores em tratar dos sentimentos colocando-os à frente dos tiros, dos gritos e das explosões. É um risco, mas, pelo menos para o meu gosto o resultado é brilhante. “X-Men First Class” cuida dos detalhes e dá conta dos efeitos especiais e da ação sem perder o foco dos personagens. Para isso conta com atores excepcionais (Michael Fassbender e Ian MacAvoy espetaculares!) e ainda Kevin Bacon em momento de rara felicidade. “X-Men First Class” ainda capricha na fotografia e na direção de arte e tem uma trilha sonora de arrasar (Henry Jackman). É um filme com espírito adolescente, que se não aprofunda a demência caótica proposta pelos três primeiros, ainda assim vibra, diverte e emociona. E se fizer sucesso nas bilheterias vai exigir criatividade e esperteza para que os próximos proponham aquilo que esse, por fazer de conta que é um recomeço, não precisou.



Escrito por Edson Bueno às 12h25
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